Coligação PàF: uma corte em decadência

Corte

António Costa deve agradecer à seita passista por este curto e inesperado momento de estado de graça, que não se antecipava, mas que acaba por ser uma decorrência do PREC – Processo de Radicalização Em Curso – no qual se encontra mergulhada a direita nacional. Para além dos crentes praticantes, já ninguém leva a sério os apostólos ressabiados da coligação, seja no Parlamento, na imprensa ou nas redes sociais. Mas a insistência no absurdo reforça laços à esquerda. O novo governo e respectivos parceiros agradecem.

A cassete encravada do PàF é hoje um deleite para quem, como eu, vem apreciando o show de variedades protagonizado por PSD e CDS. Como bobos de uma corte decadente de um rei há muito nu, repetem-se até à exaustão os chavões do “golpe de Estado” e da “ilegitimidade” para os quais já nem os comentadores mais leais têm paciência. A decadência é tal que a figura que mais vezes surge a representar o PSD é o sinistro despesista de Gaia, Marco António Costa.

Paulo Portas, o BFF de Passos Coelho que deixou de o ser em Julho de 2013 até que o agora deputado lhe garantisse um aumento, um cargo de mais poder, um ministério adicional e uma tiara, dispara sobre a aliança entre os partidos à esquerda, alegando uma fragilidade que até ver não se tem notado. Compreende-se: enquanto Portas e o CDS mais não foram de que uma muleta para o PSD, BE, PCP e PEV não parecem obrigados a bater palmas sempre que um membro do governo fala, não assinam de cruz e estão preparados para discutir todas as matérias com os seus novos parceiros. E isto deve ser penoso para Portas, que mais não foi que um mero servente e cuja emancipação custou ao Estado e à bolsa de valores perdas de muitos milhões de euros. Resta-lhe a doce memória da cantoria do chefe.

Porém, à medida que a “normalidade” regressa e o discurso fanático deixa de ter força e se revela, tal como a insistência da coligação em trazer Sócrates para o debate pré-eleitoral se revelou, uma completa inutilidade, o cenário ameaça cair sobre as cabeças inchadas da direita radicalizada, fazendo ruir a “fortaleza económica que PSD e CDS prometeram“, que afinal não passa de um frágil castelo de cartas, em processo de desmoronamento. Sobretaxa, défice, Novo Banco e os famosos cofres cheios são hoje mentiras totalmente expostas que os mais altos dignitários daquilo que resta da coligação tentam, sem sucesso, mascarar. Uma corte em decadência comandada por um homem doente e em negação, sentado numa cadeira e convencido que ainda governa. E nem um Capitão Falcão que lhe valha!

Foto: Marco Borga@Expresso

Comments

  1. Joao Calado says:

    Gostei do texto e estou completamente de acordo mas devo assinalar um pequeno erro ortográfico.
    “Porém, há medida que a “normalidade” regressa” = “Porém, à medida que a “normalidade” regressa”


  2. Calado!

  3. José Peralta says:

    (…)”E isto deve ser penoso para Portas, que mais não foi que um mero servente e cuja emancipação custou ao Estado e à bolsa de valores perdas de muitos milhões de euros. Resta-lhe a doce memória da cantoria do chefe.”

    Os “muitos milhões” que a birra o “irrAvogável” portas custou a todos nós, contribuintes, foi a módica quantia de 2,3 mil milhões de euros !

    Mas mesmo assim, é ver o portas, o coelho e toda aquela decadente tropa fandanga raivosa, a fazer “stand up” na Assembleia ! E a gozar com o pagode…

  4. Carlos Soares says:

    Parabéns pelo texto, mesmo com o erro ortográfico.

  5. antifacho says:

    o que estão há espera para prender e averiguar esta quadrilha de malfeitores .

  6. martinhopm says:

    João Mendes, corrijo na 4ª. linha antes do fim do texto: «dignitários».

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