Férias escolares [Debate Manifesto Escola Pública]

Na sequência do manifesto assinado por vários blogues a 21 de Junho, ficou decidido que tentaríamos todos os meses debater um assunto lançado a partir do ComRegras. Em Julho vamos debater as férias escolares.

Iria dividir esta intervenção em duas partes – uma inicial onde colocarei questões “fora da caixa”, que questionam a própria realidade e uma outra onde irei, no contexto actual, apontar algumas ideias.

A primeira questão que deverá ser colocada é se o calendário escolar pode ser definido em função das crianças e não em função das famílias ou dos interesses turísticos / religiosos?

Deveria ter em conta o clima?

Poderia haver uma calendário diferente para o Pré-Escolar, um outro para o básico e até um diverso para o secundário?

São ou não diferentes os ritmos de aprendizagem e de desenvolvimento de cada um de nós, em diferentes momentos da vida?

Para um jovem do Ensino Secundário, às portas da idade adulta poderá ser “normal” estar sentado durante 90 minutos, mas creio que qualquer um percebe a impossibilidade de isso acontecer com crianças do Jardim de Infância. Por outro lado, creio que o calendário escolar deve ser pensado também em função da realidade climática do país – parece-me que no Algarve ou no Alentejo o “verão” será maior do que no resto do país, bem como o Inverno em Bragança ou na Guarda…

Diria, pois, que a primeira conclusão é simples: os alunos têm que ser o centro do debate do Calendário Escolar e parece-me que as pausas deverão ser menores e mais frequentes nos mais pequenos, aumentando a duração e diminuindo a frequência nos mais velhos. E, a esta análise terá que se juntar a diversidade climática das nossas regiões. [Read more…]

O caso do pai que abortou os filhos na escola

carga horaria

Os colégios internos sempre foram uma boa solução para pais que não estão para aturar os filhos. Mas há poucos, e são caros.

Para democratizar o acesso ao sossego paterno e à tranquilidade materna, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascensão, teve uma ideia: aulas 11 meses por ano. É a chamada massificação da irresponsabilidade parental, ou da estupidez, como preferirem.

Nesta fase os pais ainda fariam o sacrifício de manter os filhos em casa à noite e fim-de-semana, dadas as dificuldades económicas que o país atravessa, mas poderia iniciar-se a reivindicação seguinte, os dormitórios escolares, a que se seguiria um calendário escolar flexível, em que cada aluno gozasse de férias em data coincidente com as do agregado, porque há que manter algum contacto com as crianças, não vá alguém esquecer-se do nome das crias.

Abortadas as criaturas nas escolas, em Portugal que já tem das maiores cargas lectivas e um sistema de férias absurdo onde dois períodos se dividem às ordens de um feriado móvel, o problema da natalidade resolvia-se num instante. Era tudo a fazer portugueses, o mais idiotizados possível.

Calendário Escolar 2013/2014

já é conhecido.

Calendário Escolar 2013/2014

Está publicado em Diário da República.

Concursos de Professores – alguém sabe as datas?

Depois da dúvida sobre a propriedade do Porsche, esta é a dúvida mais importante do momento.
O mês em que tudo se decide numa escola começou e do MEC, nada! Zero!
As direções não sabem quantas horas terão que atribuir a cada professor – os professores não sabem se vão ou não continuar na escola.
Do calendário escolar “ouviu-se falar” num projeto de despacho.
Mas, quanto ao resto, nada. Que disciplinas? Quantas horas? Que concursos? Quando?
Apetece perguntar, quantos colégios privados estão com esta dificuldade?
Quantos, num mês crucial para a preparação do ano letivo, estão nesta situação?
É cada vez mais evidente a matriz privatizadora deste governo. Mas, no caso da Educação usam uma estratégia assustadora – matam o serviço público de educação para “forçar” a mudança para o sistema privado.
Também foi assim na Argentina, até os argentinos terem corrido com o Banco Mundial e o FMI.

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Crato incompetente, brincalhão ou eficaz?

Não é fácil escrever sobre Nuno Crato.

As teorias comuns trazidas para os lugares televisivos do Medina Carreira levaram Nuno Crato, divulgador de Ciência, para um campo demagógico e mediático que permitiram a Nuno Crato, Ministro, ser uma coisa próxima do Ministro que todos queriam ter.

Tive sempre algumas dúvidas em relação aos comentadores que dizem o que “todos” querem ouvir e muitas mais ainda quando dizem, sobre o ensino da matemática, o contrário do que me mostra a experiência com os alunos.

Mas, isto tudo, para dizer que chego a esta altura sem qualquer tipo de desilusão. E por uma razão simples  – em relação ao Ministro Crato nunca tive qualquer tipo de ilusão.

E para levar o post do terreno da opinião para o pântano dos factos:

– o ano letivo terminou e ainda não se conhece o calendário escolar do próximo ano. Como é que se pode preparar um ano letivo, o próximo, sem o seu elemento mais estruturador?

– o ano letivo terminou, temos um para preparar e ainda não sabemos que disciplinas, nem tão pouco como se vão organizar (tempos, cargas horárias, semanais). Será que o MEC vai demorar muito tempo a divulgar este documento?

– as escolas ainda não sabem qual vai ser a oferta formativa que vão ter para o próximo ano. Temos alunos que não fizeram exames do 9º ano na expectativa de entrarem em cursos que agora as escolas não vão oferecer. O que vai acontecer a estes alunos?

Qualquer empresa faz um plano de trabalho a meses, a anos… Esta Mega- Empresa, o Ministério da Educação que é a “maior” empresa do país, despede pessoas que precisa, corta cursos que os alunos querem, deixa no vazio decisões que são urgentes…

E poderia trazer para cima da mesa mais exemplos, mas prefiro pensar por agora que não se trata nem de incompetência, nem de brincadeira: Nuno Crato está a fazer bem o seu trabalho de levar para o Privado os poucos portugueses que têm dinheiro para o fazer.

Eficaz. Sem dúvida.

Carnaval nas escolas

As relações laborais são reguladas pelo código do trabalho ou código laboral ou pacote laboral, seja lá o que lhe quiserem chamar. Há também contratos coletivos e no caso dos Professores há um documento  – o Estatuto da Carreira Docente – que é uma espécie de contrato coletivo para quem trabalha nas escolas públicas.

Um dos pontos (artigo 91º) refere-se às interrupções letivas, isto é, às paragens previstas no calendário escolar: momentos em que os alunos não têm aulas e que são quase sempre confundidas com férias de professores por quem anda menos atento.

E, para o ano escolar 2011/2012 o calendário escolar é claro – “Interrupção letiva entre 20 e 22 de Fevereiro de 2012, inclusive.” [Read more…]