O jardim das delícias

Um dos mais belos e importantes exemplares da Pintura holandesa.

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Bosch é bom.

O vinho, as mulheres e o coiso

A metafísica é coisa complicada, pelo convém respirar fundo – e talvez beber um copo – para nos aventurarmos nas suas profundezas. É que a tese de Jeron Dijsselbloem segundo a qual os habitantes dos países do Sul – nós, portanto – andam de mão estendida à caridade dos povos superiores do Norte por estoirarem a massa toda em mulheres e vinho, levanta sérias perplexidades. É que “os do Sul” só podem ser, por razões que decorrem da mais elementar e hermenêutica, os homens, os varões. Isto porque andam a gastar dinheiro em vinho e mulheres. Para o Coiso, eles são o sujeito, elas e o tintol o objecto. Ora, sendo assim, fica-me a dúvida: o que andam a fazer as nossas compatriotas além de serem objecto da nossa meridional lascívia? Será que elas são ontologicamente diferentes, quiçá superiores a nós? Na verdade, lá dizia lord Byron que, entre os portugueses, as mulheres pareciam pertencer a uma espécie diferente dos homens, já que elas eram bonitas e eles feios. Claro que não se pode excluir a hipótese de algumas delas andarem também a beber uns copos e a gastar numerário com outras mulheres, que isto ou há igualdade ou comem – e bebem…- todos. Mas persiste a dúvida que nos atormente a alma: será que o ranhoso flamengo pensa que o mal é só dos homens sulistas e se propõe resgatar as respectivas mulheres das suas latinas garras? É que sabemos bem o que significa para esta corja “resgatar”.

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A tromba alheia e o desejo sexual

Segundo um estudo recente, o cérebro dos adeptos de futebol mostra sinais de “amor romântico”. Nada que já não soubéssemos há muito, tendo em conta as figuras tristes que fazemos quando assistimos a um jogo do nosso clube ou quando só vemos virtudes nos claríssimos defeitos da nossa agremiação amantíssima.

Como qualquer apaixonado, achamos piada a toda a graçola proferida pelo nosso presidente, pelo nosso querido treinador ou por um dos lindíssimos jogadores da nossa equipa, porque o nosso amado tem sempre graça. É, ainda, o nosso amor desmesurado que consegue ver num corte adversário uma agressão criminosa e um desarme estética e eticamente irrepreensível num varrimento cego do nosso central tão fofo.  É graças à mesma paixão que a mão com que o nosso atleta alcança o golo não é mão, porque todo ele é pé. [Read more…]

BCE ameaça de novo Portugal

Constâncio não regula bem.

Falar sobre o CETA em Portugal- mas a sério

Aprovado que foi o acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Canadá (CETA) pelo Parlamento Europeu no passado dia 15 de Fevereiro, irá entrar em vigor muito em breve – provavelmente a partir de 1 de Abril – a parte do acordo que é da “competência exclusiva da UE”. Atendendo a que se trata de um “acordo misto” – classificação arrancada à força à Comissão, que insistia no “EU only” -, é agora a vez dos 38 parlamentos nacionais e regionais da UE ratificarem o acordo. O governo português está mortinho por fazê-lo até ao verão, em conluio com os partidos da ex-PAF, chumbando, de cada vez que são apresentados, projectos de resolução do BE, do PCP  e do PEV contra o CETA.

Sendo irrisório o número de portugueses que têm conhecimento do CETA, a Plataforma Não ao Tratado Transatlântico vem, há anos, exigindo a realização de debates e a divulgação do acordo por parte dos media e do governo. Pois bem, eis a grande e rara oportunidade de alguns habitantes de três cidades do país ouvirem falar no assunto, no âmbito dos debates que o governo vai realizar, a saber:

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Quando falha a regulação dos bancos

Morreu a tartaruga que engoliu 915 moedas. “Banco” era a sua alcunha.

Atestado de incompetência

passado por Carlos Encarnação, antigo deputado e presidente da CM de Coimbra pelo PSD, ao insólito Pedro Passos Coelho:

Eu tenho muitas pessoas de confiança e nem sempre as escolho para as coisas. Foi assim durante toda a minha vida. A pessoa pode ter muita confiança na outra e ela não cumprir os requisitos para disputar uma eleição. O PSD não pode apresentar um candidato para disputar o segundo ou o terceiro lugar. O partido devia ter um candidato para ganhar. E essa tradição do PSD. Eu não vejo volta a dar em relação a isso. O candidato foi mal escolhido. O candidato não cumpre os requisitos para lutar pela vitória em Lisboa. Ponto final

O problema do PSD, nesta altura, é que um líder que está nestas condições não pode deixar de compreender que a única coisa que tem a fazer, para bem de todos, é pedir uma licença sabática e compreender que ele é um obstáculo

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