No ERSEhole dos outros é refresco!

 

ARSEHOLE

A redução de 6%, ou de 13% para os consumidores “economicamente vulneráveis”, que representaria o expurgo da Contribuição para o Audiovisual (CAV) da factura da electricidade e a sua “passagem para o universo das comunicações”, almejada pela ERSE corresponderia nem mais nem menos do que ao exorbitante “desconto” de € 2,81 por mês por alojamento com consumo acima dos 400 kw anuais (os consumos inferiores estão isentos).

A medida, que surge no programa do governo após negociação do PS com o BE, PCP e Verdes, inspirada pelos spinners do sector energético como solução para diminuir o montante da factura da electricidade, teria no entanto como efeito, para manter a receita da RTP (condição de concretização inscrita naquele programa), um aumento muito maior na factura das telecomunicações, cuja universo “taxável” é muito menor e muito mais flutuante. Ou seja, os cidadãos com televisão por subscrição veriam agravado o montante actual da CAV e, juntando a factura eléctrica e a das comunicações, pagariam no total muito mais do que pagam hoje! A esperteza saloia em todo o seu esplendor…

Reconhecendo a precipitação da ideia, num momento em que a informação entretanto disponibilizada, ainda por cima, revela que os serviços públicos de media na Europa vêm aderindo, pela sua maior fiabilidade, a um sistema de cobrança da license fee televisiva semelhante ao nosso (através da factura da electricidade), o Governo e os partidos acima referidos parecem já ter percebido a asneira em que se meteram, preferindo estudar outras formas, inclusive através de uma rearticulação da CAV, de obter maior justiça social.

Sabendo deste reposicionamento sensato, a ERSE vem agora aliciar as famílias com este “bónus” na factura da electricidade, tentando forçar o Governo, mesmo com prejuízo dos consumidores de telecomunicações (85% das famílias), a libertá-la do ónus de apresentar uma factura €2,80 mais cara às famílias portuguesas.

Se em vez de atirar ossos envenenados ao cão sumidor a ERSE controlasse a subida especulativa do preço da electricidade, que desde 2008 já aumentou em Portugal 42% (dados que não contabilizam o aumento de 2,5% no início deste ano), aumento só ultrapassado pela Alemanha (57%) e pela Dinamarca (52%), talvez conseguisse maior apoio popular para os chorudos ordenados dos seus administradores.

Comments

  1. jose lopes says:

    muito bem escrito e pensado! as verdades ao de cima!!