Decisões e homologações

Santana Castilho *

1 Porque nenhuma reforma se compadece com a duração de uma legislatura, o que se ensina e o modo como a escola se organiza para ensinar deveria ser fruto de um amplo entendimento partidário, que não dos impulsos de quem manda em cada momento. Apesar disto obter fácil aprovação geral, seria preciso muito papel e muita paciência para fixar em texto a sucessão de alterações que escolas, alunos e professores têm sofrido nos últimos anos. Mais ainda, a leviandade com que se decide afirma-se, ad nauseam, sem consequências, que não o gáudio dos levianos, a escravização dos professores e a instabilidade dos alunos e das famílias.

“Garantir a estabilidade do trabalho nas escolas, o que pressupõe reformas progressivas, planeadas, negociadas e avaliadas” é um fragmento frásico, promissor, que retirei da página 102 do programa do actual Governo. Mas mudar a pontapé a avaliação dos alunos, como fez o ministro Tiago Rodrigues, a meio do ano, com a trapalhada de os confrontar com três modelos distintos, garantiu estabilidade ao sistema? Mas as “alterações profundas”, que o secretário de Estado João Costa anunciou, virando do avesso os planos curriculares vigentes, são progressivas? Mas a pirueta que a secretária de Estado Alexandra Leitão deu, depois de ter afirmado que os professores da rede privada não podiam concorrer em paridade com os da rede pública, foi negociada com alguém? Mas quem avaliou a experiência da municipalização da educação, para que o Governo a generalize, porque sim? [Read more…]

Faz hoje um ano…

Rui Naldinho


Que muitos de nós, já estávamos a contar as horas para vermos sair pela “porta dos fundos” do palácio de Belém, o mais polémico Presidente da República da democracia portuguesa. E não digo o pior, porque esse julgamento será sempre feito pela História e não por um qualquer escriba armado em dono da verdade, que se queira substituir a ela. O enfadado Aníbal Cavaco Silva acabava assim o seu estágio remunerado de político não profissional, depois de vinte e dois anos a bulir em prol do Regime.

O ar que respiramos desde esse dia, parece ter ficado mais Aventar(ado), despoluído, fruto da (des)crispação introduzida na atmosfera politica pelos dons afectuosos do professor Marcelo Rebelo de Sousa. [Read more…]

Pão e Rosas

Um texto de João José Cardoso, publicado, no Endrominus, no dia 8 de Março de 2007.

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(imagem daqui)

O Dia Internacional da Mulher foi estabelecido a partir da data de uma greve de operárias nova iorquinas, em 8 de Março de 1857. Ou talvez não. Rezam algumas crónicas que patrões e polícias trancaram as mulheres dentro da fábrica, lançaram-lhe fogo, e 129 morreram carbonizadas.

Embora factos como este tenham sucedido mais de uma vez num século XIX liberal, quando os patrões faziam mesmo o que queriam, existe um misto de lenda e história na escolha da data.

Prefiro outra lenda, a do Pão e das Rosas, por vezes misturada com as do 8 de Março, que tem origem num poema com o mesmo nome da autoria de James Oppenheim, publicado em Dezembro de 1911, e oferecido às “mulheres do Oeste”. Está geralmente associado a uma greve do sector têxtil em Lawrence, Massachusetts, em Janeiro-Março de 1912, e que ficou conhecida pela Greve das Rosas e do Pão. A greve de Lawrence, que uniu dezenas de comunidades imigrantes foi, em grande parte, conduzida por mulheres. Muitos afirmam que, durante a greve, algumas das mulheres transportavam um cartaz que dizia Queremos pão mas também queremos rosas! Não existem provas fiáveis que o confirmem, e esta afirmação foi rejeitada por alguns veteranos da greve de Lawrence, provavelmente homens, está-se mesmo a ver.

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Cortar nas gorduras

No caso de Miguel Macedo concordo completamente. Sempre poderá vir a ajudar a pagar os processos (imagem: Visão).

Já agora, o título da Visão é um engodo, pois Macedo não está a receber a pensão devido, possivelmente,  a excesso de rendimentos. A pensão está, isso sim, atribuída e será paga se os rendimentos do ex-deputado passarem a ser inferiores a  1 263,96 euros (três vezes o valor do Indexante dos apoios sociais).

Dortmund

Ao fim de 3 décadas, voltou a ser o maior representante de Portugal na Europa do futebol. Força, Benfica!

La cible de la fachosphère et l’orthographe portugaise

Le Russe: Les modernes talents que je cherche à connaître

Devant un étranger craignent-ils de paraître ?

Le cygne de Cambrai, l’aigle brillant de Meaux,

Dans ce temps éclairé n’ont-ils pas des égaux ?

Voltaire

Ó Inácio, não sejas Inácio!

— Rodolfo Reis, 21/2/2016

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Hoje, há contatados.

Efectivamente, no sítio do costume.

Nótula: O excelente João Mendes aguarda com expectativa a reacção indignada de Ricardo Costa. Pessoalmente, aguardo, sem grandes expectativas, diga-se, que alguém pegue naquela *fachospéreenfie um agá exactamente entre o o pê e a vogal seguinte e aponte aquele acento com cê um bocadinho, só um bocadinho, para a esquerda, não, isso é para a direit…, sim, para a esquerda, isso, mais um bocadinho, exacto, mais para a… foi de mais…, agora, sim, OK, está bem assim, muito bem mesmo, aliás, está com óptimo aspecto: fachosphèreMerci bien.

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118.001 novos empregos

Não são 118 mil. Sim, efectivamente, António Domingues arranjou emprego.

Todos têm o direito à palavra

Desculpa meu caro João, mas não posso de forma concordar contigo. Jaime Nogueira Pinto que nem sequer é um radical por aí além, tem inteira legitimidade para expressar as suas opiniões. Olha, ele até pensa e defendeu a tese num medíocre programa de televisão, que Salazar foi o maior português de sempre. Uma enorme quantidade de imbecis concordaram com ele e não satisfeitos com a eleição do ditador, ainda foram eleger o aspirante a ditador, Álvaro Cunhal, como o 2º maior português de sempre. O que também revelou uma monumental ignorância sobre uma história quase milenar. No entanto jamais me passaria pela cabeça, mandar calar Odete Santos. É que entre o Tarrafal e um qualquer gulag, venha o diabo e escolha. Posso até brincar como fiz há dias, quando referi que Bernardino Soares considerou em tempos a Coreia do Norte uma democracia. Mas jamais defendi que o PCP deveria ser proibido ou ilegalizado. [Read more…]

Ainda agora a poeira começou a levantar 

Por duas vezes, há uns anos, o fisco tentou que eu pagasse coisas que já tinha pago ou que achava que estavam pagas fora de prazo. Como tinha os recibos de pagamento, nada paguei a mais. A justificação que me deram nas finanças é que, na dúvida, o fisco volta a pedir o pagamento. O ponto chave é na dúvida, a qual não existiu para os  milhões que foram para os offshores. Ainda muito há para saber quanto a este assunto. Mas, igualmente importante, é evitar que isto volte a acontecer. 

Devir

“Dos fundamentos da República (…) resulta com toda a evidência que o seu fim último não é dominar nem conter os homens pelo medo e submetê-los a um direito alheio; é, pelo contrário, libertar o indivíduo do medo a fim de que ele viva, tanto quanto possível, em segurança, isto é, a fim de que ele preserve o melhor possível, sem prejuízo para si ou para os outros, o seu direito natural a existir e a agir. O fim da República, repito, não é fazer passar os homens de seres racionais a bestas ou autómatos, é, pelo contrário, fazer com que a sua mente e o seu corpo exerçam em segurança as respectivas funções, que eles usem livremente da razão e que não se digladiem por ódio, cólera ou insídia, nem sejam intolerantes uns para com os outros. O verdadeiro fim da república é, de facto, a liberdade*”.

Bento Espinosa

*”A paixão que Espinosa coloca na origem última do Estado é, como faz Hobbes, o medo. Simplesmente, enquanto este considera que para afastar o medo recíproco que os homens têm uns dos outros é necessário que todos temam o Estado, o autor do TTP sustenta que a melhor forma de superar essa paixão é contrapor-lhe outra, a esperança, criando as condições para que todos possam, na medida do possível, ou melhor, do “compossível”, exercer em segurança a sua actividade. É a doutrina da Ética (IV parte, prop. 7): “uma paixão não pode ser reprimida ou contida a não ser mediante uma outra que lhe seja contrária e mais forte”. O verdadeiro fim do Estado não é, pois, como tantas vezes tem sido interpretado, fazer com que os homens usem da razão, mas sim que eles possam usar livremente da razão.”

Diogo Pires Aurélio

 

Evolução

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incógnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo…

Hoje sou homem ‑ e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade…
Interrogo o infinito e às vezes choro…

Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

Antero de Quental

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Aguarda-se, com expectativa, a reacção indignada de Ricardo Costa

No calor da polémica que envolveu a página de Facebook Os truques da imprensa portuguesa e o director de informação do grupo Imprensa, Ricardo Costa colou a página a Trump, Bannon e à “fachospére” (sic), acusando-os de quererem uma “imprensa subjugada”, como se grande parte dela não o estivesse já há muito. [Read more…]

É um tímido, como se constata semanalmente na SIC 

Marques Mendes requereu ao tribunal não ser ouvido presencialmente no caso Vistos Gold.