As gravuras ainda não sabem nadar?

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No início, de modo simplista, havia isto: a barragem ou as gravuras.
Optou-se, bem, pelas gravuras.
Como sempre, parte da substância foi reduzida a discussões de economês básico: qual a solução que geraria mais dinheiro? A barragem, disseram muitos em coro, começando por boa parte da população local.
Paradoxalmente, a defesa das gravuras do Coa foi, talvez, uma das últimas causas capazes de gerar movimentos engajados e participativos em Portugal, integrando vozes e manifestações activas norte a sul, levando a discussões que envolviam modelos de desenvolvimento e salvaguarda de património cultural.
Ora, um paradoxo gera outros, e grande parte dos defensores nunca visitou o local e os percursos postos ao serviço do público, contribuindo, também assim, para a aparente estagnação actual.
E é pena. Pena, porque, de novo, é a gestão do património comum que está em causa, e pena porque se trata de um programa inesquecível para quem nele participa.

Fui lá uma vez e espero voltar, porque gostei verdadeiramente de conhecer o Parque Arqueológico do Vale do Coa, o maior museu ao ar livre do Paleolítico em todo o mundo, o tal onde, pelos vistos e por diferentes razões, as gravuras continuam a não saber nadar.

Comments

  1. Zoelae says:

    A preservação do património arqueológico não necessita de peregrinações em massa, nem de investimentos de milhões de euros, apenas requer que ninguém estrague aquilo que resistiu às adversidades da Natureza durante os últimos milhares de anos.

  2. A. Pedro Correia says:

    O que significa, hoje em dia, visitas controladas como acontece neste caso. Digo hoje em dia porque, apesar do tempo que as gravuras resistiram, estariam agora cada vez mais à mercê de vandalismos, interesses, construção, etc.