A Barbara Mandrell e o Acordo Ortográfico de 1990

THE OLD MAN: I am actually married to Barbara Mandrell in my mind. Can you understand that?

EDDIE: Sure.

THE OLD MAN: Good. I’m glad we have an understanding.

— Sam Shepard, “Fool for Love

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Poderíamos reproduzir (ou adaptar) esta conversa entre o Eddie (o Sam Shepard deixou-nos há poucas semanas) e o The Old Man (o Harry Dean Stanton deixou-nos hoje, soube há pouco pelo nosso António Fernando Nabais), com o AO90 a servir de Barbara Mandrell (coitada da Mandrell), da seguinte forma:

A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS NOVE DA RTP: Eu escrevo segundo o AO90. Percebe?

UMA PESSOA QUALQUER QUE TENHA LIDO E PERCEBIDO O AO90: Claro!

A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS 9 DA RTP: Ainda bem que estamos de acordo.

Para banda sonora, se não houver L’idiot, se não houver City of New Orleans e se não houver os meus dilectos Ao Soldado Desconfiado ou The Phoenix, então pode ser o Comboio  ou então o Noutro Lugar. Não escolham o Depois de ti, mais nada, sff. Obrigado. Adaptações?  Start Me Up é fixe, mas prefiro Love Removal Machine.

Agora, vamos àquilo que interessa:

 

Mick Jagger em Havana

A lenda daquele falseto divinal em “Emotional Rescue” arrastou meio milhão de cubanos no histórico concerto realizado ontem à noite em Havana, no corolar de uma semana inesquecível na capital cubana, simpatias pela figura de Fidel à parte. Se na primeira parte do show, Obama não convenceu o “Castro” mais novo (peço imensa desculpa por ter que catalogar desta forma a sombra do seu irmão Fidel) quando este esperava seguramente que o presidente Norte-Americano levantasse finalmente uma ponta do véu do embargo vigorante sobre o país (a todos aqueles que enchem a boca para criticar o regime cubano, pergunto sempre como seria a vida no nosso país se estivesse sob embargo económico de 75% dos países mundiais; decerto que não seríamos capazes de sobreviver), resumo apenas a visita do presidente Norte-Americano como um passo histórico sim, cheio de danças, show-off, promessas opacas e vazios de conteúdo, quando Castro esperava algo mais, dado que é peremptória a assumpção entre o regime de que este economicamente terá que ter alguma abertura (controlada, obviamente) ao investimento privado externo. De nada valeram para já as intercessões negociadas pelo Santo Mujica e pelo Papa Francisco.

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A revolução do rock'n'roll existiu mesmo?

O leitor do Aventar vai a passar em frente de um edifício e sabe que no seu interior estão, em boa e pacífica convivência, nomes como Jimi Hendrix, John Lennon, Amy Winehouse, Beatles, Tina Turner, Little Richard, Rolling Stones, Mick Jagger, Kurt Cobain, Bob Dylan, Morrisey, etc. Que faz o nosso leitor? Entra?

Eu entrava, se estivesse em Nova York e passasse em frente ao Museu de Brooklin, onde, até ao fim deste mês, se encontra presente a exposição “Who Shot Rock & Roll: A Photographic History, 1955 to the Present” dedicada aos fotógrafos que acompanharam por dentro e por fora a história do rock & roll, gente que registou para a posteridade o Woodstock e Monterey, e andou tu cá tu lá com  Sex Pistols, Led Zeppelin, Kiss, Prince, Lou Reed, Elvis Presley, Janis Joplin, Frank Zappa e muitos outros.

Entre nuvens de fumos, alucinogénicos químicos e naturais, álcool a rôdos, pós de todas as proveniências e ressacas várias, é legítimo que se pergunte: a revolução do rock & roll existiu mesmo?

Existiu. As fotografias cá estão para o provar.

 

Música para o Inverno: Rolling Stones, Winter

And it’s sure been a cold, cold winter
And the wind ain’t been blowin’ from the south
It’s sure been a cold, cold winter
And the light of love is all burned out