Mick Jagger em Havana

A lenda daquele falseto divinal em “Emotional Rescue” arrastou meio milhão de cubanos no histórico concerto realizado ontem à noite em Havana, no corolar de uma semana inesquecível na capital cubana, simpatias pela figura de Fidel à parte. Se na primeira parte do show, Obama não convenceu o “Castro” mais novo (peço imensa desculpa por ter que catalogar desta forma a sombra do seu irmão Fidel) quando este esperava seguramente que o presidente Norte-Americano levantasse finalmente uma ponta do véu do embargo vigorante sobre o país (a todos aqueles que enchem a boca para criticar o regime cubano, pergunto sempre como seria a vida no nosso país se estivesse sob embargo económico de 75% dos países mundiais; decerto que não seríamos capazes de sobreviver), resumo apenas a visita do presidente Norte-Americano como um passo histórico sim, cheio de danças, show-off, promessas opacas e vazios de conteúdo, quando Castro esperava algo mais, dado que é peremptória a assumpção entre o regime de que este economicamente terá que ter alguma abertura (controlada, obviamente) ao investimento privado externo. De nada valeram para já as intercessões negociadas pelo Santo Mujica e pelo Papa Francisco.

rolling stones

A medo um público, cujo feed de alguns dos cubanos entrevistados pelos enviados dos órgãos de comunicação social nacional foi “um dia fui preso por ter o LP da Satisfaction”, “finalmente posso morrer aos 20 anos”, conseguiu abrilhantar uma festa que pecou apenas por conhecimento das letras de algumas músicas.

Jagger ao seu estilo rebelde do antigamente, saiu fora da caixa para falar em fluente castelhano durante todo o concerto e para alvitrar que “existem ventos de mudança” naquela ilha, palavras que foram recebidas com os maiores dos gáudios por parte do povo presente. Jagger safou-se bem e o regime perdoou a simpática afronta. Conta-se nos meandros da coisa que os membros da banda já não se suportam há anos, vivendo vidas bem distantes umas das outras. Jagger tem vindo nos últimos anos a desenvolver pouco paleio para com o público nos concertos da banda e nos concertos em Portugal (tanto em Coimbra, concerto que presenciei como no Rock in Rio, o sedutor vocalista britânico da língua de Camões pouco se interessou a não ser para dizer por exemplo, que “Portugal iria ganhar a Copa do Mundo” desse ano.

Comments

  1. Luzardo Ramos says:

    Os Comunistas não são contra o Capitalismo? Deveriam gostar de 75% dos países do mundo não praticarem Capitalismo com eles.


    • Não, os comunistas não são e nunca serão contra as trocas comerciais desde que tragam qualidade de vida às pessoas.

    • Hélder P. says:

      Por favor não confundir capitalismo com comércio. O comércio existe desde os primórdios da civilização humana e não é exclusivo de nenhum modelo ideológico.
      O capitalismo é um modelo no qual o comércio é desregulado de tal modo a favorecer a acumulação de capital para gáudio de uma minoria. O capitalismo depende do comércio, mas o comércio já existia há muito e continuará a existir sem este.


      • Assertivo Hélder P 🙂 Os primeiros grandes comerciantes da Antiguidade. Segundo a teoria dos sistemas económicos desenvolvida por Marx, os Fenícios enquadram-se historicamente, tomando em conta o seu período de vigência de 1200 ac a 539 ac na época esclavagista, ou seja, segundo Marx, 20 séculos antes da acumulação prévia de capital, uma das condições\características do novo sistema que levou à destituição do velho sistema feudal pelo sistema capitalista.

  2. Luzardo Ramos says:

    Este Blog não fará nenhum comentário a respeito da última manifestação do Pacifismo Muçulmano realizada em Bruxelas ?