O longo epílogo capitalista

Abespinham-se quando as suas verdades são postas em causa pelas verdades dos outros mas borrifam-se para o modo como as suas são construídas, mesmo quando o são à custa do respeito pelos outros. Outros que não se reduzem aos que usam os ignorantes/desesperados que se fazem explodir. Não falo só de bombas, mas do capitalismo, que também directamente as alimenta, e da sorridente subjugação de tudo quanto é humano em que assenta a sua lógica. Também lhe podem chamar globalização financeira, terciarização, terceiromundização, precarização, colonização, parasitação, animalização, filhadaputização. Não há inocentes mortos, há indecentes vivos. E carne viva para canhão. Resta-nos evitar as manhãs, as aglomerações e as horas de ponta.

Comments

  1. Miguel says:

    Este discurso de colocar o capitalismo como bote expiatório de todos os males, incluindo o terrorismo, deixa-me enojado. E cada vez mais. Mais um ataque, mais vítimas inocentes e outra vez mais, aquele discurso de desculpabilização nos blogues, redes sociais, na televisão. Mas qual desemprego? Qual economia? É a cultura, estúpido! Há um gap cultural enormíssimo entre o mundo Ocidental e o islão.
    Todas as religiões são estúpidas. Mas uma coisa eu tenho a certeza, há religiões mais estúpidas do que outras. E com estúpido, quero dizer alucinado, obscurantista, irracional. E o islão está definitivamente na categoria das mais estúpidas. Dizer que e o islão é tão pacifista quanto o Budismo ou o Hinduísmo é de uma hipocrisia extrema.
    E quanto à questão do islão moderado, apenas digo para verem o mapa de países islâmicos em que a apostasia (abandono do islão) é crime ou punível com a pena de morte. Depois digam-me se o islão moderado é assim tão significativo quanto isso. Ou pensamos então na Turquia e na regressão brutal de direitos humanos, após uma década de domínio de um partido de democracia islâmica. Tirem as vossas conclusões.
    Só espero que com isto os governos europeus comecem de uma vez por todas a atacar o mal pela raiz. Há tanta coisa para fazer, desde o encerramento de todas as madraças e mesquitas que revelem o mínimo sinal de radicalismo, com penas pesadas para os dirigentes das mesmas, até à proibição do uso de véu islâmico, é um atentado à dignidade da Mulher e um fator que só dificulta a assimilação destas comunidades. Como é óbvio a presença militar no Médio Oriente também deve ser reforçada, é urgente aniquilar o estado islâmico. Quanto à questão dos refugiados, apenas tenho a dizer que se a Europa não conseguiu integrar eficazmente os imigrantes magrebinos/árabes resultantes da descolonização dos anos 60, é muito imprudente pensar que se vai conseguir integrar com sucesso este fluxo bem maior de pessoas e ainda por cima num contexto de fragilidade socioeconómica que não existia nos anos 60. Os refugiados devem ser acolhidos apenas temporariamente, até o conflito sírio cessar. É apenas uma questão de racionalismo.

    • J.Pinto says:

      Miguel, você não sabe que para muita gente o mal que lhes acontece é sempre culpa dos outros? Sempre.

      Então o capitalismo e o liberalismo (e outras coisas terminadas em “ismo”) são sempre os culpados de tudo. Tudo mesmo. Mesmo quando se pretende fazer as coisas de uma forma completamente irracional, se não der certo (porque nunca dá), a culpa é sempre do capitalismo e do liberalismo.

      • Rui Silva says:

        Caro J.Pinto,
        Concordo em absoluto consigo e veja que o Marxismo era uma doutrina (sim foi elevado à classe de religião pelos seus gurus) previa que o Capitalismo era apenas uma fase na “evolução” para o socialismo. De repente , quando tudo estava estava a correr bem, aconteceu o que se sabe (simbolizado pela queda do muro de Berlim) e face à realidade, nua e crua não foi mais possível dizer que se tratavam de campanhas do Capitalismo para denegrir o-sistema-final-mais justo-que-há-na-terra-e-que-trouxe-paz-e-bem-estar-a-todos.
        Posto isto os crentes tinham 2 opções:
        i)ou renunciavam à sua crença(opção dos racionais e bem intencionados e que não viviam ás custas da “religião”)
        ii)tornavam-se activistas de todo o que pudesse indirectamente “atingir” o culpado de tudo ( ou seja o tal sistema que apenas é uma passagem rumo ao Socialismo), como ecologismo, pacifismo e outros ismos …

        O mais interessante é o grande numero de “idiotas uteis” que conseguem angariar junto dos chamados “bem intencionados”.

        cps

        Rui SIlva


        • Já cá faltava o idiota-mor dos comentários neste blog. Estava com “saudades”. A Direita quando não percebe o que está a discutir, vem o “argumento” dos comunas. É certinho… Quanto tempo para falar da queda do muro de Berlim? Ah, pronto, já está. Todo o cérebro político resume-se à actividade de repetir isso como um mantra. E está feito, mais uma posta de pescada nas redes sociais..


    • Cimeira da Lages, 2003. A pretexto da falsa ideia de que o Iraque tinha armas de destruição massiva, o que se fez? Começou-se uma política belicista (interminável) de agressão e ocupação do Médio Oriente. Aliás, em flagrante violação dos princípios fundamentais do direito internacional e da Carta da ONU, mas é melhor nem falar nisso. A política assassina dos EUA e da UE, apoiada pelas monarquias do Golfo e expressa através da intervenção militar e do fornecimento de armamento, provoca uma onda de insegurança e destruição de Estados como o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria e o Iémen, entre outros.

      A consequência? É a desestruturação destes países, outrora estáveis, em territórios sem lei. Destruiu-se a economia desses paises, as suas sociedades, extinguiram-se sistemas políticos eaparelhos de segurança e de defesa, deixaram-e os Povos à mercê dos crimes de grupos terroristas e redes de tráfico humano de todo o tipo e levou ao aumento de vários milhões de refugiados, num quadro de retrocesso social e civilizacional, eventualmente sem paralelo. A ascensão do IS não pode ser vista como um “fenómeno cultural”, como diz o Miguel. Embora seja quase cómica essa visão básica. Tipo, os americanos gostam de basebol e os islâmicos preferem explodir-se em estações de metro.. E quanto ao JPinto, o que este post diz é PRECISAMENTE que a culpa não é dos outros. É a desintegração de um modelo económico e social que está a accontecer à frente dos seus olhos. O nosso! Ou seja, aquele em que estamos integrados. Os terroristas em bruxelas ou paris são cidadãos belgas, franceses, isto é, da UE. Quando se fala em combater o terrorismo, é bom que se perceba que eles são Europeus. É o colapso total de um modelo. E as respostas ao terrorismo que têm sido dadas por um sistema político europeu em declínio, só têm tido o condão de aumentá-lo.

      Como se tem visto.

      • Miguel says:

        Fernando, também podia adjetivar a sua visão, mas prefiro manter o nível, obrigado. Esta ascensão do terrorismo não é nada mais que a jihad, que estes mesmos terroristas tanto tem apregoado. A jihad tem origem num texto religioso chamado alcorão, não surgiu em nenhum tratado de Economia, que eu saiba. É um facto histórico-cultural.
        NÃO foi a invasão do Iraque que reacendeu a jihad e despoletou esta sequência de atentados. Os atentados de 1998 no Quénia e na Tanzânia e os atentados às torres gémeas em 2011 ocorreram antes da invasão do Iraque. É um facto histórico.
        Refere a falência do modelo social e económico vigente. Eu prefiro falar em falência do modelo multiculturalista. Este modelo que preserva o multiculturalismo, sacrificando valores nobres como o feminismo e o secularismo (ao permitir que miúdas com 12 anos de idade andem na rua tapadas com um véu, por ventura, obrigadas pelo pai) revela o quão baixo podemos descer, mas também como o espaço político da esquerda se deixou apoderar por estas cinderellas do multiculturalismo.
        Compreendo cada vez melhor os milhares de franceses oriundos do PCF e PS, e que hoje em dia são militantes/simpatizantes da FN de Marine Le Pen.

  2. joão lopes says:

    os gangters que se rebentaram ontem nasceram na europa.qual a relação com o islão? ou o catolico al capone quando matava gente,tambem era por Deus? Era e é pelo unico deus vivo:o dinheiro ,aqui como no…Brasil,onde um juiz pode tudo,desde que o seu interesse politico/financeiro seja bem acautelado.alias no Brasil,os tele envangelistas tambem propagam a cultura do odio.

    • Rui Silva says:

      João Lopes, tem razão Europa é uma região, e Islão é uma religião ! já sabia , não é uma grande descoberta!
      Grande descoberta e que essa não sabia, é que os indivíduos que se fizeram explodir, o fizeram por dinheiro ! Grande reflexão…

      cps

      Rui Silva

      • joão lopes says:

        pelo teor dos seus comentarios,se percebe,que tambem você só pensa em dinheiro,e a maneira de ficar com ele todo.

        • Rui Silva says:

          Pelo teor dos seus comentários se percebe que você não pensa muito !
          Comparar um jihadista com um criminoso como Al Capone é no mínimo risível.
          Para que você não tenha que fazer esse esforço tremendo, que é pensar eu explico-lhe:
          1) Um jihadista não admite que você viva da maneira que você melhor entenda. Ele que impor-lhe um estilo de vida, quer que o nosso direito penal seja substituído pela Sharia.
          2) O Al Capone fornecia bebidas alcoólicas ás pessoas que estavam legalmente impedidas de o fazer por via da Lei Seca instituída nos EUA em 1920.

          A sua sorte meu caro é estar no Ocidente, que lhe permite ter essa liberdade mesmo que seja para defender culturas que caso alguém diga que deixou o Islão é de imediato executado.
          Mas deixe lá que eu até já vi mulheres a defenderem o Islão, por isso, você não é do mais bizarro.

          cumps

          Rui Silva

          • joão lopes says:

            tá a ver como voce só responde a comentarios maniqueistas,como o meu sobre o al capone.ou seja,basta uma boca populista/demagogica e voce caiu que nem um patinho.aconselho-o a pensar antes de responder.

          • Rui Silva says:

            Caro João Lopes, o seu comentário:

            “os gangters que se rebentaram ontem nasceram na europa.qual a relação com o islão? ou o catolico al capone quando matava gente,tambem era por Deus? Era e é pelo unico deus vivo:o dinheiro ,aqui como no…Brasil,onde um juiz pode tudo,desde que o seu interesse politico/financeiro seja bem acautelado.alias no Brasil,os tele envangelistas tambem propagam a cultura do odio”

            afinal, não exprime a sua opinião(ainda bem!).

            Estes seus comentários/bocas que você próprio classifica de populistas/demagógicos, são afinal só para apanhar o Rui Silva.

            Fico duplamente contente,
            1º )por não exprimirem a sua opinião.
            2º) pela importância que me dá , aqui consubstanciado no trabalho de escrever comentários só para me ” apanhar “.

            Em relação ao seu valioso conselho (não precisava de se incomodar, mas fico sensibilizado e agradecido) , nunca me tinha lembrado disso , mas agora vou adoptar esse seu valioso ensinamento de pensar antes de responder.

            Mas confesso que estou confuso
            No seu primeiro comentário diz-me que:
            “pelo teor dos meus comentários … só pensa…”, ou seja tirou conclusões com base de que os meus comentários exprimem aquilo que eu pensei.
            No seu segundo comentário diz-me que:
            “aconselho-o a pensar antes de responder”.
            Fica a questão, como formou opinião no primeiro comentário, se eu respondo sem pensar ?

            Já agora como é que você assume o seu próprio conselho ?
            Deixe-me adivinhar:
            ” penso num comentário e depois escrevo outra coisa qualquer diametralmente oposto aquilo que eu penso.”
            Que é para os apanhar!

            Enfim…

            cps

            Rui Silva

          • joão lopes says:

            eu gosto é de os apanhar…nas curvas.

  3. jpfigueiredo says:

    Ao leitor Miguel, que se sente “enojado” com a atribuição da responsabilidade pela degenerescência axiológica do mundo actual ao capitalismo, mas que não adjectiva a visão do leitor Fernando para “manter o nível”, sugiro que faça um esforço para subir de nível. para chegar ao primeiro nível, pode começar por avaliar a resposta concedida pelo Ocidente ao 11 de Setembro, confrontá-la com a relevância que se concedeu aos ataques da jihad aos pretos no Quénia e na Tanzânia e perguntar-se pelo papel que o imperialismo americano vem desempenhando na gestão dos equilíbrios geoestratégicos a nível planetário em décadas sucessivas de colonização. Se conseguir fazer um balanço negativo, já avançou qualquer coisa e pode de novo subir de nível: o que defendem os EUA e os seus parceiros com essa forma de posicionamento e intervenção desastrosa no mundo? Para passar ao nível 3 precisa de verificar que aquilo que os EUA defendem é a sua hegemonia económica e o seu modelo capitalista liberal expansionista que se sobrepõe a todo e qualquer conceito de cultura e de soberania. Já no nível 4, verificará que a radicalização que agora observa um pouco por toda a parte, e que parece atingir o paroxismo com estes ataques ao que o Miguel chamaria a liberdade ocidental, não só se constrói com as armas do capitalismo como se alimenta dessas políticas repressivas e de exclusão praticadas desde a Ásia, passando pelo Médio Oriente, à América latina. Parabéns! Chegou ao nível 5. Pode agora tentar responder à seguinte pergunta: que lugar ocupam o petróleo e as armas no motor da economia norte-americana? Cambota, bielas ou pistão?

    • Miguel says:

      Adjetivar é uma forma matreira de fugir ao cerne das questões. Eu como não sou matreiro, preferi não fazê-lo. Ok, eu alinho nesse seu jogo com todo o gosto. Posso-lhe adiantar que perdi e fiquei logo encalhado no primeiro nível. É perfeitamente compreensível que a relevância dada aos ataques de 11 de setembro tenha sido superior à que foi dada aos ataques do Quénia, foi proporcional ao número de mortes, em Nova Iorque foi 15 vezes superior. Quanto à questão do imperialismo americano, dou graças a ele. O imperialismo americano ao longo de décadas foi o tampão que travou um imperialismo bem mais pestilento e macabro, o soviético. Sou um indivíduo pragmático e opto pelo mal menor, e o capitalismo com todos os seus defeitos, mas também com todas as suas virtudes, de todos os sistemas existentes é o que garante mais justiça, mais liberdade e mais igualdade de oportunidades. Não é à toa que os países mais desenvolvidos a nível mundial, são países com tradição política liberal social ou social-democrata de terceira via.

      • Nascimento says:

        A social-democracia de terceira via deu cá um “desenvolvimento” europeu que é de bradar. Está á vista! Olhó Swaps fresquinho! Olha as PPPs lindas!! Ó Tony, anda aqui ao tasco que há um palhaço SOCIAL DEMOCRATA “pragmático” como tu…
        Ele até primeiro deixa ” ENTRAR” ( devagarinho, e com esforço…) depois, ( QUANTO TEMPO DEPOIS?), põe a ANDAR a corja de miseráveis parasitas refugiados, que vêm para a “sua” europa civilizada comer á borla e andar de lenço na cabeça ( como a avó do asno Miguel andava)…!
        Que tal o raciocínio do Miguelito? um cínico pleno de ranço. E para merdosos destes… EU ADJETIVO! AI NÃO…

  4. jpfigueiredo says:

    Ainda bem que continua a achar que vive no melhor dos mundos e que gosta do imperialismo se for americano, depois não se queixe se lhe continuarem a rebentar bombas no colo. Ainda bem que gosta de boas piadas, essa do capitalismo ser “dos sistemas existentes […] o que garante mais justiça, mais liberdade e mais igualdade de oportunidades” é simplesmente genial. Lamento é que baralhe o capitalismo com liberalismo social “ou social-democrata” e meta a “terceira via” onde não é chamada. Porque mostra que não percebe nada de História nem de política e que confunde o aríete com o travão.

    • Miguel says:

      Eu não estou a confundir coisíssima nenhuma. Fiz uma associação perfeitamente válida. Quer o liberalismo social e a social-democracia de terceira via aceitam e defendem a existência de um sistema capitalista regulado. E depois eu é que não percebo nada de História e Política! Não sei qual é o seu problema com a terceira via, ela existiu, existe e continuará a existir, por muito que isso lhe custe.


  5. O epílogo do Capitalismo e o regresso à Idade Média.

    • Rui Silva says:

      Concordo, será o paralelismo perfeito com o império romano. Caiu e seguiu-se a idade das trevas,

      Rui Silva

  6. jpfigueiredo says:

    O modelo de desenvolvimento nórdico, ou dos “países mais desenvolvidos a nível mundial” que refere, não tem nada a ver com a terceira via do Giddens e do Blair, que apenas procura abastardar a social-democracia e legitimar o capitalismo sem freio. Também o chamado liberalismo social tem pouco a ver com a verdadeira social-democracia, de extracção socialista e igualitária. E postular virtudes ao capitalismo, que é por natureza acéfalo, como se fosse um sistema político ou um ser dotado de moral, é verdadeiramente fenomenal!!! Gosto também do exotismo da ideia de regular o capitalismo, sobretudo numa altura em que desembestou e que é ele que regula o Estado… Enfim, obrigado pelo batido de conceitos que apresenta e pela concepção endrominada da realidade.

  7. Miguel says:

    Consultem o top 10 dos países com idh mais elevado e contem o número de países nórdicos, são apenas dois. O primeiro lugar da Noruega muito se deve ao petróleo. Quanto à Dinamarca, é o país que precisamente sob a alçada de um governo social-democrata institui a chamada flexisegurança que consistiu na desregulação das leis do trabalho combinada com apoios ao desemprego, políticas de carácter claramente centrista, que foram consolidadas depois pela social-democrata Thorning-Schmidt. Se acham que isto é social-democracia clássica, então estão muito enganados.
    Nascimento, não te vou dar o que queres, prefiro mais uma vez manter o nível.
    Passem bem.

    • Nascimento says:

      Podes “dar” o que quiseres. O problema é teu. Quanto ao nivel, Leó Ferré tinha uma frase lapidar, para adjectivar rançosos “pragmáticos” como tu!
      Mas, não te digo qual, pois isso, era rabiscar e dialogar com merdosos fachos disfarçados de democratas.
      Para gajos como tu só há calão e do mais purinho…LARGUEZA!

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