Postcards from Greece #19 (Thessaloniki)


Πόλη / Póli/ Cidade

 

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Há uma estátua, que eu considero muito bonita, na praça Agias Sofias, chamada Cidadãos. Ou Πολίτες/ Polítes. É do escultor Manolis Tzobanaki e mostra três pessoas que lêem o mesmo jornal. A estátua homenageia os cidadãos de Salónica, uma cidade que é grega apenas há 105 anos. Antes era turca e isso nota-se muito, nos monumentos, nos mercados, nos jardins, entre outros aspectos que por serem resultado de uma observação mais subjetiva, não vou mencionar, à exceção do estilo de vida que me parece mais descontraído do que o da generalidade das outras cidades europeias que conheço. De qualquer modo, voltando à estátua dos Cidadãos, ela ergue-se mesmo em frente ao portão da igreja de Agias Sofias, ou Santa Sofia que muitos dizem ser anterior à sua homónima de Constantinopla ou Istambul, conforme preferirem. Não conheço (ainda) esta última. A de Salónica conheci-a hoje, apesar de já a ter visto ao longe muitas vezes, quando passava na Egnatia, uma das principais avenidas da cidade. Gostei da igreja, que é, aliás, património mundial da humanidade, mas confesso que preferi a estátua aos cidadãos. Agias Sofia não é muito diferente de muitas outras (e são realmente muitas outras) igrejas de Salónica e como muitas delas tem claramente um estilo bizantino e foi convertida em mesquita, depois da conquista da cidade pelos turcos. A estátua de que gosto muito apenas existe desde 1987.

A igreja de Agias Sofias (Santa Sofia ou Santa Sabedoria) está numa zona muito movimentada da cidade, um ponto de encontro (como a praça de Aristóteles um pouco mais à frente ou como outras praças da cidade) para os cidadãos, nos seus múltiplos cafés e bares. Abaixo da praça, na direção do mar, encontramos uma das zonas mais chiques, em termos de comércio, da cidade. Na rua Mitropoleos, na Ermou e também na estreita e bonita Proxenou Koromila encontramos lojas de alta costura, cafés e lojas de comida gourmet, pequenas livrarias especializadas. Vê-se que por aqui habitam as pessoas de uma classe média alta. Vêem-se mais carros topo de gama, na parte da Leoforos Nikis que se alcança daqui. O golfo de Salónica parece até mais azul, com os sempre etenos navios a flutuar na linha do horizonte, como se de repente céu e mar deixasse de ter uma existência própria e se confundissem para a eternidade.
Da praça Agias Sofias, onde cheguei descendo, desde a Agiou Dimitriou, a rua com o mesmo nome, Santa Sofia, desci a Iktinou, uma pequena ruazinha pedestre, cheia de bares com muito bom aspeto e coloridos. Estava sol, como tem estado desde há uns dias, e as folhas das árvores dançavam com os raios de sol. Chegada à Mitropoleos virei à direita para ver de perto a branca e cor-de-rosa e Sagrada Igreja Metropolitana de São Gregório, onde encontrei um belo gato preto entre os arbustos. Voltando à rua Agias Sofias e no cruzamento desta com a Proxenou Koromila está o Museu da Luta do Povo Macedónio, já fechado, porque já passa das duas da tarde. Aqui os museus, e tudo aliás, fecham cedo. Mas este fecha ainda mais cedo. De facto, o seu horário de funcionamento é das 9h às 14h. E pronto. Lá ficará para outro passeio mais cedo. Tinha lido que na rua Proxenou Koromila ficava uma pequena livraria de viagens a Travel Book Traveller. e por isso continuei a andar e a admirar as pequenas lojas disto e daquilo, tudo com imenso bom aspeto, deve dizer-se. Infelizmente a livraria parecia que ia fechar. Estavam pessoas lá dentro e muitas caixas e na montra um papel anunciava que o espaço se arrendava. Cheguei tarde, também, portanto. Na montra da livraria um grande mapa de Itália e por cima um cartaz anunciava uma viagem através de cada país do mundo. Fiquei triste com o aparente encerramento permanente de uma livraria que promete isto. Mas continuei a andar e encontrei outra pequena livraria, cheia de livros gregos e em grego, se excetuarmos duas pequenas prateleiras de autores gregos traduzidos em francês e, sobretudo, em inglês.
A livraria ficava na Chrisostomou Smirnis, também ela cheia de lojinhas e cafés upper class. Subo a rua até chegar à Tsmiski, que atravessei para a Lordou Vironos e cheguei ao Complexo do Palácio de Galério. As ruínas do palácio de Galério parecem bem conservadas para coisa com 1600 anos, mas à volta tudo parece mal amanhado. Tinha definitivamente saído da zona chique da Póli e chegado a uma zona, digamos, mais alternativa e, infelizmente, bastante menos cuidada. As ruínas do palácio estão a esta hora entregues aos gatos. Aquilo que é ou era a receção está cheio de pó e lixo. A Praça Navarinou tem o mesmo ar mal amanhado, embora pitoresco. Há uma fonte com uma estátua representando uma criança, onde há água e grafitis. Alguém pendurou muitas latas de cereja num arbusto, como se fossem enfeites de natal. Dois sem abrigo fumam sentados num banco. Saio da praça, depois de ver mais gatos atrás de corvos, nas ruínas do complexo de Galério e subo a Gounari até ao Arco de Galério, com aproximadamente a mesma idade das ruínas. Um milagre ter chegado quase intacto aos nossos dias. Talvez tenha sido a virgem maria ali da igreja de Panagia Dexia, onde entra uma senhora toda vestida de preto, ajudada por uma bengala, a fazer o milagre. De qualquer maneira, o arco é estupendo, tal como o é o templo romano logo ali atrás, a Rotonda, também ela tansformada em mesquita durante a ocupação turca da cidade. Infelizmente, também a Rotonda não pode ser visitada. As visitas acabavam às 15h45 e já eram 17h. Mais uma visita adiada para outro dia qualquer. Tenho tempo. Acho eu.
Em toda a parte pessoas, muitas. Salónica é uma cidade movimentada, tanto na parte mais chique e bem cuidada, junto ao golfo, como na parte mais alta, popular e muito menos cuidada, mas com um desalinho a que me vou definitivamente habituando. Bebi um café e comi uma fatia de bolo de laranja num café na praça atrás da Rotonda, mas antes ainda encontrei mais 3 gatos. Depois subi a rua Kiriakou Manolaki até à Agiou Dimitriou, que percorri até encontrar a Agiou Nikolaou, onde vivo agora, neste terceiro andar, do número 6, com vista para outra igreja que é património mundial da humanidade.
Foi um bom dia nas cidades que há dentro de Salónica.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Agias Sofias (Santa Sofia ou Santa Sabedoria)

    Eu diria que é “sagrada sabedoria” ou “sabedoria sagrada”. Não se refere a nenhuma mulher chamada Sofia, mas sim à sabedoria que, segundo ensinam os padres nas igrejas, é a capacidade de distinguir o Bem do Mal. É portanto uma “sabedoria sagrada”.

  2. Pedro says:

    Elisabete, eu não sei se estará correto dizer-se que Salónica “antes era turca”. Durante séculos, desde o século XV, quase todo o território da Grécia, incluindo Atenas, esteve sob ocupação otomana. Nesse sentido, ter-se-ia de dizer igualmente que antes Atenas era turca.

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