Uma Europa inspirada em Publius Clodius

Corria o ano de 62 a.c., mais precisamente a 1 de Maio, quando a jovem e bela Pompeia Sula organizou uma orgia báquica, exclusivamente feminina, em honra de Bona Dea, deusa da fertilidade e virgindade. Ao que consta, ainda os François Fillon desta Europa não teriam nascido, muito embora o jovem e rico Publius Clodius, tenha traído a confiança da seriíssima mulher de César, ao introduzir-se clandestinamente na festa disfarçado de tocadora de lira. Descoberto pela mãe de César, é expulso a tempo de deixar Pompeia Sula sem mácula.
pompeia-sula-1Volvidos mais de 2 milénios, François Fillon está a ser investigado pela justiça francesa para apurar se a sua mulher,  contratada pelo próprio como sua assistente no Parlamento francês, terá recebido remunerações indevidas. De imediato, tentando preservar a sua honra, o visado anuncia que, caso venha a ser constituído arguido até às presidenciais, renunciará ao seu estatuto de candidato.
Felizmente para ele, François Fillon não está só, 10 a 15%  dos parlamentares franceses têm, entre seus assistentes, pessoas com o mesmo apelido, sendo que até um ex-presidente socialista da Assembleia, Claude Bartolone, contratou a sua mulher para o mesmo efeito em 2012. Este expediente nem sequer é exclusivo dos franceses, no Reino Unido, 150 dos 600 deputados o praticam e só em 2009 é que o Parlamento Europeu o proibiu!
Enquanto a presença de Publius Clodius na orgia, manchou, aos olhos de César, a reputação de Pompeia Sula, a Europa permite este desconchavo ético e moral de contratar familiares para empregos públicos, enquanto se esganiça contra Trump por contratar o seu genro!
Não, não deveria tratar-se de averiguar se a senhora Fillon obteve ou não remunerações indevidas, mas transpor para a Lei em toda a Europa, que continua a bramir a sua superioridade moral pelo mundo, a impossibilidade de contratar familiares entre os políticos europeus para cargos públicos, expediente que é generalizadamente entendido, e bem, como um atentado à ética e moralmente condenável!
César, não obstante sua mulher em nada ter contribuído para a presença de Publius Clodius, pediu o divórcio, alegando minha esposa não deve estar nem sob suspeita, dando origem ao provérbio, à mulher de César não basta ser séria, tem de o parecer.

2 comentários em “Uma Europa inspirada em Publius Clodius”

  1. A PM britânica foi arrastar a bandeira britânica na lama americana. Vai pagá-lo muito caro. A França, com a escolha de Hamon pelos socialistas, parece estar finalmente a acordar. Mas o mais estranho é ver a virulência alemã contra Trump. Ver aqui: http://www.spiegel.de/international/
    A conclusão é que a situação atual é bem mais grave do que se pretende.

    1. A situação é gravíssima, de facto, daí eu ter muita dificuldade em alinhar em quem pretende continuar a alhear-se de compreender e encontrar soluções que evitem que os cidadãos, que vivem em Democracia, na Europa e nos EUA, estejam dispostos a votar em tudo que não seja os partidos e/ou pessoas que as governam há décadas.
      Encontrar no que é que estamos a falhar, parece-me de uma evidência não escamoteável, daí a pertinência que me merece o do assunto que coloquei em post.
      Muito obrigado pelo comentário.

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