O Jaime Nogueira Pinto possui o direito a falar?


Não, não possui. Possui o direito a estar calado na mesma medida em que o regime que ele defendeu e defende considerava como um dever cívico do ser humano o dever a estar calado. “Não se discuta política” – disse um dia Salazar.

Comments

  1. L. Rodrigues says:

    Correndo o risco de dizer o óbvio, distinguimo-nos dele por, precisamente, lhe reconhecermos esse direito. Nós temos por outro lado o direito de o ignorar. Talvez até o dever.

    • Não reconheço direitos a quem por credo e por via do pensamento e de comportamentos se pudesse também não nos reconhecia. Acabou-se o espaço para fascistas neste país em memória daqueles que foram brutalmente mortos ou espancados por se terem expressado de forma livre.

      • João Branco incorporou quem exatamente, para não reconhecer direitos a seja quem for o cidadao Portugues que for convidado seja por que organizaçao for, a expressar os seus pontos de vista?
        Que prepotencia essa? O espelho disse-lhe que a barba da-lhe ares de Jesus Cristo?
        Quem o arvorou em defensor da memoria de quem foi tripudiado pelo anterior regime – que de resto voce nem conheceu? Olhe, a Associaçao 25 de Abril, que ela sim existe para defender precisamente essa memoria, foi mais integra que a sua arrogante opiniao – que pretende ter a autoridade de recusar direitos aos seus concidadaos de visao ideologica distinta – e convidou o JNP a palestrar, em plena liberdade, nas suas instalaçoes, exatamente em memoria dos que no passado nao tiveram esse direito reconhecido por autoridade arbitraria.
        Nao lhe serviu de liçao?

    • L. Rodrigues, não perca tempo.
      Pessoas como o autor deste post são tão autoritários como aqueles que criticam, nomeadamente, o Salazar.

      Não há, verdadeiramente, muitas diferenças entre os extremos, sejam de direita ou de esquerda. Ambos são os donos da razão, ambos não são pluralistas, ambos são antidemocráticos.

      E o que é integralmente irónico é que tanto os comunistas como os fascistas dependeram dos trabalhadores para atingir o poder!

  2. Concordo com o L. Rodrigues.
    Uma Sociedade Democrática deveria aceitar o direito à palavra.
    Os cidadãos têm a opção de ignorar se a palavra-totalitária.
    Não faltam totalitarismos por aí.

  3. Rui Naldinho says:

    Ó João, essa é aquela parte em que eu me afasto de ti, nas muitas coisas com que nos identificamos.
    Por esse raciocínio, um gajo que defenda a pena de morte, por exemplo, o Pedro Arroja, caso cometesse uma crime de sangue tinha de ir para o “cadafalso”! É como este há muitos exemplos.
    Na minha democracia os ditadores têm tantos direitos como eu.
    A única coisa que eu faço é estar atento e não deixar que ele tome o Poder.
    Fora isso, deixa-o “cagar postas de pescada”!
    A única coisa que a AEFCHUL devia fazer, era aconselhar os alunos a não irem à palestra, deixando-o a falar para uma sala vazia.

    No filme francês, “Les uns et les autres” de Claude Lelouch, há uma cena no final do filme, em que um pianista e compositor alemão, apoiante do regime nazi, vai dar um concerto numa cidade do Canadá ou dos USA, dez anos depois do final da guerra. A lotação está esgotada para a estreia. E quando ele se prepara para entrar em cena, a sala está completamente vazia. E fica assim até ao fim do espetáculo.
    Os judeus compraram aquilo tudo e boicotaram-no.

    • Rui Naldinho says:
    • tá bem tá says:

      na verdade a sala não estaria vazia. há muito saudosista e há, ainda que nem sempre assumidos, neonazis aí espalhados. lembro-me de eles tentarem chegar a direcção da AE da faculdade de letras – andavam escoltados por meninos de sapato de vela e lacoste mas com a tatuagem “hammerskins” no pescoço. sabem que para pertencer a esse grupo tem que se cometer um crime de ódio?

  4. O João Branco, mas não temos todos credos?! Eles são perniciosas quando assentam na subjugação do Outro -Nós e fazem a apologia do Eu e das comunidades inspiradas por deuses ou ideologias supremas.

  5. Paulo Marques says:

    Ninguém o calou, quem paga o palco decidiu que não o podia usar, ele que encontre outro de quem o quiser pagar.

  6. tá bem tá says:

    joão branco, aqui discordo. o direito a falar, possui. de fazer a apologia do fascismo é que já é mais duvidoso, segundo a CRP. e a apologia do colonialismo, enfim.

    agora, não venham dizer que foi “censurado”. não foi. alegadamente houve umas ameaças de uns miudecos e alguem decidiu que nao havia debate. mal.

    tenho é a dizer ao sr. nogueira pinto que nos tempos que ele elogia, aí sim, havia ameaças sérias. e recentemente houve uma invasão do pnr à sede do livre. concreta. real. e houve as agresões de skinheads a militantes do pcp que saíam de um comício. concretas. reais. tudo isso com muito menos cobertura e vitimização do que hoje temos assistido.

    ai coitadinho do sr. nogueira pinto.

    dito isto, que se façam debates, que ele diga o que tem a dizer. e se cometer algum crime ao falar, que seja punido conforme a lei.

  7. Contra qualquer tipo de censura, eu defenderei sempre a liberdade dos idiotas falarem.

    O meu pai deu a vida por isso.

  8. Resposta: sim. em democracia, toda a gente tem direito a falar. Quem acha que não é, talvez, o próprio Nogueira Pinto e outros não-democratas, do mesmo ou de outros quadrantes ideológicos.

  9. O João Branco vai pedir a interdição do PCP?

  10. Tenho a certeza que Jaime Nogueira Pinto é muito menos fascista do que foi Humberto Delgado.

  11. Maria Lopes says:

    Posso não concordar com a ideologia do senhor, das suas ideias e do que ele pretende, mas cabe à Universidade, um lugar de aprendizagem, onde todos tem lugar, ouvir o outro lado. Não entendo que se melindrem tanto, numa sociedade democrática, calar alguém que não defenda os mesmos princípios. Pior, o Reitor perdeu toda a credibilidade. E perde a sociedade.
    Não gosto de “ismos”, mas também não gosto de mandar calar quem pensa de forma diferente da minha. O respeito pelos outros, começa numa sociedade que escuta, que aprende, que sabe dar lugar aos diversos tipos de pensamentos.
    Qual o problema em ouvir o que ele tem para dizer? Incomoda? Sim e muito.
    Desrespeito pelos que lutaram pela liberdade? Treta. O desrespeito começa pelo momento que somos incapazes de ver que os mesmos pelo contra os quais se lutou, ocupam os lugares de destaque na nossa sociedade.
    Se os meninos da AE acham que fizeram muito em prol da democracia, acabaram por sujar o nome da mesma.
    Discordem, debatam, refutem com argumentos válidos e inteligentes.
    Tendo eu a 4ª classe, consigo vislumbrar mais que um grupelho de gente tão documentada e de vistas tão curtas.
    Não, não concordo com o senhor, mas saber o que pensa e o que acha da vida, é uma forma de aprendizagem. Digo eu,
    Perde-se esta malta em jogos que em nada dignificam o nome da AE e da Faculdade.
    M. Lopes

  12. À semelhança do sr. Jaime Nogueira Pinto, é evidente que o regime que o sr. João Branco defende não é democrático.

    • Filipe says:

      “”” 3. Na página 165 do referido livro consta o seguinte texto: “Faço um parêntesis para falar de Fernanda Câncio”. Conheci-a no Expresso, onde ela começou a trabalhar como estagiária antes de se mudar para a Elle. Nessa altura namorava com Abílio Leitão, que também trabalhava no Expresso como copy desk e vivia em casa de um colega, onde Fernanda Câncio ficava também muitas vezes a dormir. Sucede que Abílio tinha um fetiche pela fotografia (aliás, viria a ser fotógrafo free lancer) e dedicava-se a tirar fotografias das relações com a namorada. E não tinha o cuidado de esconder as fotos, deixando-as a revelar em cima dos móveis. Um dia, a empregada que ia fazer a limpeza foi entregar ao dono da casa um maço de fotografias que tinha apanhado e que considerava impróprio estarem espalhadas pelo quarto. Devo esclarecer que nunca vi essas fotos, mas o episódio que acabo de relatar é autêntico, dada a fonte que mo confidenciou.”.”””

      Os tribunais tem de começar a fundamentar nos acórdãos igualmente para que o homem médio em Portugal perceba de vez a interpretação em tempo passados do Decreto 22469 , com o fim a identificar quem pode em Portugal utilizar a Liberdade de Expressão sem qualquer impedimentos , como exemplo * entre dezenas e dezenas de Blog´s e Páginas de Internet propriedade de Magistrados e Advogados , onde publicam artigos dos autos na totalidade , ainda que ao menos no sítio http://www.dgsi.pt apagam os nomes dos intervenientes .
      * http://www.inverbis.pt/2017/ficheiros/doc/pcautelar23019_16_5t8lsb.pdf

      Sendo que assim nem é preciso ler o livro pirateado na internet , adquirir no livreiro a custo ou procurar na Dark Web , os Senhores da justiça informam sempre o povo .

  13. Filipe says:

    “Human rights: EU adopts conclusions on EU priorities at United Nations human rights fora in 2017 ??”

    Há onze presos em Portugal pelo crime de injúria.

    http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-10-23-Ha-onze-presos-em-Portugal-pelo-crime-de-injuria

    Em Portugal tem existido sempre Liberdade de Expressão o mal afinal foi da Queda do Muro de Berlim , vejamos :

    1 . A Censura em Portugal foi um dos elementos condicionantes da cultura nacional, ao longo de quase toda a sua história. Desde cedo, o país foi sujeito a leis que limitavam a liberdade de expressão, primeiro, em resultado da influência da Igreja Católica, desde o tempo de D. Fernando, que terá oficiado ao Papa Gregório XI para que instituísse a Censura episcopal (ou censura do Ordinário da Diocese).

    2. António de Oliveira Salazar a dizer, nesse ano, que “Os homens, os grupos, as classes vêem, observam as coisas, estudam os acontecimentos à luz do seu interesse. Só uma entidade, por dever e posição, tudo tem de ver à luz do interesse de todos”. O decreto 22 469 é explícito ao instaurar a censura prévia em publicações periódicas, “folhas volantes, folhetos, cartazes e outras publicações, sempre que em qualquer delas se versem assuntos de carácter político ou social”.

    # The King’s Speech # ;

    “Nem sempre estou de acordo com as decisões do TEDH que não são a Bíblia. E no TEDH, neste momento, o peso de juízes vindos da Europa Central e de Leste é muito grande.

    Nesses países, durante anos e anos, não houve liberdade de expressão.

    Após a queda do Muro de Berlim, a liberdade de expressão tornou-se–lhes um valor absoluto. É um valor essencial da democracia. Mas não é absoluto. Temos, aliás, muito poucos valores absolutos a vida humana, por exemplo. Os outros valores têm de se movimentar dentro de uma certa relatividade. Aquilo que hoje está a acontecer com frequência é o TEDH tender a considerar a liberdade de expressão como um valor supravalor. Não pode ser. Liberdade de expressão, sim, mas sem ir por caminhos que colocam em causa outros valores.”

    Orlando Afonso
    http://visao.sapo.pt/actualidade/portugal/2017-03-04-Doisjuizesvalem-no-mercado-o-mesmo-que-um-gravador

  14. Filipe says:

    As Recomendações da Assembleia do Conselho da Europa

    Recentemente, a Assembleia do Conselho da Europa reconheceu expressamente a importância da liberdade de expressão no âmbito de uma sociedade democrática. Ainda em 2007, tendo esta instituição europeia apresentado a Resolução n.º 1577 (2007) , denominada “Para Uma Descriminalização da Difamação”, na qual se defende, entre outras coisas, que “a liberdade de expressão é pedra de toque da democracia. Onde não haja uma verdadeira liberdade de expressão, não pode haver uma verdadeira democracia. (…). O artigo 10.º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem garante a liberdade de expressão não só relativamente a informação ou ideias que são recebidas favoravelmente ou consideradas inofensivas ou indiferentes, mas também relativamente àquelas que ofendem, chocam ou perturbam. (…) Cada caso de prisão de um profissional da comunicação social é um entrave inaceitável à liberdade de expressão e implica que, apesar de o seu trabalho ser realizado no interesse público, os jornalistas tenham uma espada de Dâmocles sobre si. Toda a sociedade, no seu conjunto, sofre consequências quando os jornalistas estão amordaçados por pressões desse tipo. A Assembleia, consequentemente, entende que a pena de prisão por difamação deve ser imediatamente abolida. Especificamente, incita os Estados, cuja legislação ainda preveja a pena de prisão – apesar de a mesma não ser aplicada, a aboli-la imediatamente, por forma a não conferir desculpa, ainda que injustificada, àqueles que continuam a aplicá-la, provocando uma corrosão das liberdades fundamentais. (…).”

    Esta Resolução deu origem à Recomendação n.º 1814 (2007) , na qual se convidou o Comité de Ministros a incentivar todos os Estados membros a reverem as suas legislações, por forma a adoptar as orientações relativas ao crime de difamação, previstas naquela.

    O Comité de Ministros elaborou uma resposta na 1029.ª Reunião dos Delegados dos Ministros, que ocorreu a 11 de Junho de 2008. Na resposta dada, este Comité veio apoiar a adopção de medidas com o objectivo de remover qualquer risco de acusações abusivas ou injustificadas, o que não é, claramente, o mesmo que defender a descriminalização do crime de difamação. O Comité de Ministros considerou ainda que não é oportuno o desenvolvimento de regras sobre a difamação específicas para os Estados membros.

  15. atento às cenas says:
  16. Claro que tem direito a falar, evidentemente. Só num regime fascista as pessoas estão impedidas de expressar a sua opinião. Quem acha que só devem opinar as pessoas com quem está de acordo não é um democrata com toda a certeza.
    Abraço a todos

  17. Pergunto-me o que é que o diferencia dum fascista?

  18. Paulo Só says:

    Tudo isto é dar muita importância a esse cavalheiro, a começar pela associação dos estudantes da Nova. De qualquer maneira ele está todas as semanas a conversar com o Jaime Gama no Observador. Por acaso essa Associação se incomoda com a Escola de Negócios que a Nova vai abrir em Carcavelos, com cursos em inglês para os futuros donos de isto tudo, poderem estudar e surfar ao mesmo tempo? Nessa escola estarão os filhos dos atuais dirigentes das ex-colónias e os filhos dos nossos governantes, mais o gajos da Portugalidade, seja lá o que isso for. As vítimas da guerra e do salazarismo foram silenciadas há muito. Estamos na sociedade de consumo. Esse sujeito escrever uma porcaria de livro por mês, e dentro de 10 anos ninguém sabe quem era. RIP.

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  1. […] meu caro João, mas não posso de forma concordar contigo. Jaime Nogueira Pinto que nem sequer é um radical por […]

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