Assédio Moral


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Ilídio dos Santos

A propósito da abordagem na Assembleia da República do tema “assédio moral no trabalho”, não posso deixar de levar o assunto à conta das liberdades da democracia.
A este propósito e porque raramente nos apercebemos da míngua da nossa liberdade, consubstanciada numa arquitectura democrática que nos sucumbe às teias do poder, quer ele seja público ou privado, entendo urgente desmascarar e corrigir os abusos perpetrados por segregadores entendimentos das relações em contexto laboral.

Se, no âmbito do mercado de trabalho privado, é óbvia a cumplicidade repartida entre patrões e políticos, numa espécie de obscuras cumplicidades que patrocinam a oferta de trabalho de miséria e perseguição sem limites, já no que ao serviço público concerne e aos que a qualquer nível da administração pública, os designados, mandatados ou eleitos, sustentam comportamentos similares, a coisa torna-se verdadeiramente obscena e insustentável.

Daí que, por observação atenta se constata que na administração pública, qualquer que seja o organismo, se abusa do poder discricionário de exercê-lo sem controlo e sem respeito pelas mais elementares regras da dita democracia, mormente o direito à opinião, especialmente sempre que ela se afirma em nome de princípios.
Ter opinião é sempre tolerado desde que a expresse junto do Chefe, que, como é consabido e hábito e se não bate a compasso, já sabe…, vale o mesmo que zero.
Diz-se que o hábito faz o monge, porém, há excepções tresmalhadas no rebanho, o que, no curto prazo, será necessariamente enxotada sob qualquer pretexto ou mesmo sem ele, a coisa não alinha, e mais!.. pensa… o que desde logo inviabiliza o adequado acolhimento entre os monges, seus pares.

Mas o perverso na conflitualidade que se instala, perante normal e genuíno comportamento, tirando, claro, a circunstância menor de exibir integridade e quiçá, alguma inteligência, origina a adopção de comportamentos psicóticos, só porque o Chefe se sente ameaçado na sua autoridade de soba e confrontado na sua inteligência.
Porém, o mais inacreditável é a configuração jurídico institucional que se montou para a pseudo defesa de honorabilidades, bom nome, éticas e respeitos associados, a vénia, o levantar-se se o Chefe passa  e, pasme-se: A INTUIÇÃO DO CHEFE.
Sabendo nós que os ditos são vidrinhos de cheiro – tantas vezes nem vidro são, mas fraco plástico – o escolhido para o sacrifício não pode, em nome dos valores intrínsecos parcamente referidos atrás, tornar público o seu desencanto punido.
Porque intuiu, o Chefe reúne uma catrefada de juristas bem pagos e de nomeada e, junto do competente tribunal processa o desditoso.
Convirá, entretanto saber, que são todos os contribuintes a pagar pelas INTUIÇÕES do Chefe que, desde logo, trata de impedir que se chegue à verdade, quer porque põe todo o rebanho em pasto único e diz: comamos tudo… matemos o tresmalhado à fome.
Depois, quer ganhe ou perca a contenda judicial, os contribuintes pagam, pagam até as Intuições do Poder.

Não seria justo e adequado, defensável nesta espécie de democracia, que uma demanda judicial intentada por Organismos públicos só fosse paga pelos contribuintes quando houvesse ganho de causa?
Quando tal não acontecesse, seria o INTUITIVO chefe a pagar todas as custas inerentes ao processo. Assim, as armas seriam mais iguais e a honradez do Chefe seria, porventura, mais plausível.
Isto, apesar e talvez por isso, os Chefes tendem a confundir a árvore com a floresta.

Comments

  1. JgMenos says:

    E que tal se também fosse o subordinado a pagar se o chefe tivesse ganho de causa?
    E qual seria a versão democrática de «manda quem pode, obedece quem deve»?

  2. Arre burro says:

    Este autor convidado escreve torto por linhas direitas.
    É obra a catrefada de verborreia para quase nada dizer.
    Dêem-lhe uma abébia e tornar-se-á um óptimo politólogo comentador desportivó intellectual.

  3. Quem tenha alguma experiência acerca da forma como se estabelecem e/ou se encontram (já) estabelecidas as relações interpessoais em meio laboral – seja na actividade privada, seja no dito “funcionalismo público” – não terá qualquer dúvida em reconhecer a existência e, mais do que a mera existência, a proliferação de casos de assédio moral. O articulista convidado tem razão. Ponto.

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