O How e o Know-How


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Salvador Dali, ilustração para a Imaculada Concepção

O Porto Canal descobriu um filão neste homem que tem o condão de nos colocar permanentemente em estado de estupor filosófico. Retenhamos esta sequência, a propósito da adopção por casais do mesmo sexo:

Eu sou homem. Tenho, por exemplo, órgãos genitais de homem, pénis, testículos, etc. Não fui eu que os fiz. Não fui eu, que os fiz. É claro que eu posso… se calhar foi a minha mãe. A minha mãe já faleceu. Mas eu posso facilmente imaginar-me a perguntar à minha mãe: – olha, tu sabes fazer pénis? (…) – Oh filho, eu sei lá fazer uma coisa destas. – Mas tu fizeste 4! Ela fez 4! Mas não sabe fazer pénis!” (…) Tenho aqui um problema. Ela não sabe fazer. Mas fez!“.

Bastaria tal pequeno exercício de retórica para nos apercebermos que entre os órgãos genitais do professor Pedro Arroja se encontram a cachimónia, as cordas vocais e a língua, capazes de gerar e dar à luz, como estes, pequenos sistemas de vida intelectual antecipadamente extintos (ou seja, abortos lógicos). Caramba, ninguém lhe saberá explicar a diferença entre o fazer e o saber-fazer?

Eu tenho certos órgãos, que já identifiquei. Não fui eu que os fiz. A minha mãe, também não os sabe fazer. O meu pai muito menos. Não vejo ninguém que os saiba fazer e que os tenha feito. (…) Quem foi? Quem foi? A resposta é: foi Deus. Embora o tenha feito no ventre da minha mãe“. (…)

 

Que a criatura não conheça quem saiba fazer órgãos humanos, ainda se aceita, muito embora a façanha já nada tenha de cientificamente inédito. Que não veja quem os tenha feito, não parece nada que não possa resolver com uma ida ao oftalmologista. Agora, que se tenha de gestação divina, renegando a berlaitada paterna e materna, é que já entra no domínio do hardcore psiquiátrico (eu apostaria na demência precoce, uma das possessões descritas na Imaculada Concepção do Éluard e do Breton). Mas prossigamos no seu raciocínio:

“A nossa cultura é uma cultura racional. Diz o evangelho de S. João, começa logo assim, no princípio era o verbo, o verbo significa palavra mas no original grego da Bíblia a palavra utilizada era logos. No princípio era o logos (…) Logos tem um significado mais amplo, é palavra e razão. Portanto, a nossa cultura, católica, cristã, é uma cultura racional. E se a minha mãe não sabe fazer homens e no entanto os fez, a pergunta é: quem os fez? Tem de haver uma resposta. E a resposta é Deus“.

Vamos ver se percebemos: como a nossa cultura é uma cultura racional (entenda-se, por via da declaração fundadora do evangelho de S. João, claro), a resposta à pergunta “quem faz os homens”, não obstante as elementares evidências biológicas, só pode ser a mais racional de todas: Deus! Porque não o aceitar será uma heresia, que é por definição uma irracionalidade e por isso foge aos luminosos parâmetros da nossa cultura.

É por isso que os deputados que aprovaram a lei que prevê a adopção de crianças por casais do mesmo sexo seriam aquilo a que esta alimária contidamente chama, porque não os pode imolar, uns”filósofos de café” e não, como ele, exegetas do burrié e da cagadela de mosca.

 

Comments

  1. A nova lei de co adopção teve na direita conservadora portuguesa o mesmo efeito que acender a luz de repente numa cozinha cheia de baratas.
    É vê-los coitadinhos, todos tontos às cabeçadas às paredes e a fugirem para baixo do frigorífico…
    Mas este senhor bate recordes… quem não o conhece até pensa que o coitado estava a ter um AVC em directo.
    E pronto, foi gentinha como esta que tivemos a mandar no país nos últimos tempos… Enfim, pode ser que se arrependa e vá para monge franciscano.

  2. Ninguém explica a este homem que só os Pasteis de Belém são uma prova inequívoca da existência de Deus? É que, se Deus não existisse e não fosse infinitamente bom, não poderiam existir pasteis tão bons!

  3. Porque é que dão tempo de antena a este indivíduo?
    Para desenvolver o espírito crítico dos que conseguem ouvi-lo por mais de escassos segundos?

  4. Edgar Carneiro says:

    Tive um professor de matemática que, perante a estupidez, soía afirmar: – mais besta, menos besta, não impede o progresso da humanidade!
    Será assim?

    • jpfigueiredo says:

      Edgar, mais besta impede, sobretudo emproada como esta. a brincar, a brincar é que o macaco fez um filho à mãe. é preciso cortar cerce nestes charlatães de verbo fácil, que têm a capacidade de atrair manadas de ignorantes atrevidos!

  5. Carvalho says:

    Não me parece bem que se goze com as pessoas com deficiência. Este cavalheiro Arroja não tem culpa de ser deficiente mental, de ter fezes onde as pessoas costumam ter cérebro; não foi a mãe que o fez assim e ele não escolheu ser assim. O pobre tem este problema de não saber pensar como as pessoas normais, de ser atrasado. Mas gozar com deficientes é chato…

  6. Eu, que acredito piamente que somos filhos de Deus (e não estou a ser irónico nem sarcástico), fico apavorado só de pensar que este senhor, o Arroja, é professor numa universidade portuguesa! Medo, muito medo! E isso, de certeza não é culpa de Deus.

  7. joão lopes says:

    “No principio era o logos” ,logo em nome da minha sanidade mental eu desisto de tentar perceber este indigena…embora o homem tenha um discurso bastante porno Grafico.

  8. Este homem é tão “ancien regime” que foi expulso do blog “blasfemias” 🙂 .
    Ele é professor de economia. Parece ser tecnicamente capaz sua área de estudos. Fora da sua área é aquilo que se vê.

  9. Sorte a minha de não ver o Portocanal.

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