Portugueses,

O Aventar apresenta, em primeiríssima mão, um rascunho do discurso que Sua Excelência o Presidente da República proferirá aos portugueses após a rejeição do programa do Governo na Assembleia da República! Este documento foi-nos sigilosamente facultado por um amigo do Aventar ligado ao partido que ainda suporta (sublinhamos o termo) o Senhor Presidente e que integra a sua casa civil. Não garantindo que espelhará a intervenção que fará nos próximos dias, o Aventar está assim em condições de assegurar a sua autenticidade enquanto rascunho.

  • No passado dia 10 de novembro de 2015, o País eo Governo foiram confrontadocom a rejeição do seu programa pela Assembleia da República. Cumpre por isso ao Presidente da República pronunciar-se sobre a situação daí resultante, após nova consulta aos partidos que compõem a Assembleia da República e depois de ter tomado a iniciativa de ouvir o Conselho de Estado.
  • O cenário político é conhecido de todos. A coligação que hoje integra o Governo legitimamente constituído foi a força política com mais votos no último ato eleitoral. O Partido Socialista perdeu (esticar o queixo) as eleições. Os portugueses não esperam (abanar a cabeça e semicerrar os olhos), por isso, que governe sozinho. A ausência, no elenco de um hipotético governo minoritário, de elementos indicados por todos os partidos que em conjunto assegurariam a maioria parlamentar necessária para governar é um inequívoco sinal do potencial risco efetivode instabilidade política que tal solução poderia trazer ao País.
  • Só um acordo celebrado entre os três partidos e um programa subscrito conjuntamente poderia caucionar um programa do governo a apresentar na A.R. pelo Partido Socialista, assim como os subsequentes orçamentos de Estado e, em geral, a ação executiva, no quadro dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado português. Os acordos bilaterais existentes não permitem, em meu entender, uma avaliação global sobre a consistência da solução de Governo proposta pelo Partido Socialista.
  • Em nenhum momento se garante a irrevogabilidadesolidez dos acordos alcançados, o que faz legitimamente temer pela sua permanência e adequação a num contexto internacional caracterizado pela incerteza e em acelerada mudança.
  • A tradição político-constitucional portuguesa não aponta para soluções governativas sui generiscomo a alternativa de Governo que me foi apresentada. Na verdade, a ponderação de uma proposta de Governo sustentado por forças parlamentares que sempre mostraram relutância em articular-se entre si não pode deixar de ser efetuada com a máxima prudência nem esquecer os cerca de quarenta anos de divergências profundas e insanáveis entre os respetivos partidos.
  • São assim, no meu entender, enormes os riscos para a estabilidade democrática e económico-financeira do País que resultariam do endosso presidencial a uma solução de Governo do segundo partido mais votado nas eleições legislativas, atenta a possibilidade da captura da ação governativa pelos interesses minoritários dos partidos que o dizem apoiar.
  • Portugal conta, hoje, com um governo legitimamente constituído e que já deu provas de saber defender, em momentos muito difíceis, os interesses do Estado no contexto da União Europeia. Num cenário em que, por estar em final de mandato, se encontra impedido de devolver a palavra aos portugueses, o Presidente da República não encontra fundamentos suficientemente robustos para exonerar o Dr. Passos Coelho, cujo Governo permanecerá no poder em funções de gestão até que possa ser constitucionalmente definida uma solução que responda aos superiores interesses da Nação de Portugal.

Boa noite

Comments

  1. Carvalho says:

    Gabo a paciência de escrever isto.
    Cá por mim, o que ele vai dizer é mais assim:
    “Portugueses,
    vou agora limpar o cu, após ter passado estes anos todos a cagar para o país e para a Democracia. Boa noite.”

  2. Filipe says:

    E o discurso de Passos Coelho: “esta não foi a solução que escolhemos, mas eu não fujo às minhas responsabilidades. Dentro do quadro de limitação de poderes inerente a um governo de gestão (culpa da irresponsabilidade dos partidos que derrubaram o governo, etc., etc., etc.), iremos continuar a trabalhar com o máximo empenho para servir o interesse nacional, etc., etc., etc.
    Tenho algumas dúvidas de que Cavaco vá deixar Passos Coelho no poder. Mas aposto mais nisso. Temos um mau presidente, e de um mau presidente não podemos esperar nunca decisões normais. E constitucionais.

  3. Rogerio Campos says:

    Perguntava hoje com toda a eloquência do mundo, e muito senhor de si próprio na assembleia da republica um dos muitos lacaios que serviram a este governo ainda em exercício, o seguinte.
    Como é possível o partido Socialista aumentar a despesa e reduzir a receita e ainda assim cumprir o deficit?
    Viva o partido Socialista, há que dar-lhe o prémio Nobel. pois vão fazer o que nunca foi feito!!!!!
    Pois, eu vou dar-lhe a resposta, e conste que sou apartidário e que por mim. quase todos eles deviam de estar a prestar contas à justiça pelos roubos feito ao povo Português.
    Pois, quero responder a esse lacaio sem coluna vertebral o seguinte.
    A resposta a questão que põe é do mais fácil que há e sabem qual é?
    É simples, cá vai ela.
    CORTA-SE NAS GORDURAS, ou não era essa a resposta que tinha o chefe deste lacaio, aquando em campanha eleitoral em 2011 para resolver os problemas do país.
    Haja paciência para aturar esta praga.

  4. Fernanda says:

    Cavaco vai ter outro ataque vagal?


    • Podia era dar-lhe um treco de vez, mas não sem antes dar posse a um governo de António Costa, que já tenho uma garrafinha de champanhe preparada para acompanhar esse momento memorável.