Felizes os pobres de espírito, que serão professores de Economia

transferir-2Começo por uma declaração de interesses: se eu mandasse, João César das Neves nunca seria impedido de falar, porque acredito que o mundo precisa de risos, de sorrisos, de gargalhadas. Por outro lado, também é verdade que o mundo precisa de economistas. Com César das Neves, temos divertimento garantido.

Segundo parece, César das Neves escreveu um livro, o que é natural, porque são raríssimos os cidadãos que ainda não o fizeram. Quando saio à rua, sou olhado de lado pelos meus vizinhos, porque ainda não aderi à moda da autoria.

Como qualquer autor, Neves deu início a uma série de entrevistas em que fará aquilo que os autores de livros fazem: explicar em voz alta aquilo que escreveu, porque, hoje em dia, os livros são incapazes de se fazerem entender.

Segundo percebi, de acordo com o resumo da entrevista ao professor de Economia, Portugal não cresce porque está dominado pelos funcionários públicos e pelos reformados, que, por dominarem a política e a comunicação social, escaparam a cortes nos salários e nas pensões, durante o domínio da troika.

Se esta informação for verdadeira, chego à conclusão de que sou uma espécie de Truman e que tenho andado a ser enganado por uma série de colegas e amigos, queixosos de cortes e de congelamentos que, afinal, têm recaído apenas sobre mim. Isto não vai ficar assim, garanto. [Read more…]

Porque era governado por um bando de mentecaptos analfabetos

“Mas porquê?! Por que é que Portugal quereria deixar escapar esta colecção?”

Nota-se um frenesim de esperança

DBRS preocupada com fraco crescimento e subida dos juros da dívida de Portugal“. É de registar o tom dos comentários na notícia. Haja esperança, ainda poderá haver um resgate que ponha fim a este governo usurpador e que permita ao ex-primeiro-ministro no exílio regressar ao poder. Será uma oportunidade de repetir a anterior receita de sucesso, equilibrando as contas públicas pelo combate às gorduras do Estado e sem aumento de impostos.

Haja esperança e ainda voltaremos ao desempenho económico sem par de 2015. Tudo pode acontecer e o diabo ainda poderá chegar a 21 de Outubro. Por isso, caros patriotas, vamos lá enaltecer a desgraça em que o país está e fazer como a Cristas quando há fogos: rezar.

Acabar com as gorduras do Estado

Em 2014, e de acordo com a Inspecção-Geral de Finanças, 40 Fundações não cumpriram as regras de transparência. Dezenas de organismos públicos da administração central e local fizeram transferências consideradas ilegais.

“Para serem mais honestos do que eu têm que nascer duas vezes”

Já pagar metade do IMI durante 15 anos é coisa opcional.

Salman Rushdie em Óbidos

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Momento alto e totalmente casual de uma visita a Óbidos, onde decorre o Festival Literário Internacional de Óbidos (Folio): o evento com Salman Rushdie (ainda com a cabeça a prémio por 4 milhões de dólares),  para um público de mais de 400 pessoas, maioritariamente jovens (lotação esgotada).

Sem qualquer pretensiosismo e com um notável e saudável humor, Rushdie não falou apenas de literatura, do “maravilhoso” mundo do facebook – esse mundo cor-de-rosa no qual confessar que não se está bem é quase obsceno -, do recrudescimento inesperado da religião e das formas que assume (IS, hinduísmo na Índia…), mas vai dizendo coisas lapidares como: “we are living in a dark age (…) this is the worse time that I remember” e denuncia os “falsos profetas” (Marine Le Pen, Trump, Boris Johnson…), cujo discurso é muito similar aos que foram proferidos  “da última vez”… mas sublinha: “history is not inevitable, history is not running on tram lines”.

Ou seja, o rumo da história depende também de todos nós, juntos.