Diário Económico a acabar


economico

Como seria de esperar, o Diário Económico deixou de produzir novos artigos (na versão on-line, a versão em papel já tinha parado há uns meses) – os últimos artigos foram publicados em 4 de Outubro. É de esperar que o site não dure muito mais, daqui a pouco tempo os milhares de artigos produzidos na versão on-line perder-se-ão.

As publicações em papel têm depósito legal, pelo que teremos sempre acesso a cópias, já para as versões digitais o caso é muito mais complicado. Projectos como o arquivo.pt ajudam a minorar o problema, mas nunca podem garantir a fidelidade da cópia e a abrangência da mesma.

Uma parte da nossa memória, desde fins do século passado, existe apenas em formatos digitais. Ao contrário do papel, que dura facilmente centenas de anos sem cuidados extraordinários, os meios digitais têm problemas em permanecer legíveis a longo prazo. As disquetes deixam de ficar legíveis, os CDs degradam-se, os discos rígidos deixam simplesmente de funcionar. Além disto ainda nos temos de preocupar com a preservação dos aparelhos de leitura do suporte digital – ainda consegue ler as suas disquetes de 5¼? – E até com o formato dos próprios ficheiros nos temos de preocupar – lembra-se dos processadores de texto dos anos 80? Como ler textos produzidos no Tasword e outros? – É necessário um esforço aturado e consciente para preservar a informação em formato digital.

Uma forma de resolver este problema seria termos um depósito legal digital. Em geral todas as publicações digitais deveriam ser convidadas a participar. Certamente todos os jornais, mas até, sem grande dificuldade, todos os blogs que quisessem participar e outro tipo de publicações. Podia-se até pensar tornar esta participação obrigatória para as publicações de referência, como já e obrigatório para as versões em papel.

deposito_legal

Em termos técnicos isto não é difícil de fazer. O custo para as publicações on-line seria muito pequeno, o custo para a entidade que mantivesse o arquivo, não é grande também. As publicações on-line apenas teriam de integrar no seu pipeline editorial esta operação que seria realizada de forma automática. Poderíamos até pensar em incluir neste arquivo as várias versões de cada artigo que é comum serem publicadas on-line.

O arquivo poderia ser acedido de forma livre a partir das bibliotecas que existem em todas as cidades. Quando o conteúdo deixar de ter direitos de autor, poderá estar disponível on-line de forma livre. Ninguém sairia prejudicado.

Sobre Helder Guerreiro

Mantenho o tretas.org, um wiki onde fazemos investigação e preparamos documentação para memória futura do que vai acontecendo em Portugal.

Comments

  1. Ricardo Ferraz says:

    Um exemplo é o Ciência Hoje! Um projecto muito interessante sobre ciência e neste momento é impossível ter acesso aos documentos por lá produzidos!

  2. Hoje em dia os direitos de autor são tão absurdamente longos que se calhar nem os netos dos meus netos poderão beneficiar de ver os textos do Diário Económico em domínio público.

    • Se pensarmos em períodos de centenas ou milhares de anos, o actual enquadramento legal dos direitos de cópia não é mais do que uma nota de rodapé. E sim, concordo consigo, os actuais prazos são ridículos.

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s