Postal da Fortaleza de Peniche (muito atrasado)…

… ou das razões, seguramente confusas, por que não assino as petições

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(Fortaleza de Peniche, 2015)
No último ano tenho ido muitas vezes a Peniche, por razões que principalmente o coração conhece. Lembro-me de ir a Peniche algumas vezes em miúda com os meus pais. O motivo era geralmente ‘comer uma caldeirada’, coisa que animava os adultos e me desgostava bastante a mim. De qualquer maneira, aparte a questão da caldeirada, não tenho memórias particulares de Peniche, desses tempos.
No último ano tenho visitado Peniche muitas vezes e, naturalmente, visitei a Fortaleza em algumas dessas vezes. Peniche não é apenas a sua Fortaleza, mas é principalmente a Fortaleza. Claro que também há a Berlenga, a Nau dos Corvos, o Cabo Carvoeiro, a papoa, o Baleal, o Bairro do Visconde carregado de cor e de gatos, a tombar de cima das falésias, os restaurantes de peixe muito fresco e o mar o mar o mar a perder de vista porque, justamente, não é mar, é oceano. A ‘pérola do atlântico’ é muitas coisas além da Fortaleza. É também o cheiro das fábricas de conservas, o desemprego, os pescadores que pescam cada vez menos e um certo desordenamento urbano. É ainda o surf, as ondas de que é alegadamente a capital, as lojas de pranchas de surf, os surfistas e os hosteis e hoteis a nascerem como cogumelos, como – parece – recentemente acontece em toda a parte de Portugal.
Mas tudo isto que Peniche é tem a Fortaleza como pano de fundo e não poderia, creio eu, ser de outra maneira. A Fortaleza existe pelo menos desde o século XVII e a própria cidade se foi desenvolvendo em função dela. São muitos séculos de história, de histórias e de memórias. A Fortaleza teve muitas funções ao longo desses séculos, mas aquela de que nos lembramos melhor é a que está associada à sua conversão, em 1934, em prisão política de segurança máxima durante o período do Estado Novo. Nela estiveram presos muitos homens, quase todos homens bons, cujo o único crime foi a luta anti-fascista. Dela fugiram alguns desses homens, incluindo Álvaro Cunhal. E dela foram libertados todos os que estavam ainda presos, depois de 25 de Abril de 1974.

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A infância é uma doença

“Recentemente, um professor disse-me que quando olha para adolescentes que estão a ser medicados há anos com ritalina se lembra do que os electrochoques faziam aos internados no filme de Milos Forman, Voando sobre um Ninho de Cucos. É abusiva esta visão?”

Esta é uma das perguntas que a jornalista do Público, Clara Viana, faz ao bastonário da Ordem dos Psicólogos, numa entrevista de leitura obrigatória publicada hoje.

A Ritalina é uma das marcas comerciais do Metilfenidato, princípio activo da maioria dos medicamentos usados para “tratar” crianças com diagnóstico de Hiperactividade e Défice de Atenção. Foi precisamente a Ritalina que nos idos anos de 1969 e 1973 retirou o título de vencedor da Volta a Portugal em bicicleta a Joaquim Agostinho, pois era uma substância proibida em Portugal e foi detectada num controlo antidoping feito ao ciclista.

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Bill Maher, o Diário da República e a alergia

enquanto eu farejava e media o espaço em volta, me habituava aos rumores estranhos e às invisíveis presenças desconhecidas da casa, aos estrondos das caldeiras, às fungadelas do fogão e à bronquite dos cachorros

— António Lobo Antunes, “Auto dos Danados

Tive pena de não poder almoçar lá fora só para poder acompanhar a discussão. Mas não tinha tempo a perder e era dia de tripas.

— Carla Romualdo, “O bonezinho

***

Acerca de um episódio ocorrido durante o recente debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, Bill Maher disse o seguinte:

I hope it’s not true. He was sniffing a lot. It’s either that or he’s allergic to facts.

De facto, há um ponto comum entre uma das hipóteses de Maher sobre as fungadelas de Trump e o Diário da República: a alergia aos factos.

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Continuação de uma óptima semana, isto é, sem estrangulamentos e sem constrangimentos.

Barroso esqueceu-se de apagar a assinatura que usa no email da Goldman Sachs

Ex-presidente da Comissão Europeia“, assim assinou o empregado daquele banco.

Guterres é (quase) o maior

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Tem sido muito interessante ver as mais destacadas personalidades dos partidos de direita, que passaram anos a malhar no antigo primeiro-ministro, a transformar António Guterres no ultimo grande herói. Todos elogiam o homem, o político, a “picareta” da retórica. Todos exaltam as virtudes, os valores e as capacidades diplomáticas do socialista. Já ninguém fala nas contas de cabeça do PIB ou no “pântano”. Tudo é belo. Guterres é o maior e a opositora de última hora, proposta pelo partido europeu que agrega PSD e CDS-PP, não merecia o cargo. A hipocrisia, como a dívida pública, não pára de aumentar neste país. [Read more…]

Bravo, Manuel Luís Goucha!

Exemplar.

Aquele momento em que Marques Mendes me obriga a concordar com ele

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Nem é por se mostrar surpreso com o bom desempenho da Geringonça. Acho que a supresa é mais ou menos generalizada, não só pela aparente solidez do acordo de incidência parlamentar, mas principalmente porque, com a excepção da questão do crescimento e da trajectória ascendente da dívida pública, que de resto não parou de subir durante o consulado de Passos e Portas, a governação de António Costa até tem apresentado alguns resultados interessantes e inesperados, nomeadamente no que diz respeito aos números do défice.  [Read more…]

Xeque-mate

xeque-mate

Marco Faria

Atribuir a eleição de Guterres ao esforço da diplomacia portuguesa é um exagero e é, sobretudo, desvalorizar o mérito 100% da responsabilidade do candidato. Afastou-se década e meia da vida política doméstica, venceu inequivocamente seis votações, teve as melhores prestações cara a cara com as representações dos 193 estados e para quem quis ver “on-line”, apresentou-se desde a primeira hora como um candidato com determinação e voz próprias (“Líderes e valores”), não tirou uma licença profissional de sete dias, não fez fretes a blocos ou países, não cedeu às pressões “last minute”, não entrou no circo de ver um estado a dividir-se entre o apoio a duas candidaturas, contrariou os supostos requisitos formais para a eleição (mulher e originária da Europa de Leste)…
Insisto: onde esteve a diplomacia de Portugal entre Junho de 2005 e Dezembro de 2015, quando Guterres liderava o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)? Basta acompanhar 5 minutos as cadeias internacionais para perceber que todos se referem às qualidades do candidato e não vi nem ouvi uma única vez falarem da diplomacia de Lisboa. Porque o que esteve em causa foram os atributos da pessoa. [Read more…]

Adivinha Quem Paga?

barragem_tua_edpmaat_edpExacto, não é António Mexia, não é a EDP.
É você, os seus filhos e os seus netos.
[via maquinistas]

Ovos de serpente

O governo nazi não começou por mandar judeus para campos de concentração e câmaras de gás. A primeira medida oficial, anunciada em Abril de 1933, foi apelar ao boicote das lojas e comércios que fossem propriedade de judeus. As serpentes levam tempo a incubar.

Previsões do FMI: Boas notícias

Diz o FMI no seu último relatório que Portugal não vai cumprir o défice de 3% em 2016.
Vamos ler com atenção e o autor do relatório é Vítor Gaspar, o antigo ministro das Finanças. Tendo em conta o acerto das suas previsões enquanto esteve no Governo, exultamos. São boas notícias.

Leituras complementares:
Não é de agora que Gaspar falha previsões
Portugal falha regresso ao mercado previsto por Vítor Gaspar
A última previsão falhada de Vítor Gaspar
Marcelo diz que Gaspar é mais astrólogo do que Ministro das Finanças
Vítor Gaspar pede demissão e admite falhanço das metas traçadas
Marques Mendes contra Vitor Gaspar: «Um falhanço desta natureza retira confiança»
Vítor Gaspar: Anatomia e dissecação de um colossal falhanço
O perigo chama-se Vítor Gaspar
Vítor Gaspar assume que errou num compromisso político central
Vítor Gaspar confirma orçamento rectificativo
Vítor Gaspar admite um segundo rectificativo
Vítor Gaspar: Aprendo com os meus erros

Elena Ferrante: as pessoas têm o direito de saber?

transferir-3Elena Ferrante é autora de uma tetralogia que anda a entusiasmar leitores do mundo inteiro. O nome da escritora é, na realidade, um pseudónimo. Tendo manifestado a vontade de manter o anonimato, respondeu sempre por correio electrónico às entrevistas que concedeu.

Recentemente, Claudio Gatti, um jornalista italiano, terá desvelado a identidade de Ferrante. Sabendo-se que isso vai contra a vontade de autora, parece-me que esta investigação, na melhor das hipóteses, pisa uma fronteira ética. Se um escritor quiser ser apenas um nome ou um narrador, está no seu direito.

Claudio Gatti, no entanto, resolveu complementar a sua descoberta com argumentos a favor da sua investigação. A ser verdade o que se lê no Diário de Notícias, oscilam entre o oco e o disparatado.

Em primeiro lugar, recorre ao estafado as pessoas têm o direito de saber. Não é sequer invulgar ouvir jornalistas de rádio e de televisão usarem a pergunta “O público não tem direito a saber?” Sendo certo que um jornalista presta (ou deveria prestar) um serviço público, a verdade é que esta pergunta é apenas sensacionalista e/ou provocatória, porque a realidade é que há assuntos que as pessoas não têm o direito de saber, especialmente a partir do momento em que alguém não quer que se saiba. [Read more…]

A Oriente

© hojemacau

© hojemacau

 

É assim vista em Macau a chegada de António Guterres ao lugar de Secretário Geral da ONU, no dia em que o Primeiro-Ministro António Costa parte para a República Popular da China em visita oficial. Na diplomacia não há coincidências e ainda bem que o actual governo, como não podia deixar de ser, parece compreender com inteira clareza a importância da aliança estratégica com o Império do Meio.

Como acumular uma dívida de 100 mil euros com apenas 12 anos?

A Google explica. E perdoa.

Hubble, a espreitar a Galáxia do Sombreiro

 

Um universo do tamanho da imaginação.

Afixação proibida

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Em Almada.

Oh meu Deus! A Kristalina perdeu!!

merkel
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