Postcards from Greece #7 (Thessaloniki)


Os gatos de Salónica

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Nunca vi tantos gatos em toda a parte, numa cidade, como aqui em Salónica. Os gatos parecem ser omnipresentes. Bem tratados pelos residentes, como estes aqui da rua, a quem vários vizinhos colocam comida e água, são amistosos e amáveis e deixam-se acariciar. Ou pedem mesmo carícias. Gostam de pessoas, por estranho que pareça, e querem – na maior parte das vezes – apenas mimo.
 

Hoje contemplei os gatos aqui da rua. Como disse noutro postal são muitos. Contei 8 juntos, outro dia, mas na verdade hoje descobri mais uns quantos, novos. A casa onde estou fica num rés-do-chão de uma rua muito estreita e bastante escura. Incomoda-me a falta de luz e a humidade, confesso, entre outros pequenos problemas que encontrei entretanto. Mas basta-me ir à pequena varanda, para ficar animada, com as correrias dos gatos. Vejo como entram e saem livremente da pequena oficina de motos, quase aqui em frente. O dono da oficina faz-lhes muitas festas, especialmente a um gato preto jovem e muito luzidio. Bem bonito por sinal, mas isso são quase todos os gatos que conheço. Os gatos passam o tempo nesta correria entre a oficina e a rua. Repousam à vez na cadeira que o homem tem sempre diante da porta ou brincam com caixas e sacos e vasos e uns com os outros. Há gatos com grandes bigodes muito brancos, que lhes conferem um certo ar de realeza. Outros são franzinos e olham-nos com grandes olhos redondos. A rua Evripidou é o paraíso dos gatos de Salónica.
 
Os gregos, ao que parece, adoram gatos e não se vê realmente, um gato magro ou maltratado. Parece que a convivência entre gregos e gatos tem mais de 2500 anos. Dizem que o amor dos gregos pelos gatos foi importado do Egipto, ora por se considerar que tinham poderes mágicos, ora pela sua evidente utilidade em acabar com os ratos. A verdade é que, apesar da sujidade das ruas de Salónica e do lixo amontoado junto aos contentores, ainda não vi um ratinho que fosse. Eis um do mágicos poderes dos gatos.
 
Outro, como já disse, é distrair-me a cada vez que vou à varanda fumar um cigarro. Distraem-me de alguns problemas que encontrei aqui nesta casa, também já o referi. Por isso hoje fui ver outra casa, na expetativa que fosse melhor. É, efetivamente mais agradável, num terceiro andar, com uma vista sublime sobre a Igreja de São Demétrio (Agios Demetrios), com bastante mais luz e apenas a um quarteirão daqui. Ando em negociações com o airbnb para ver o que acontece. O único senão da casa de onde se vê a igreja do santo-guerreiro é não poder ter estas relações de proximidade com os gatos e perder as suas correrias e o seu olhar cheio de magia. Mas Salónica está cheia de gatos, de certeza que encontrarei outros que me permitam generosamente contemplar a sua graça.
 
(por razões óbvias, este postal vai dedicado aos amantes de gatos que conheço, especialmente à Carmo e à Rita)

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