Abriu a caça ao funcionário público!

O portuguesinho tem um odiozinho pelo funcionário público, mesmo que goste da ideia de ter uma administração pública com qualidade (de preferência, sem funcionários públicos, gente desprezível e vil). Esse odiozinho nasce da ideia de que o funcionário público trabalha pouco (tem um horário de trabalho), ganha acima da média (na administração pública, há uma enorme percentagem de trabalhadores com formação superior) e tem demasiados direitos (e o portuguesinho prefere que os outros percam direitos a lutar por ter os mesmos).

O liberaloidismo socrático-passista, descendente directo dos cavaquismos, conseguiu impor a ideia de que o salário de um funcionário público é crime de lesa-pátria, quanto mais a recuperação de congelamentos sobrepostos. A opinião pública, influenciada por muita publicada, revolta-se. Os padres do regime, estrategicamente colocados nas televisões, falam em “reformas estruturais”, eufemismo que corresponde ao despedimento de funcionários públicos, à privatização de recursos públicos e ao cultivo de baixos salários em nome de défices e em benefício do poder financeiro e empresarial. Hoje, tudo isso está entranhado em consciências e em inconsciências.

Depois de vários anos de recuo salarial, com carreiras congeladas e cortes salariais, estão criadas as condições, contudo, para que não se faça justiça, com o apoio de um país inteiro e de uma maioria da Assembleia da República. João Galamba, uma criação de Sócrates, já deixou no ar a ideia de que poderá não haver aumentos salariais em 2019 e Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se preocupado com o possível eleitoralismo do Orçamento de Estado, mesmo que algumas classe profissionais possam ter razão nas suas reclamações. Louve-se Catarina Martins, por afirmar o óbvio: existe estagnação salarial. Está aberta a caça ao funcionário público.

 

Comments

  1. Ernesto martins Vaz Ribeiro says:

    Concordo em linhas gerais, discordando da classificação “liberaloidismo socrático-passista” por considerar incompleta a classificação, já que o “Costista” não pode escapar à mesma.

    A única coisa diferente de Costa em relação ao que tenho visto, é o facto de vir distribuindo umas migalhitas de 5 euros por mês a muitas pessoas a quem foram retirados direitos essenciais.
    Mas não vejo que se pretenda regular e resolver o problema das verdadeiras vigarices financeiras a que assistimos ano após ano.
    A protecção a Salgado, Oliveira e Costa continuam. Oliveira e Costa foi condenado a 14 anos, mas a justiça “zarolha” e “cegueta”, mantém-no em casa. Os amigos dos políticos continuam a gozar de liberdade (o caso de Armando Vara, é outro escândalo).

    Vejo grandes bandeiradas de pagar a dívida à custa do nosso dinheiro, mantendo quem roubou na mais completa liberdade. Uma vergonha.
    E depois disto querem-me convencer que Costa é diferente dos outros?

    O “Arco da Governação” é constituído por um grupo de vampiros que mudam o discurso, mas continuam nas mesmas práticas de fundo. Sublinho de fundo, porque dar migalhas é superficial.
    de reduzir à expressão mais ínfima.Os funcionários públicos são apenas mais uma peça do puzzle que os Galambas do “Arco da Governação se encarregarão de reduzir à expressão mais ínfima.

    Siga a festa … agora apoiada por partidos que se dizem de esquerda e que, até agora diziam do PS o que Maomé não disse da Bíblia.
    O poder é terrível ….


    • “Siga a festa … agora apoiada por partidos que se dizem de esquerda e que, até agora diziam do PS o que Maomé não disse da Bíblia.
      O poder é terrível ….”

      No meu modesto entendimento, “os partidos que se dizem de esquerda” vão apoiando o PS porque de outra forma teríamos eleições antecipadas (coisa que não é desejável), ao mesmo tempo que, com muito mais tempo de antena do que antes, vão clarificando o eleitorado acerca das suas propostas e o quanto seria diferente se tivessem “mais peso” na AR.
      Por isso, estou convencida que quanto mais os “Galambas” abrirem a boca, mais à sua esquerda se vai “facturando”.
      Até prova em contrário, acredito mais nesta esquerda que em todos os outros, e é por isso que o meu voto continuará a ser do BE!

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Cara Ana A.

        Costuma dizer-se que quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.
        Independentemente dos qualificativos mais positivos que se possam fazer a esta esquerda – e creio ter sido claro no texto que escrevi – enquanto o seu conceito de Justiça for o mesmo que o do PSD, CDS, isto não é esquerda nenhuma, mas o “Arco da Governação” que nos vem depenando há 40 anos.
        Ganhámos muito com o 25 de Abril e poderíamos ser um país modelo se não fossem estes vampiros armados em democratas que obrigam o povo a pagar os desmandos dos amigos.
        E note: não está em causa a separação de poderes. Está em causa, justamente, a não separação de poderes, pois a justiça actualmente, faz as vontades a esses crápulas. E por isso eles com penas lavradas, continuam a gozar com a nossa cara.
        Sabe o que me espanta com a dita esquerda portuguesa, BE e PCP: é o silêncio, porque como se diz na minha terra, tão bom é o que rouba, como o que fica à porta.

        Faz muito bem em ser apoiante do BE. É um direito. Eu também era, até ver as políticas de seguidismo que eles e o PCP estão a efectuar. Não chegam as boas intenções.
        Falta a esta gente o arreganho de outrora.


        • Concordo com a falta de arreganho, mas espero que depois desta experiência com a “geringonça”, o eleitorado não se acomode e comece a ficar mais exigente!
          Teremos que ser nós a forçá-los a “ser ou não ser,…”

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Cara Ana A.
            Eu sou mais exigente e por isso, até prova em contrário essa gente não vê mais o meu voto.
            Espero é que eles percebam as águas onde navegam. Por mim, honestamente, estou a começar a vê-los a chafurdar no pântano.


      • Ana A., de acordo consigo envio artigo de hoje da nossa Mariana Mortágua que certamente já conhecerá mas aqui fica como complemento importante a todos estes comentários…..

        https://www.jn.pt/opiniao/mariana-mortagua/interior/as-vistas-curtas-do-partido-socialista-9083325.html

    • Bento Caeiro says:

      Desculpa lá, Ernesto Ribeiro, mas a frase é: “o que nem Maomé disse do toucinho”. Na forma como é apresentada, se referida à bíblia, o sentido muda e a tua observação assume carácter inverso do pretendido.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Não percebi caro Bento Caeiro.
        O que eu escrevi é que durante anos ouvi o BE e o PCP a falar do PS praticamente da mesma forma que falavam do PSD ou seja de uma forma muito pouco simpática, muito críticos, acusando-os de fazer política à “esquerda”, piscando o olho à direita e alinhando a maior parte das vezes com ela.
        O exemplo mais acabado foi Mário Soares, com as cedências todas que acabou por fazer ao longo dos anos.
        Agora… é silêncio a maior parte das vezes.
        Sinceramente, não me apercebi de ter mudado o sentido do que pretendia dizer 🙂

    • Paulo Marques says:

      Era a gerigonça ou o bloco central. Ou pior, o Coelho, seja o de Lisboa ou o do Porto.
      A esquerda critica mais o governo do que o que diz, seja no SIRESP, na saúde, na lei laboral, na austeridade, na resolução bancária, nas fantasias sobre a eurolândia, e por aí fora. Se não recebe a mensagem, mude de emissora.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Já percebi, há muito tempo, que na esquerda funciona a teoria do mal menor… Tal como na direita.
        Eu não penso dessa forma e a exigência que devemos manifestar, não se coaduna com aceitar situações que nunca se aceitariam à direita, mas que o PS aceita.
        Portanto sobre mensagens e emissoras, já percebi quais são as suas que não é muito diferente das emissoras e dos agentes do futebol e que agora atacam aqui no Aventar.
        E note que até sobre a corrupção se consegue manifestar comiseração, se se passar no nosso clube. Nos outros, é crime.
        Estamos numa sociedade em que tudo é “futebolizado”, no mau sentido do termo.
        E a sua achega final que me permito transcrever : ” Se não recebe a mensagem, mude de emissora”, demonstra bem como se pensa em Portugal onde o pensar pela própria cabeça é um acto de surrealismo
        Cumprimentos.

        • Paulo Marques says:

          É o que lhe digo, não aceita, mas não quer dizer que não se possa trabalhar com eles para fazer o mínimo. É isso, as críticas ao PS e à eurolândia a que está subjugado que você não recebe.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Recebo, recebo… Recebo, mas sujeito o que ouço ao meu crivo que é como quem diz, penso pela minha cabeça.
            Recebo, digiro, mas não engulo e essa é a grande diferença.
            Não nos podemos conformar com políticas que criticam, mas que deixa tudo na mesma..
            Onde já se viu um BE e um PC tão macios?
            Acho que não vale a pena “desenrolar” o filme do passado para se verem as diferenças…

  2. António Fernando Nabais says:

    Não fui muito claro, como parece evidente pelo seu comentário, mas é claro que o Costa é um continuador bonacheirão do referido liberaloidismo, ou não fosse o Galamba uma das ligações evidentes entre o actual PS e o de Sócrates, ou seja, o PS.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Em todo o caso, percebi perfeitamente a sua mensagem e estou, no geral, totalmente de acordo.
      Cumprimentos.

  3. Luís Lavoura says:

    O portuguesinho tem um odiozinho pelo funcionário público, mesmo que goste da ideia de ter uma administração pública com qualidade

    Esta frase parece identificar os funcionários públicos com a administração pública.

    Ora, a imensa maioria dos funcionários públicos não tem absolutamente nada a ver com a administração pública. A imensa maioria dos funcionários públicos são professores, enfermeiros, médicos, e restante pessoal da Sáude e da Educação. Gente que não administra coisa absolutamente nenhuma.

    • Pedro says:

      Oh Man! Luis Lavoura, a sua interpretação é… como dizer… peculiar. Nunca pensei que alguém ainda não soubesse o que é a Admnistração Pública, um conceito mais do que assente e pacífico, cujo núcleo não varia. Mas aqui uma forma de definição:
      « Ensemble des unités institutionnelles dont la fonction principale est de produire des services non marchands ou d’effectuer des opérations de redistribution du revenu et des richesses nationales. Elles tirent la majeure partie de leurs ressources de contributions obligatoires.

      https://www.insee.fr/fr/metadonnees/definition/c1244

      Mas em que estrutura do Estado colocaria então os médicos e professores? Note que tem de ir à Constituição, porque isto não é um “achismo”.

  4. António Fernando Nabais says:

    Isso poderia ser apenas um preciosismo, mas, na realidade, é uma interpretação demasiado fechada de uma expressão que inclui também a função pública ou corresponde, no uso, à função pública. Muito haveria a dizer sobre o assunto, mas transcrevo-lhe aqui uma das acepções do “Dicionário da Academia”: 6. Conjunto dos funcionários dos serviços públicos.” Veja, ainda, a classificação escolhida por dois jornais para as notícias sobre a função pública: https://www.publico.pt/administracao-publica e https://www.dn.pt/tag/administracao-publica.html.

  5. Ricardo Silva says:

    A caça ao Voto do Funcionário Publico existe desde que há eleições burguesas.

    • Ohnidlan Iur says:

      Os poderes vigentes na República transferiram ao longo das últimas duas décadas uma série de serviços mais ou menos indiferenciados, para o sector privado, os quais chamamos de “Outsourcing”.
      O mercado de trabalho está hoje, cheio de empresas, em inúmeras áreas de atividade, desde a segurança estática, transporte de valores, alimentação nas escolas, fornecimento de economato, secretariado em Hospitais, distribuição do correio, enfim, milhares de tarefas que outrora foram efetuadas por funcionários públicos ou empresas estatais, ou ligadas a ele por decisão política, como foi por exemplo o caso da TAP, durante a Guerra colonial e as Companhias de Navegação. Mesmo a SONAP, a SACOR, Metalúrgica Duarte Ferreira, Hidrelétricas, etc, eram controladas em boa parte pelo estado, dado o seu valor estratégico.
      A questão que eu coloco é se hoje estamos mais bem servidos do que outrora, onde essa malandragem pugnava sem se preocupar com o desgraçado do contribuinte, essa figura sinistra que está gostem ou não muito mais ligada aos sectores regulados do que aos não regulados, como é o caso do funcionário publico, ou desse grandes grupos empresariais.
      O “azedo” de estimação que vem crescendo nos últimos anos para com o funcionário público, mas não só, tem muito mais a ver com a enorme deslocalização de recursos para o sector privado, com claro prejuízo dos seus trabalhadores, que vêm reduzido o seu pecúlio, mas pior ainda com uma péssima prestação de serviço. Por outro lado, alguns sectores outrora relativamente bem pagos, mesmo com quadros superiores e médios, têm-se proletarizado com enorme rapidez.
      É óbvio que a culpa é do funcionário público, até ao dia em que estes escassearem, e, quando todos estivermos mal servidos, aliviaremos em definitivo o nosso preconceito contra esta estirpe de gente, que hoje, já é em boa parte contratada a termo certo, e com direitos iguais aos dos outros.
      Não há nada melhor que nos nivelarmos pela base.
      O que seria dos ricos, sem os pobrezinhos!

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