O salário do Presidente da CGD

©José Caria/Expresso

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Existe um conjunto importante e alargado de “informalidades jurídicas”, ou seja, uma espécie de “terra de ninguém” no território do Direito e do Facto, contíguo e, muitas vezes, sobreposto ao do Exercício do Poder público, que confere aparente legitimidade a decisões políticas das quais se ignoram os pressupostos verdadeiros. Ignorá-los não é defeito do sistema que rege a intersecção entre estruturas financeiras e estruturas políticas, mas feitio desse sistema cuja geometria tem séculos de evolução, mas que ao longo desses séculos tem mantido um conservadorismo estrutural assinalável.

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Manuais escolares: o populismo decide, a sensatez paga

Santana Castilho*

O Governo escreveu e os jornais repetiram: a despesa com a Educação sobe 3,1% em 2017. Mas, não é assim. O que o Governo acaba de apresentar é o que estima vir a gastar em 2017, que comparou com o que previu gastar em 2016. Ora o Governo sabe que vai fechar as contas de 2016 com uma despesa bem superior à que estimou. Termos em que, com o que já se conhece, a afirmação é falsa.

Apesar deste expediente e dos artifícios que recheiam o OE 2017, fica desde já claro que prefiro a lógica que o informa à lógica dos que o antecederam. Posto isto, permitam-me que formule a pergunta de partida para abordar um desses artifícios: quais são as consequências da imposição de um modelo de gratuidade e reutilização dos manuais escolares? Como se pretende abordar uma indústria que, estima-se, move anualmente 100 milhões de euros, dá emprego a 2.000 pessoas e interessa a 1.600 livrarias? Poderemos ter, numa primeira fase, sob um pretexto político discutível mas que é bem acolhido pelo mainstream, uma iniciativa que poderá destruir, numa segunda fase, uma cultura que demorou décadas a desenvolver-se? Tratar-se-á de uma actuação movida por simples preconceito, que acaba abalroando, de modo centralista, interesses de editores, de autores e dos que trabalham na indústria da produção de livros? [Read more…]

Histórias reais – Uma proposta irrecusável

É pouco provável que algum de vós tenha conhecido o Mocambo. Fechou portas em 1958, depois de década e meia de glória no esplendoroso Sunset Boulevard, onde os argumentistas fracassados acabam a boiar nas piscinas. Com a sua decoração carregada de estereótipos de uma América do Sul de caricatura, e as paredes cobertas de jaulas de vidro com papagaios, catatuas, e pombos, devia ser um desses lugares em que tudo é genuinamente postiço. Ver e ser visto no Mocambo era um imperativo para as estrelas da época e nenhuma falhava. E actuar no Mocambo era o empurrão necessário para qualquer carreira musical. Poucos eram, porém, os artistas negros que conseguiam um contrato, numa época em que a segregação racial ainda era a norma.

Impunha-se, portanto, jogar uma carta alta para que uma cantora negra pudesse actuar no Mocambo. Foi necessário que a sua amiga e admiradora fizesse ao dono do clube uma proposta irrecusável. Se ele contratasse certa cantora, a quem apenas a mais preconceituosa burrice poderia cerrar portas, ela, a sua amiga e admiradora, estaria todas as noites na fila da frente do Mocambo, sorriria para as câmaras dos fotógrafos que não deixariam de seguir-lhe os passos e com isso faria ao clube uma publicidade tão esplendorosa que nem o Mocambo poderia desdenhar. [Read more…]

A ironia do geringoncismo

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A confirmarem-se as previsões, é possível que o ano de 2016 termine com uma grande ironia: o défice mais baixo das últimas décadas será conseguido por um governo socialista apoiado pelo PCP e BE. Na novilíngua do radicalismo neoliberal, um Processo Revolucionário Em Curso com vista à estalinização do país. Uma perigosa e infame Geringonça, preparada para instalar um totalitarismo soviético que espanta investidores, aumenta brutalmente os impostos e persegue impiedosamente o ensino privado. O precipício. [Read more…]

Parem as rotativas

A malta da direita, agora que as contas têm o inconveniente de estarem a correr bem, está à procura de inspiração além fronteiras. Veja-se bem, que até já são especialistas em grego e análise política da Grécia.

Não é que descobriram um escândalo? Só falta saber se é tão credível quanto a fotomontagem do pobre grego que não era grego ou das filas do multibanco, que não eram filas.

manipulação imprensa grécia