A estreia de David Dinis como director da TSF

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Filipe Amorim/Global Imagens

David Dinis estreou-se ontem na TSF com um artigo de opinião a comentar o caso de Maria Luís Albuquerque se apoiar nos buracos da lei das incompatibilidades para ir para uma empresa onde, moralmente e legalmente, não devia trabalhar.

Não foi isto que o ex-director do O Observador disse, porém. Para ele, não há problema legal.

Não o digo porque seja ilegal. Olhando para a lei, o facto de ser “não executiva” na Arrow Global provavelmente iliba-a desse ónus.


O problema está no enquadramento político.

Mas digo-o, francamente, pelo enquadramento político. Maria Luís Albuquerque saiu há três meses, apenas há três meses, do Governo. A ex-ministra vai para uma empresa estrangeira fazer relatórios sobre “enquadramento macroeconómico”, que evidentemente ajudarão a empresa a tomar decisões sobre os seus investimentos por cá (incluindo no caso Banif, incluindo, admito eu, sobre dívida pública e privada do país). E, nos intervalos, assistirá na bancada do PSD às discussões sobre o Orçamento de Costa e as suas consequências, sobre o que ela própria fez ou deixou de fazer no Governo.

Porque o problema está nas “perguntinhas”, e não nas perguntas, que o PS, Bloco ou PCP poderão fazer.

E vem agora a pergunta: pode? Poder pode, mas não deve. Terá de ouvir calada, prejudicando a sua função como deputada. Pelo caminho, prejudica o seu partido e cria ruído sobre o debate público (e lá virá a perguntinha do PS, Bloco ou PCP: “E diga lá, sra ex-ministra, o que é que recomendou a sua empresa a fazer”?).

É um problema de ruído e de prejudicar o seu partido. Para Dinis, o cerne é este. Portugal à frente? Isso é coisa para eleições. Não vê problema algum em Albuquerque ir trabalhar no negócio onde esteve envolvida. Dá a volta ao texto para justificar a ex-ministra, como faria qualquer spin doctor, mas que não se espera num jornalista, mesmo que a comentar política.

Este arranque ilustra bem o lado faccioso do comentador, abundantemente observado no baluarte da direita de onde veio e nos comentários políticos em outros OCS onde foi sendo plantado para botar faladura (Antena 1 e RTP).

Saiu da TSF uma pessoa de direita com sentido crítico, Paulo Baldaia, para entrar uma voz da direita, com sentido de missão.

Comments

  1. Luis Coelho says:

    TSF: antes, Rádio Jornal; agora, Rádio Publicidade.
    A orientação editorial tem acompanhado a degradação.
    Intragável


  2. Lado faccioso? Quem pergunta isso, acha que ele aprovou a escolha? a moral devia constar dos deveres de pensar, ainda antes de escrever ou falar: