Da responsabilidade financeira reintegratória

Na sequência de notícias vindas a público dando conta de que o Governo teria incluido no Orçamento de 2017 uma norma que desresponsabilizava os autarcas por “dinheiro mal gasto em que tenham tido pareceres favoráveis dos serviços da autarquia”, o Ministro Adjunto emitiu ontem um comunicado no qual esclarece que “A proposta de Orçamento do Estado para 2017 equipara os autarcas aos restantes titulares de cargos políticos designadamente aos membros do Governo. São assim responsáveis civil, financeira e criminalmente pelos atos praticados bem como no julgamento da conta da autarquia”.

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Uma pergunta certeira

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“Estes acordos fazem escolhas. Não servem apenas para abrir as fronteiras. Servem para as abrir garantido total proteção a quem investe e nenhuma a todos nós. Na globalização somos todos atirados para alto mar. O que estes acordos fazem é distribuir coletes salva-vidas a meia dúzia, garantindo que a democracia nunca interfere nos seus negócios. O que faz é pôr na lei a lei do mais forte, anulando a função moderadora da democracia. O que faz é proteger uns dos imprevistos enquanto deixa a larga maioria entregue a si mesma.” 

Isto sim, é uma óptima e tão necessária análise, num país em que apenas uma minoria ouviu falar do CETA e suas consequências. A premissa de que temos de ser nós cidadãos a pagar pelas perdas reais ou futuras dos investidores é delatora da verdadeira finalidade destes acordos. Canadá e os membros da UE são estados de direito, não necessitam de tribunais arbitrais; e, on top, somos nós que vamos ter que pagar a instalação do próprio mecanismo de protecção aos investidores. É tudo tão óbvio. Mas, com o xarope do suposto emprego e um ridículo aumento de PIB, a maioria das pessoas engole toda esta mentira.

 

“Em todas as ruas te encontro” #2 (Cesariny)

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Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos

Shame on you!

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Foto: Reuters

Como se fosse mais um sinal de mau presságio, o avião de Trudeau teve uma avaria técnica pouco depois da partida e foi obrigado a regressar a Otava ao fim de 30 minutos. Já antes da partida tinha havido um atraso de 90 minutos.

Mas, entretanto, chegou e já assinou e já posaram para a posteridade os desavergonhados agentes do capital, por via do CETA.assinatura1

Lá fora, 250 manifestantes protestavam em nome dos muitos milhões que dizem: “Em nosso nome, NÃO!”. 16 manifestantes foram presos por tentarem passar as barreiras de segurança.

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Foto: AFP

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Mas, como se sabe, a culpa é sempre nossa

«Um economista canadiano, doutorado pela Universidade de Harvard e autor influente de um blogue associado ao jornal “The New York Times”, acaba de ser acusado de um crime de manipulação de mercado sobre títulos da dívida soberana portuguesa.» [JN]

As duas realidades em que vivemos são ambas alternativas à realidade

Rui Naldinho
Pedro MagalhãesPedro Magalhães

Pedro Magalhães, sociólogo e professor universitário, mais conhecido dos telespectadores pelas noites eleitorais na RTP, com as sondagens da Universidade Católica, onde na altura trabalhava como investigador, deu uma entrevista ao DN, este sábado.

A entrevista é extensa, aborda o comportamento do eleitorado em geral e, do cidadão português em particular, o extremismo de direita na Europa e as eleições americanas.

Não concordando com tudo o que ele diz e, com uma parte da narrativa que ele constrói na sua análise, ele afirma no entanto coisas que nos fazem meditar, nomeadamente, por que razão as redes sociais serão no futuro recente, o mais importante veículo de captação de eleitores. [Read more…]

Lettres de Paris #5

La sociologie est un sport de combat*,

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estava escrito no chão mesmo em frente ao Collège de France, na Rue des Écoles. Ontem também passei lá mas não ia, talvez, de olhos no chão. Vi isto ao fim da tarde, quando regressava do Ladyss, onde não estava praticamente ninguém. Conheço muita gente que trabalha em casa. Eu não sou exatamente uma dessas pessoas. Quer dizer, corrijo testes, leio artigos e teses, mas escrever não consigo a partir de casa. Escrever com alguma substância, quero dizer. Desde pequena sempre separei um pouco o trabalho da casa. A casa é sobretudo para descansar e para realizar tarefas menos pesadas. Estudar e trabalhar a sério é uma coisa que sempre fiz fora de casa. Os meus colegas não parecem pensar o mesmo, de maneira, que tive o Ladyss praticamente por minha conta. Minha e do porteiro que fala muito depressa, mas hoje me disse que ia começar a falar comigo ‘plus doucement’. Agradeci-lhe. Fala depressa e para dentro e odeia aparentemente o trabalho que tem. Pelo menos queixa-se muito. Talvez gostasse de ir trabalhar para casa também.

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