Que país?

 

“Se o governo estivesse mais liberto do peso da esquerda o país ganharia.” – António Saraiva, presidente da CIP (2018)

“A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor.” – Luís Montenegro, PSD (2014)

Chorai, miseráveis!

e contemplai o Céu em adoração!

Um Eldorado negro chamado CETA

A isto se chama vender banha da cobra. Como Presidente da Confederação Empresarial de Portugal, não admira que António Saraiva anuncie o CETA como uma “Oportunidade de ouro para a economia – usando a cassete gravada pela UE para fazer uma ode ao Acordo de Comércio entre a UE e o Canadá.

Paleio para enganar tolos, já que até mesmo nos dois estudos de impacto de referência, produzidos ou encomendados pela UE, os efeitos do CETA em termos de PIB são mínimos: aumento de 0,77 % do PIB no Canadá e de 0,08 % na UE (segundo o Joint Study da Comissão Europeia e do governo do Canadá de 2008) ou de 0,02 – 0,03% na UE e 0,18 – 0,36% no Canadá (segundo o Trade Sustainability Impact Assessment (SIA) de 2011). Além destes efeitos residuais, ficou claro neste último estudo que o CETA leva a um agravamento das disparidades salariais. [Read more…]

António Saraiva, o perturbador social

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Em Maio, perante o anúncio da CGTP, que se preparava para uma “semana de luta”, António Saraiva afirmou, aos microfones da TSF, que não era “pela conflitualidade, pela greve, pela perturbação social” que se resolviam os problemas dos trabalhadores. A resposta estava no diálogo.  [Read more…]

Bilhete do Canadá – Pois…

Ontem houve reunião magna de patrões, no P & C da Fátima Campos Ferreira, para se tirar a limpo isso de haver ou não um clima de confiança no governo por parte do lado empresarial.  Pelo governo estava Caldeira Cabral, Ministro da Economia. Pelos políticos, apareceu Diogo Feio, deputado do CDS. E em representação da confederação dos patrões, deu um ar da sua graça o inevitável Saraiva.

2016-06-06 pros e contras

Diogo Feio, que olha por baixo como os touros manhosos, perdeu-se num mar de generalidades e banalidades com que pretendia denegrir o governo actual e branquear o anterior. O problema deste Diogo é que, visivelmente não tendo preparação para as profundezas técnicas e financeiras, fica sempre feio. Por fora e por dentro. Todo ele é ódio, ressabiamento.

Saraiva, que é um trabalhador reciclado em patrão, tendo por isso o fanatismo dos cristãos novos, ia anuindo em meio sorriso agradado, mas prudente, mais esperto do que o Feio, sempre a ver para onde soprava o vento.

De repente, Fortunato, um industrial do calçado pegou num pedregulho e desalinhou o formigueiro. [Read more…]

O predador que fala

Se eu fosse um desempregado a morrer de fome, tenho a certeza absoluta de que preferiria um emprego mal pago à morte por inanição, porque o mau, como é evidente, será sempre melhor do que o péssimo.

Não se pode condenar, portanto, o indivíduo que, diante das circunstâncias, opta por uma vida um pouco menos miserável, se é isso que a vida ou o país ou os dois têm para lhe oferecer.

Contudo, enquanto, num país, houver um único cidadão que esteja limitado a escolher entre a frigideira e o fogo, é o país que está a falhar. Se essa situação se multiplica, estamos a falar de um país falhado.

Há uns anos, escrevi sobre enfermeiras que trabalharam a troco de comida (houve quem chamasse a isso empreendedorismo); mais recentemente, espantei-me com o empreendedorismo da exploração de outros enfermeiros; pelo meio, comentei os elogios dirigidos a um menino muito empreendedor.

António Saraiva, ao defender que é preferível a precariedade ao desemprego, confirma o seu papel de macho alfa no bando de bestas quadradas que chamarão empreendedorismo ao acto de tentar encontrar comida no meio do lixo.

Um território dominado por predadores desta estirpe será sempre uma selva. Sociedade e civilização são conceitos diferentes.

Momento Lili Caneças

Segundo António Saraiva, da CIP, o mau é melhor que o péssimo.

A falsa dicotomia de António Saraiva

UPNRS

Sobre a entrevista da António Saraiva à Diário Económico, deixo-vos com esta reflexão encontrada n’Uma Página Numa Rede Social:

Mais vale ter trabalho precário do que desemprego”, diz António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa – uma espécie de sindicato dos patrões -, hoje, ao Diário Económico.
Todo um programa nesta frase, sem a mínima inocência. Fica bem patente a intenção de aproveitar a miséria dos trabalhadores, a tentativa de nivelar por baixo, a exploração desavergonhada da precariedade.
É um dos mantras do modelo de sociedade darwiniana que a Direita defende, onde impera a lei do mais forte, onde é cada qual por si, e que resulta num punhado de multimilionários a sujeitar milhões de trabalhadores às regras que só beneficiam a minoria, numa óbvia subversão do valor mais elementar das sociedades democráticas modernas: a defesa do bem comum.
Pela mesma lógica, mais vale trabalhar por comida do que não trabalhar. Ou trabalhar apenas para melhorar o currículo.
E, enquanto a Direita aplaude, o país acaba com um mar de pessoas que trabalham várias horas acima da média europeia, ganhando menos de metade da média europeia. Essa foi, aliás, a tendência a que o mercado de trabalho português assistiu nos últimos anos.
A falácia argumentativa de António Saraiva chama-se “falsa dicotomia”, e consiste em apresentar um problema com o errado pressuposto de que ele só tem uma de duas soluções – neste caso, a precariedade ou o desemprego.
Não, estas não são as duas únicas soluções para o problema do desemprego. A verdadeira questão, social e intelectualmente honesta, passa por determinar se mais vale ter um trabalho condignamente pago ou estar desempregado. E reparem como António Saraiva descarta, logo à partida, a hipótese do trabalho condignamente pago.
Essa desconsideração pelo salário digno é tão reveladora do que o presidente da CIP realmente pretende, não é?

Fotomontagem extraviada de Uma Página Numa Rede Social

A intolerância pica o ponto

Ainda a propósito de uma tarde de tolerância de ponto, referi o patrão dos patrões, António Simões, um homem que veio do grupo Mello esse grande beneficiário das parcerias público-privadas em particular na área da saúde. À porta do FMI não teve pejo em fazer queixinha, que não podia ser, era uma vergonha, devia estar tudo a trabalhar, etc. etc.

Apesar das críticas públicas à iniciativa do Governo, enquanto empresário António Saraiva foi ainda mais longe ao dar tolerância de ponto aos seus funcionários que ontem não trabalharam durante todo o dia. Confrontado pelo PÚBLICO, o patrão dos patrões acabou por confirmar que tinha dispensado todos os seus funcionários. “Dei tolerância de ponto, porque acabo por ter ganhos em termos energéticos e de transportes. Se não fosse assim, não teria dado”, justificou, para acrescentar: “A actividade privada fará de acordo com a avaliação empresarial; a actividade pública tem responsabilidades”.

São estes os nossos gestores de topo. É esta a coerência dos que vivem encostados ao estado, dele e dos seus funcionários tudo exigindo. Em troca, em média um terço das empresas portuguesas declara ter tido prejuízo, e dois terços não pagam IRC. É por causa desta gente que estamos como estamos. O resto são mentiras.