Um Presidente diferente

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Que enorme diferença. Ver Marcelo Rebelo de Sousa a ser entrevistado enquanto candidato a Presidente da República na SIC e tentar comparar com a esmagadora maioria dos nossos políticos em situações do género.

O que costumam fazer os nossos políticos quando são entrevistados em televisão? Simples, responder com a máxima ambiguidade possível e até impossível. O que fez Marcelo? Respondeu a tudo de forma clara, directa e sem “rodriguinhos”. Sem procurar agradar a Deus e ao Diabo. Sem fugir a nenhuma pergunta. Sem atacar ninguém. Limitou-se a dizer o que pensa e com bom senso. De forma séria e ao mesmo tempo descontraída. Dominando perfeitamente o meio e sabendo utilizar o modo certo. Sem artificialismos.

E arriscando. Muito. Afirmar que não vai fazer uma campanha tradicional – não aceita donativos de nenhuma espécie, só vai ter uma sede de campanha (em Lisboa), não vai colocar cartazes nem outdoors nem nada é, mesmo nestes tempos e mesmo com a notoriedade que se lhe reconhece, um enorme risco.

É um candidato diferente. Estou convencido que se vencer, como espero, será um Presidente diferente. E como Portugal precisa de um PR diferente…

Comments

  1. Nightwish says:

    Ó sim, vai ser extremamente sério a dar homilias todas as semanas e nada clubístico.


  2. Que seja diferente, que não seja cinzento, que guarde as formalidades protocolares de república decadente e bafienta na gaveta e que traga modernidade e esperança. Para estes desígnios não há melhor candidato.


  3. Depois de uma serie de anos a comentar na televisão e a endrominar pacóvios para quê que ele há-de precisar de cartazes e outdoors ou donativos. A mim não me come! Um cavaco com o dom da palavra um autentico cameleão da opinião. Perigoso.


  4. Pois, mas a ele deram-lhe a oportunidade de falar e de brilhar. E os outros??? Alguns talvez brilhassem mais ainda… se os deixassem. Além de ele já se vir a publicitar há vários anos, como comentador. É a isto que chamam DEMOCRACIA???

  5. mdlsds says:

    Pois eu, por acaso, achei-o diferente, sim. Senti-lhe uma soberba que terá tido algum cuidado em não deixar escapar nos anos todos de campanha que fez como comentador. Um tom arrogante de falar que do qual também não me terei apercebido até hoje. A primeira coisa que me ocorreu: é um homem do regime.A segunda: também nunca se engana e raramente tem dúvidas. Se segundos de dúvidas terei tido há meses, hoje ficou bem claro que jamais votarei em Marcelo Rebelo de Sousa. Ele não se importará, certamente, já que sem qualquer pudor disse que não precisa disto para nada e que era muito feliz sem esta candidatura. Dispenso o seu sacrifício.


  6. A única vez que aceitei ser candidato a alguma coisa foi com Marcelo em 1989 em Lisboa. Sempre o estimei e não contava perder para Jorge Sampaio, mas eram 2 candidaturas fortes. Nunca ganhou uma eleição se exceptuarmos a liderança do PSD, cedida após uma indigesta vichyssoise. Será desta? A concorrência é fraca mas Maria de Belém pode surpreender o favorito para desgosto do trafulha que lidera o governo…

  7. joaovieira1 says:

    Não assusta o discurso fácil, moderado e, aparentemente, apaziguador que Marcelo usa agora, enquanto candidato presidencial, como, também, não assusta o currículo a nível interno e externo (europeu) que apresenta. Marcelo assusta, mais do que pelos vínculos ideológicos, políticos e sociais que o prendem ao passado pré-Abril/74, pelo seu comportamento ao longo do percurso difícil da nossa evolução democrática pós-Abril/74, nunca se demarcando, por ex, de Cavaco Silva, o político que, desde 1987, através das medidas tomadas até à posse de Guterres (1995), apoiou, com decisão inabalável, o desmantelamento da agricultura, pescas e indústria nacionais a troco de fundos comunitários, facilmente esbanjados. Marcelo assusta por, nos últimos 20 anos, de modo privilegiado e único se ter entranhado mediaticamente no coração de muitos portugueses e portuguesas, mas não nas suas mentes, ajudando-os, de forma racional, objectiva e limpa, a reflectir sobre os “factos” que, com tanto engenho e empenho criava dia após dia. Marcelo assusta ainda por, perante o descalabro público óbvio das figuras mais tutelares da direita, nos últimos 4/5 anos, poder estar a transformar-se, subrepticiamente, quase sem encargos, no ai Jesus dos 38% que votaram na coligação e, adicionalmente, vir a atrair cerca de 10 a 12% de eleitores independentes ou de outras formações partidárias perfazendo, assim, a maioria absoluta que precisa, na primeira volta. Marcelo assusta, finalmente, por, caso venha a emergir conflito ou confrontação política e social, extraordinariamente, grave, só resolúvel por um PR sereno, sábio e com apoio em todos os quadrantes políticos, sociais e institucionais, se poder vir a colocar do lado errado da história, do lado daqueles que, afinal, têm ajudado a cavar o fosso de desigualdades que nos continuam a dividir e a empobrecer, há mais de 40 anos.

    • mdlsds says:

      Oxalá que quem, tendencionalmente vota à esquerda, tenha percebido claramente no discurso de ontem (foi um discurso, não foi uma entrevista), o cinismo daquele desmarcar do apoio do PSD que, tão arrogantemente e de imediato, fez questão de negar ser uma caça aos votos de esquerda. Resta ao povo ditar a história e não deixar que ninguém se coloque desse lado errado.

  8. Antonio Santos says:

    Vai ganhar com boa vantagem logo à 1ª volta. Pode a esquerda apresentar mil candidatos, que nem 1 lhe chega aos pés.


  9. Realmente “nenhum lhe chega aos pés” (segundo António Santos) em: 1- máquina publicitária (bem disfarçada); 2- conversa “fiada”, aparentemente inteligente e fiável.

  10. Rui Moringa says:

    O Prof MRS não merece ser Presidente porque:
    Nunca afrontou verdadeiramente alguns dos poderosos alegadamente frequentadores dos meios em que se movia: BES;
    Quando fala com pessoas conotadas com o chamado Povo, nota-se uma atitude paternalista;
    Só agora, em pré-campanha, se nota uma demarcação tática de Passos Coelho;
    É um retórico que por vezes resvala para a manipulação;
    Oscila taticamente entre as lojas da viúva e a opus dei, ao estilo do sempre em pé.
    Claro, opiniões são livres e legitimamente admissíveis.
    N.B. Não sou comunista!!!
    Estou ponderando entre Dr. Paulo e Sr. Henrique Neto, este dos poucos que afrontou algumas das políticas do 2.º Governo de José Socrates.

    • Nightwish says:

      Está-se a esquecer do facto que não tem uma única ideia política, tudo o que lhe interessa é o jogo partidário.

  11. A.Silva says:

    Marcelo é dos políticos mais desonestos!

    Há décadas a fazer propaganda vem agora com estas tretas, como se ele não fosse o candidato que mais dinheiro tem, principalmente o dinheiro que lhe é dado por toda a oligarquia que aposta nele.

  12. ferpin says:

    Não voto nele nem na 1ª, nem (espero) na 2ª volta.

    Mas, comparado a cavaco é um avanço enorme.

  13. martinhopm says:

    Não era o Coelho que não queria um «catavento mediático» como candidato presidencial?! O que é que mudou?!