Atentados terroristas em Paris

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Pedro Pereira Neto

Em França, um conjunto de eventos de gravidade e consequência significativas, em contexto europeu, estão em curso.
Começo por destacar a expressão “em contexto europeu”, pois infelizmente, por acção ou omissão nossa, cívica, a realidade extraordinária desta noite em Paris é… a realidade diária de diversos países nos quais as nações europeias têm interesse e intervenção.

Em segundo lugar, impressiona-me sempre pela negativa a facilidade com que eventos desta natureza revelam o verdadeiro carácter de cada um e de cada uma. Em alguns e algumas, suscita solidariedade, preocupação, disponibilidade para apoio. Noutras e noutros, infelizmente, legitima e permite afirmar com toda a naturalidade o pior da sua visão generalizadora, desinformada, discriminatória e profundamente xenófoba. Já li, por exemplo, relações inacreditáveis este esta situação e a ajuda a refugiados neste momento em curso. Tudo serve para exercitar o músculo do nosso racismo escondido.

FInalmente, o principio de abordagem é, para mim, sempre o mesmo: a quem beneficiará isto no medio prazo? O que tornará mais fácil ou aceitável que seja feito? De que liberdades ou de que partes do Estado de Direito se pretende que nos disponibilizemos a abdicar?

É importante ter presente esta recorrência histórica: quanto mais organizados são os eventos, menos plausível é que tenham a autoria que corremos a atribuir-lhe. E é de lucidez, e não de emotividade, que as reacções a situações de extremo devem ser feitas.

Comments

  1. Tito Livio Santos Mota says:

    estou admirado com o Hollande.

    em vez de lançar um plano “media” a dizer pataquadas
    Ficou a tomar conta do assunto, e, quando o dispositivo estava lançado, fez uma declaração digna, apelando à calma e à unidade nacional, sem lançar anátemas contra ninguém.

    Que diferença em relação ao cowboy Sarkoy que desatava logo aos pulinhos por toda a parte sem fazer nada que valha, com as TVs atrás, a dizer parvoices.


  2. reparem que, se fosse o Cavaco…
    Se fosse o Cavaco, ia a águas para o Vimeiro e pronto.

  3. Ana Moreno says:

    O que escreve pode ser tudo politicamente muito correcto e sobretudo muito lúcido, pode até ter muita razão com o enquadramento, a análise de reacções e de consequências. Não sei o que esta minha reacção lhe revelará sobre o meu verdadeiro carácter, mas morreu uma data de gente e, seja lá onde for que isso aconteça, é mesmo a emotividade que provoca um enorme choque e uma profunda consternação. É uma monstruosidade. Sem qualquer outra ilação. Tout court.

    Claro que a um presidente se pede mais do que isso.

  4. Miguel says:

    Só espero que o que acabou de acontecer em Paris, resulte de uma vez por todas no resgate ordenado dos refugiados que restam na Síria e Iraque e no despoletar de uma ação militar robusta de base internacional com vista à destruição do isis.

    • Hélder P. says:

      Estou muito emocionado hoje. Mas penso realmente que o EI representa uma ameaça à civilização como só o III Reich no século XX. E como então, é preciso reunir aliados contra a barbárie. Porque é muito mais o que nos une que o que nos separa. E ao Qatar, à Arábia Saudita é preciso exigir que digam de uma vez por todas de que lado estão.
      Resgatar a Síria, o Iraque, a Líbia destes mostrengos. Não sou pelas guerras, mas algumas tem que ser feitas.

  5. luis barreiro says:

    Camaradas isto é mais uma reacção à forma como a Europa trata os muçulmanos, ainda agora assistimos em Portugal a forma desrespeitosa como recebemos refugiados em Penela, pois permitimos que os sinos das igrejas continuem a tocar em clara falta de respeito para com os costumes de quem recebemos.
    Os bancários e alguns comerciantes de Penela já pensam colocar dificuldades a quem entra nos bancos ou estabelecimentos de burca, em claro desrespeitos com os costumes de quem recebemos.
    É preciso saber receber e a Europa não sabe.

    • Anasir says:

      A Europa deve receber os muçulmanos como eles nos recebem nas terras deles. Por que é que lá as turistas são obrigadas a cobrir os cabelos? Pela mesma razão por que as burcas devem ser proibidas na Europa. Se eles nos obrigam a respeitar a sua cultura, também devem ser obrigados a respeitar a nossa.

    • Maria João says:

      Luís, você quando é convidado para ir jantar a casa de um amigo, adopta os hábitos da casa dele, certo? vai para a mesa quando a dona da casa o chama e come o jantar que lhe oferecem, utilizando os pratos, os copos e talheres que estiverem a uso, sendo que, por educaçao e cortesia, não impõe os seus menus e utensílios, horários e hábitos quanto ao desenrolar da refeição, verdade?
      Pois assim também se afigura razoável que os nossos costumes não tenham de ser mais alterados que os deles quando lá nos deslocamos.


  6. OH VALHA-NOS DEUS!.. O QUE PR’AQUI VAI!
    Quem nos poderá livrar desta gente alucinada que agora deu em prometer MAIS BARBÁRIES?!
    O que dizer?!… Apenas RIP é muito pouco. 🙁