Postcards from Greece #17 & #18 (Thessaloniki)


Salónica sob o sol e φιλοξενία (filoxenía)

 

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Salónica com sol torna-se uma cidade francamente mais bonita. A começar pela paisagem das minhas janelas, que é, como já se sabe, basicamente a lindíssima igreja de São Demétrio. Quando está sol, como tem estado nos últimos dias, a torre dos sinos, que hoje por exemplo tocaram duas vezes, por coincidência e para meu prazer, enquanto eu fumava à varanda, torna-se mais bonita ainda, sobre o céu azul. Também o fórum romano parece mais interessante, e o plátano que se ergue no centro da pitoresca praça Athonos parece mais verde, apesar de conter já todas as cores do outono. A Praça Aristóteles fica mais povoada e os navios, no golfo, logo ali, parecem preparar-se para entrar pela praça adentro, como se fosse natural. E o mercado Karpani, onde fui hoje, parece explodir ainda mais em todas as cores, nas frutas, nas flores, nas especiarias, nas roupas, em tudo o que organizadamente se vende e se compra por ali.

Também a quinta da Faculdade de Economia Agrária, um pouco afastada do centro da cidade, estava ontem vestida de sol e de outono. Fui dar um Seminário aos alunos de Mestrado em Economia Agrária, nas disciplinas de Métodos e de Sociologia Rural, ambas lecionadas pela Maria. A Roula veio buscar-me e também ficou para o Seminário, trazendo-me de volta à cidade. E fui recebida com a φιλοξενία (filoxenía) habitual dos gregos. à saída os alunos agradecem muito. Durante o seminário, participaram também muito, interessados. Os gregos são talvez um povo ainda mais hospitaleiro e simpático para com os forasteiros do que nós, os portugueses, gostamos de pensar que somos. Têm uma palavra especial para isso, para essa hospitalidade e simpatia. Aquela que escrevi ainda agora, justamente: φιλοξενία/ filoxenía. Filoxenía, na verdade, quer dizer bastante mais do que simplesmente hospitalidade. Significa antes uma grande generosidade. E os gregos têm, julgo eu, orgulho nesta sua característica. Ainda há uns dias o Giorgios, que foi quem primeiro me falou nesta palavra, dizia que só os gregos são assim. Não tenho a certeza disto. Mas sem dúvida que praticam a filoxenía sempre que podem. E, portanto, aparentemente, também o clima tem sido hospitaleiro, simpático e generoso comigo, uma estrangeira, praticamente desde que cheguei.
A filoxenía dos gregos é tão verdadeira que até o senhor da casa anterior, aquela que tinha os bicharocos que me picaram, me devolveu o dinheiro sem que eu lhe pedisse nada, quando me queixei. Também me pagou as despesas extra resultantes das picadelas, lavagem da roupa e desinfeção incluídas. Assim, sem mais nem menos. Claro que a filoxenía dele não justifica ou desculpa que o sofá estivesse infestado de bichos, mas… digamos que o que ele fez depois seria difícil de acontecer em Portugal, pelo menos do mesmo modo.
Há exceções, obviamente, a estas simpatia, hospitalidade e generosidade dos gregos. Mas são isso mesmo, exceções. Porque, em geral, se tivesse que usar uma palavra para caracterizar a Grécia, e agora que conheço esta, seria exatamente esta que usaria: φιλοξενία. E esta filoxenía também acrescenta beleza e luz a Salónica, naturalmente, para além do bom tempo que entretanto tem feito.

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