O fim da Geringonça

O fim político de Passos Coelho aconteceu no dia em que foi criada a Geringonça. Mas o início da Geringonça marca igualmente o começo do seu fim. É da natureza das coisas.
É essa a missão do próximo líder do PSD: acabar com as veleidades da Esquerda.

“Em todas as ruas te encontro” (Cesariny)

Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos
Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos

Missão cumprida, cidadãos vendidos!

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Quando, amanhã, o CETA for assinado, não foi Bruxelas que nos vendeu ao capital internacional; foi cada um dos nossos eleitos governos, cada um deles podia ter dito NÃO, e tudo pararia.

E o champagne rolará nas altas esferas.

“É pena que a UE não exerça uma pressão igualmente intensa sobre aqueles que bloqueiam a luta contra a fraude fiscal” – Paul Magnette, 23.10.16

Mais um embaraço na CGD

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A fonte citada pelo Expresso é o Correio da Manhã, pelo que todo o cuidado é pouco. Porém, a confirmar-se, este dado leva toda a situação em torno da polémica contratação de António Domingues para outro nível. Como pode um gestor de um banco privado encomendar um estudo através de um banco público com o qual não tem qualquer vínculo? Se o estudo foi encomendado em Fevereiro, e Domingues só renunciou ao cargo no BPI em Junho, como se justifica que tenha imputado um custo de 3 milhões de euros ao Estado português?

Foto: José Caria@Expresso

Como se faz para a Galp pagar o calote?

Lisboa, 19/11/2014 - Esta tarde a Autoridade Tributária realizou buscas nas instalações da Galp, nas Laranjeiras em Lisboa. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Diz a notícia que a Galp “voltará” a não pagar a Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético (CESE) em 2017. Quer isto dizer que, não só se recusa a cumprir com as suas obrigações fiscais deste ano, como no próximo não tenciona igualmente cumpri-las. Não sei se alguma vez a pagou, ou sequer se paga todos os impostos que são devidos, mas fico com vontade de embarcar nesta onda de desobediência civil e não pagar os meus também. Claro que, sendo eu um mero plebeu, não tenho como me esquivar. Aos plebeus, é sabido, retem-se na fonte. [Read more…]

Prémio de consolação

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Kristalina cumpriu os serviços mínimos. Convocada tarde e a más horas, foi a candidata possível para a derrota quase certa, perante um Guterres que acumulava vitórias e reunia consenso. Nem a aliança germano-soviética, perdão, germanorussa, soviéticos são os governos português, grego, o Corbyn, o Renzi e o Iglésias, deu conta do recado. A búlgara foi à luta, com a bênção do PPE, apesar do aparente espanto e indignação dos seus representantes locais, mas saiu pela porta pequena, apenas para dar de caras com os portões do Banco Mundial, onde será directora executiva. Já vi prémios de consolação piores. Até a senhora ficou boquiaberta.

 

Lettres de Paris #4

Hollande: peut-il y aller? Ou la ‘jungle’ à Paris

Vejo na televisão (que só tem canais em francês) que se as eleições presidenciais em França fossem hoje, Marine Le Pen teria 28% dos votos. Alain Juppé a mesma percentagem. Aflige-me que Le Pen esteja em primeiro nas intenções de voto. Como me aflige, malgré tout, que apenas 9% dos franceses declarem que votariam em Hollande. Não é que tenha especial simpatia por ele, mas tenho seguramente menos por Le Pen e por Juppé. De facto anunciam agora mesmo na tv, enquanto em rodapé passa a notícia de um novo desmantelamento da ‘jungle’ de Calais*, a insatisfação dos franceses com Hollande. Não é à toa que a direita sobe nas intenções de voto, quando na televisão, nos canais de notícias, aparecem constantemente as imagens da dita ‘jungle’. Aliás, só o nome é já todo um programa ideológico.
Em Paris há muitos sem-abrigo e pedintes. Hoje, por exemplo, vi um homem deitado ao comprido no cruzamento da Rue Danton com o Boulevard Saint-Germain. Ali, estendido, descalço, enquanto à sua volta a cidade se movimentava indiferente. Olhei para o homem e baixei-me, mas parecia estar a dormir, talvez bêbedo, talvez apenas cansado da selva que podem ser as cidades. Sendo que Paris, apesar de toda a sua beleza, não é uma exceção. À saída do supermercado, um homem disse ‘Madame, vous n’avez pas un euro?’. Não lhe dei o euro, mas agora penso que talvez devesse ter-lho dado. Afinal o que é um euro, numa cidade onde um café, de qualidade muito duvidosa, custa, no mínimo, 2,5 euros ou uma água de 50 cl custa mais de 4? Não lhe dei o euro porque vinha carregada de sacos de compras, que com dificuldade transportei até casa. Podia ter-lhe dado uma maçã, mas talvez a não quisesse.

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