Não era isso que (quase) todos diziam sobre o seu governo, deputada Cristas?

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A propósito da polémica proposta para reduzir a TSU como forma de compensar o aumento do salário mínimo nacional (SMN), a deputada Cristas acusou António Costa de ter uma “maioria intermitente“, que não é “estável, credível e duradoura“. Não era isso que tantos portugueses diziam sobre o governo que a candidata à CM da Lisboa integrou? E, no entanto, o governo PSD/CDS-PP lá conseguiu chegar ao fim do mandato. E conseguiu-o apesar das birras e das facadas do parceiro minoritário da coligação. Em 2012, quando o país se insurgiu contra a proposta de aumento da mesma TSU, não para compensar um aumento do SMN, que o caminho era o do empobrecimento, mas à custa da subida das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social, o CDS-PP tirou o tapete a Passos Coelho. Assunção Cristas estava lá e participou neste duro golpe na estabilidade e credibilidade da coligação.

António Costa não governa com uma maioria, intermitente ou não. O governo da nação é minoritário e depende de acordos de incidência parlamentar com o PCP e o Bloco. E apesar de tudo o que se tem vaticinado, esses acordos continuam de pé, viabilizando um alinhamento inédito que permitiu, em pouco mais de um ano, devolver direitos e rendimentos aos mais afectados pelo garrote da Troika, cuja fórmula imposta não era, de resto, suficiente para a coligação. Se tudo isto será estável, credível e duradouro no longo prazo, é algo que teremos que esperar para ver. Até ver, já deu pelo menos para perceber que a TINA não é assim tão inflexível.

Contudo, importa recordar que, um ano depois da novela da TSU, no Verão Quente de 2013, Paulo Portas apresentou o seu pedido de demissão e atirou o governo para a maior crise política do seu mandato. Uma crise política que teve elevados custos para o país. Um momento que não nos deixa esquecer que aquele governo não era assim tão estável, credível e duradouro. No entanto, perante a chantagem do CDS-PP, e recorrendo à novilíngua da direita radical, Passos Coelho optou por fazer-se refém de Paulo Portas, promovendo-o a vice-primeiro-ministro, chutando de seguida Álvaro Santos Silva da pasta da Economia, que entregou ao CDS-PP. Se a estabilidade de um governo maioritário depende deste tipo de golpes, então estou ainda mais convencido que prefiro, de longe, a actual solução ao anterior calvário. É que entre esquemas chantagistas de assalto ao poder, com contornos anedóticos e irrevogabilidades de ocasião, e um acordo em que os diferentes partidos cedem sem perder a sua identidade, a escolha é fácil. Não percebeu? Paulo Portas explica.

Foto: Lusa@Rádio Renascença

Comments

  1. Rui Naldinho says:

  2. Autênticos ratos de sacristia. Este grupo de garotos que pulula pelo CDS são capazes de tudo. Autênticos vigaristas encartados.

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