João José Cardoso (1959-2015)

Os 4052 posts do JJC.

O verdadeiro debate – Dueto Trump – Hillary

Transcrições completas dos dois debates presidenciais Clinton-Trump

1.º debate: 26 Set. 2016
2.º debate: 10 Out. 2016

Cruzei-me com os olhos da minha avó

Isto é por tua causa, João.

Hoje, fui felizmente obrigado a ir até à Rua de Santa Catarina (ou até Santa Catarina, como dizem os meus irmãos portuenses). A manhã estava luminosa, indecisa entre fria e quente. Fui até à Latina, comprei um livro e regressei, de costas para a Batalha. Estava como gosto de estar, com tempo. Como se fosse um turista sem a pressão das visitas guiadas, livre de mapas. À porta do Majestic, fui turista de turistas (já não deve faltar muito para que se organizem percursos de observação de turistas).

Precisava de tomar o segundo café, ler um bocadinho do jornal de ontem, continuar o livro, sentar-me. Ócio, o luxo obrigatório.

Pelo caminho, cruzei-me com uma velha conduzida por um casal. Estava a olhar para mim. Eram os olhos da minha avó. Não da mesma cor, não os mesmos olhos, antes o mesmo olhar, como é que isso se explica? Um certo desamparo, uma espécie de espanto infantil com a realidade, como se tivesse desaprendido tudo o que já soube. Os olhos da minha avó olharam para mim e não me estavam a acusar, talvez porque queira (eu ou ela?) limpar a minha consciência. [Read more…]

E o metro não conta?

No Prós & Contras, Fátima Campos Correia acabou de afirmar que, neste momento, só se chega ao aeroporto a pé. Rigor do melhor.

Táxis versus plataformas Uber/ Cabify /…

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Serviços iguais, transporte de passageiros, neste caso, devem ter regulamentação igual. Por isso, o projecto de lei das plataformas é um erro. Não se deve criar um novo contexto para as ubers, deve-se, isso sim, criar um enquadramento comum.

Neste lado a lado entre táxis e ubers, é notório que o negócio dos primeiros exige um investimento muito superior ao dos segundos. Dizem que o serviço da Uber é muito melhor do que equivalente em táxi. Talvez o seja, mas isso deve ter impacto na escolha dos clientes e não na produção legislativa. Esta deve ser neutra.

A verificação dos fatos

«O povo não come ortografia»

João José Cardoso

***

Ontem (aliás, hoje: eram 3h00 em Bruxelas), antes de Trump deixar a entender que, se chegar à Casa Branca, Hillary Clinton vai para a prisão, a candidata do Partido Democrata atrapalhou-se na pronunciação de ‘fact checking’ (verificação de factos). Provavelmente, depois de ler “agora facto é igual a fato (de roupa)”, Clinton teve um inesperado momento de insegurança, pois, durante alguns segundos, parecia um daqueles autores portugueses de One *Diretion:

So, once again, go to HillaryClinton.com. We have literally Trump — you can fat-check… fat-check… fact-check him in real time. Last time at the first debate, we had millions of people fact-checking, so I expect we’ll have millions more fact-checking, because, you know, it is — it’s just awfully good that someone with the temperament of Donald Trump is not in charge of the law in our country.

Pronto, JJC. Era isto. Olha, já agora, também era isto, isto e isto.

E isto

JJC, não foste tu, certo?

Então é assim João, tu foste para outras paragens e nunca mais o mundo foi o mesmo.

Os “bifes” deram uma de anarquistas e “brexitaram-se” numa só penada. Já a tua esquerda alçou-se ao poder e a Mariana até já lança impostos. Nos “States” o Trump arrisca-se a ganhar e estamos todos, os minimamente lúcidos, que não nos cabe um feijão no cagueiro. Isso e o Erdogan ensandeceu, o Putin não toma os medicamentos e a banca alemã está de tal ordem que a nossa até parece de gente séria. Isso e hoje um taxista baralhou-se na TV e denunciou-se como um reles violador.

Fui levado a pensar que toda esta anarquia teria dedo teu e que estavas por aí a divertir-te à grande soltando o teu riso de eterna criança traquina. Contudo, uma luz fez-me ver que afinal não é coisa tua. É que o nosso Porto, o FCP, está como o mundo, de pernas para o ar. E isso eu sei que nunca seria coisa tua. Sabes que te digo? Foda-se, que saudades pá.

Mas…olha lá, toda esta confusão não é coisa tua, pois não???

Bilhete do Canadá – Um debate desgostante

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Uma superpotência como os Estados Unidos, responsável por muito do que bom e mau vai pelo mundo, não devia ter candidatos à chefia do estado ao nível da extrema baixeza.  Tinha, isso sim, de manter uma fasquia alta quanto à qualidade dos concorrentes por simples respeito ao estado. O Partido Republicano mostrou não entender essa escala de grandeza ao não cortar cerce o passo a um candidato tão ordinário como Trump. A mediocridade do Partido Republicano ficou escancarada ao só reagir, na pessoa de vários senadores, ao video de há uns anos atrás em que Trump, julgando-se muito viril, usou um palavreado de habitué de casas de passe para relatar as suas (não sabemos se inventadas) aventuras sexuais. A fraqueza actual do Partido Republicano fica demonstrada pela sua incapacidade de evitar que este energúmeno chegue à boca das urnas e, vergonha das vergonhas, tenha ainda um número razoável de pessoas a votar nele.  Roberto De Niro chamou-lhe aquilo que, de facto, ele é e ficou largamente demonstrado neste debate: um rufia.

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Costa está nas minhas mãos?

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Escreverei, um dia, sobre táxis e sobre taxistas e talvez não seja simpático para ninguém, concorrência e políticos incluídos. Para já, declaro apenas que sinto cada vez mais saudades da vírgula ou das vírgulas. Fazes-me falta, vírgula, especialmente quando há vocativos. Eu já sei que Costa está nas minhas mãos, mesmo sabendo que só valho um voto. A vírgula está nas tuas mãos. Usa-a, ó escrevente!

Imagem recortada da primeira página do DN de hoje.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (iii)

No encontro de Professores organizado pela FENPROF estiveram também David Rodrigues e Licínio Lima.

David Rodrigues reflectiu sobre o  Desafio da Inclusão.

 

Licínio Lima, por sua vez, apresentou uma comunicação sobre o Desafio da Democratização da Escola.

Em Faro… ou nas Ilhas Faroe

Temos que perder a vergonha de seguir o exemplo islandês

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Nem só de luta por mais justiça social se faz a nossa necessidade de perder a vergonha. Há que perder também a vergonha de seguir o exemplo islandês. Sim, a Islândia. Esse estranho país que permite que se resgatem pessoas em vez de bancos e onde – pasmem-se – é possível prender banqueiros criminosos[Read more…]

Os bancos não são pessoas de bem

Nem os bancos centrais: Deutsche Bank recebeu tratamento especial nos ‘stress tests’. – Corrupção de alto nível? Ou apenas o estado dentro do estado a mostrar as orelhas?

Também tu, Frasquilho?

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Depois do infame golpe de Estado aplicado pela frente soviética à coligação Pàf, que enviou o governo legítimo de Passos e Portas para o exílio no Panamá, tudo indica que estaremos a assistir a um novo ataque ao núcleo duro do Passismo, com vista a uma revolução interna no partido. Seria a isto que Passos Coelho se referia, quando falava na vinda do Diabo? [Read more…]

O protesto dos taxistas

Como cliente, quero o melhor serviço possível e com o mais baixo preço que conseguir. E como cidadão quero que as empresas de transportes compitam entre si em igualdade de circunstâncias. Por isso, é preciso regulamentar o sector de forma homogénea, em vez de se criar um contexto especial para caberem as ubers dos transportes.

A manifestação dos taxistas decorre da alteração de forças no mercado. Um sector hiper-regulado passou a estar sujeito a uma concorrência que conseguiu furar as malhas legislativas. É a luta de quem não quer concorrência, quando devia ser o protesto pela igualdade de oportunidades.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (ii)

A segunda parte da intervenção de António Sampaio da Nóvoa, no seminário organizado pela FENPROF, em Coimbra, por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

«Na área dos contatos»?

Ah! «Na área dos contratos»! Peço desculpa: por momentos, pensei que estava a ler o Diário da República.

Donald Trump tem razão – são uns hipócritas


Nos últimos meses, Donald Trump disse que ia construir um muro para separar a América do México e que ia pôr este último a pagá-lo. Chamou criminosos, violadores e traficantes aos mexicanos. Queixou-se de ver negros «a contar o meu dinheiro». Disse que ia expulsar liminarmente 11 milhões de imigrantes ilegais. Que ia proibir a entrada de muçulmanos. Que os atentados de Paris só provam que a posse de armas devia ser liberalizada. Que o aquecimento global foi inventado pelos chineses para prejudicar a América. Que ia atacar o Médio Oriente para lhes ficar com o petróleo, destruindo tudo e mandando empresas americanas para fazer a reconstrução.
Defendeu o regresso de métodos de tortura mais agressivos nos Estados Unidos, atacou os pais de um militar americano morto no Iraque, expulsou uma jornalista mexicana de uma conferência, uma muçulmana de uma acção de campanha e um bebé que chorava num comício. Disse tudo e mais alguma coisa e sempre publicamente e em directo para milhões de espectadores.
Foi preciso ir buscar uma conversa privada com mais de 10 anos [Read more…]

O Professor hoje e os desafios de amanhã

A FENPROF organizou na passada sexta-feira um encontro em Coimbra onde a Educação esteve no centro da reflexão. Trago, neste dia especial para o Aventar. Neste dia em que um de Nós partiu. Neste dia em que um de Coimbra partiu. Neste dia em que um Professor partiu, nada melhor do que celebrar  a sua memória, trazendo até si, caro leitor, as intervenções de António Sampaio da Nóvoa, de Licínio Lima e de David Rodrigues.

Contigo sempre junto de Nós, amigo JJC, vamos continuar, porque nada substitui um bom professor!