Férias escolares [Debate Manifesto Escola Pública]


Na sequência do manifesto assinado por vários blogues a 21 de Junho, ficou decidido que tentaríamos todos os meses debater um assunto lançado a partir do ComRegras. Em Julho vamos debater as férias escolares.

Iria dividir esta intervenção em duas partes – uma inicial onde colocarei questões “fora da caixa”, que questionam a própria realidade e uma outra onde irei, no contexto actual, apontar algumas ideias.

A primeira questão que deverá ser colocada é se o calendário escolar pode ser definido em função das crianças e não em função das famílias ou dos interesses turísticos / religiosos?

Deveria ter em conta o clima?

Poderia haver uma calendário diferente para o Pré-Escolar, um outro para o básico e até um diverso para o secundário?

São ou não diferentes os ritmos de aprendizagem e de desenvolvimento de cada um de nós, em diferentes momentos da vida?

Para um jovem do Ensino Secundário, às portas da idade adulta poderá ser “normal” estar sentado durante 90 minutos, mas creio que qualquer um percebe a impossibilidade de isso acontecer com crianças do Jardim de Infância. Por outro lado, creio que o calendário escolar deve ser pensado também em função da realidade climática do país – parece-me que no Algarve ou no Alentejo o “verão” será maior do que no resto do país, bem como o Inverno em Bragança ou na Guarda…

Diria, pois, que a primeira conclusão é simples: os alunos têm que ser o centro do debate do Calendário Escolar e parece-me que as pausas deverão ser menores e mais frequentes nos mais pequenos, aumentando a duração e diminuindo a frequência nos mais velhos. E, a esta análise terá que se juntar a diversidade climática das nossas regiões.

No que diz respeito à realidade exigente, um estudo da Comissão Europeia (pdf), faz uma abordagem interessante ao tema levantando alguns dados que merecem ser vistos.escola_europa

Olhando apenas para a realidade que temos, diria que estamos a falar das férias de verão – parte de Junho e de Setembro e os dois meses de Julho e Agosto, da pausa do Natal e da Páscoa (duas semanas cada). Penso que o ajustamento mais óbvio será o da pausa da Páscoa – não seria a Páscoa (volante) a definir a pausa, mas deveríamos considerar o ano lectivo dividido em três partes “iguais”:

  • 1º período: meio Setembro, Outubro, Novembro e meio Dezembro;
  • 2º período: Janeiro, Fevereiro, Março;
  • 3º período: Abril, Maio, Junho.

Mas, seja lá qual for a forma de pensar o calendário, haverá sempre a necessidade de o cruzar com as necessidades familiares, embora estas não possam ser mais importantes que as necessidades dos jovens. Assim, deveremos pensar um calendário escolar adaptado às crianças e aos seus ritmos, considerando a realidade climática local. Depois, se estas opções gerarem necessidades familiares, então cabe ao estado contribuir para a sua satisfação. E esse Estado será o quê? As escolas ou as autarquias? Ou?

Comments

  1. Afonso Valverde says:

    Excelente ideia. A escola deve ser discutida sim no interesse das crianças e da sua aprendizagem. Importante ter presente as questões da crono-bio-psicologia para uma escola eficiente.
    A escola também deve centrifugar os interessas dos professores para além daqueles que são o seu dever-Ensinar, e cooperar na organização do Ensino.

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s