Bilhete do Canadá – Pois…


Ontem houve reunião magna de patrões, no P & C da Fátima Campos Ferreira, para se tirar a limpo isso de haver ou não um clima de confiança no governo por parte do lado empresarial.  Pelo governo estava Caldeira Cabral, Ministro da Economia. Pelos políticos, apareceu Diogo Feio, deputado do CDS. E em representação da confederação dos patrões, deu um ar da sua graça o inevitável Saraiva.

2016-06-06 pros e contras

Diogo Feio, que olha por baixo como os touros manhosos, perdeu-se num mar de generalidades e banalidades com que pretendia denegrir o governo actual e branquear o anterior. O problema deste Diogo é que, visivelmente não tendo preparação para as profundezas técnicas e financeiras, fica sempre feio. Por fora e por dentro. Todo ele é ódio, ressabiamento.

Saraiva, que é um trabalhador reciclado em patrão, tendo por isso o fanatismo dos cristãos novos, ia anuindo em meio sorriso agradado, mas prudente, mais esperto do que o Feio, sempre a ver para onde soprava o vento.

De repente, Fortunato, um industrial do calçado pegou num pedregulho e desalinhou o formigueiro. Enunciou a sua filosofia empresarial: poupar para investir, trabalhar para ganhar e dividir, e nada disso de estado a dar dinheiro, a contar apenas com os seus meios. Foi assim que fez um pequeno e próspero império. Mas confessou um problema: ganhar mais dinheiro para quê, se não há banco de confiança onde guardá-lo? Fortunato foi claro: há desconfiança, não no governo, mas na banca. E atirou para os lados do Feio que aquele deputado era como os outros, disse uma coisa ontem, diz outra coisa hoje,  tanto faz que governe João como Manel.

(Grande Fortunato!  Era ali a voz do povo que “eles” julgam parvo. Com aquela lógica imbatível de quem não faz batota com a vida nem consigo. Lembrei-me dum emigrante que encontrei num comboio de Paris para Lisboa, em vésperas de Natal, já lá vão mais de 50 anos. O Francisco, assim se chamava ele, era alfaiate na Beira Baixa e foi para França dar serventia a pedreiro. Eu quis saber porquê. Ele foi claro: “Os homens da minha terra emigraram todos e eu fazia fatos para quem?”).

Foi ali dito por outro empresário que o Ministério da Economia está a preparar o país para a 4ª Revolução Industrial. Caldeira Cabral confirmou e informou que, dentro de alguns dias, serão divulgados os nomes das empresas, nacionais e estrangeiras, que se candidataram a investir em Portugal.  Disse isto naquele jeito modesto e discreto a que nos habituou.  Mas saiu-se da casca quando, olhando o Feio de frente, acusou certos sectores políticos de lançaram a desconfiança, a suspeição e a calúnia.

No final, o Saraiva estava mais descontraído.  Mas as 35 horas semanais estão-lhe trancadas na garganta.

Depois veio a grande notícia do dia: a empresa de construção Mota Engil contratou Paulo Portas para organizar um gabinete de expansão internacional. Portas apressou-se, através dos perdigueiros que tem na comunicação social, a jurar que não há conflito de interesse. Claro que não. Toda a gente sabe que ele é dono duma grande fortuna pessoal e, portanto, pagou do seu bolso todas as viagens às Américas e  às Áfricas, assim como os almoços e jantares com empresários e ricaços locais.  Não deve os amigos e os contactos que tem ao contribuinte português. Ora, não sabendo ele nada de engenharia nem de gestão, é óbvio que a Mota Engil quer valorizar as viagens do rapaz. Ele a Maria Luís são dois inocentes.  Eu diria mesmo que estes pobres diabos parecem duas virgens num desfile de vadias.

Comments

  1. anónimo says:

    Há Prós e há Contras, há Feios e há Vigaristas, há Portas e há Corruptos. Nem toda a deficiência é visível.
    Caberia à comunicação social pública, de forma imparcial, informar e debater, mostrar quando “o rei vai nu”.
    Numa televisão às ordens da extrema direita, só em directo, de surpresa, é que a verdade vem ao de cima.
    A Fátima Campos Ferreira foi incapaz de calar as criticas, feitas por gente insuspeita, aos canalhas que nos governaram; nem calar os elogios, feitos pelos mesmos, à geringonça.

  2. O governo já fez alguma coisa para mudar o paradigma reaccionário da RTP?
    O governo não ofereceu agora um tacho na CGD à sanguinária Leonor Beleza?
    Alguém se acredita que ela vai trabalhar pro bono?
    E a pedra no sapato chamada Sócrates?
    E a pedra no sapato chamada Jorge Coelho?
    E a pedra no sapato chamada Luis Amado?
    O governo não admite que o fascista José Rodrigues dos Santos insulte a seu belo prazer a inteligência dos portugueses e todos aqueles que lutaram pela liberdade?
    O que distingue Costa, Santos Silva e outros servilistas de Sócrates da direita reaccionária?
    Já depois da posse,o governo não ofereceu de mão beijada um tacho ao filho de João Soares na Câmara de Lisboa, sem concurso público?
    Costa não quis isentar de taxas um clube de futebol?
    Já repararam que os comentadores de extrema direita continuam todos na RTP pagos pelo erário público?
    Costa não anunciou já que vai apoiar Rui Moreira no Porto?
    Não precisa de auscultar o partido? É à moda da Coreia do Norte? Ele é o querido líder?
    Eu digo. É igualzinho ao Coelho e ao Portas. Um chulo da política que se vai arrastando no tempo e quando sair vai fazer a mesma coisa e sabem porquê?
    Porque nunca fez nada na vida a não ser política.

  3. As 35 h estão na garganta de toda a gente menos nas dos beneficiados. 35 para todos já!

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