Sarkozy é de esquerda

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Existe uma certa direita, primária e estupidificada, representada em Portugal por sites de fanáticos acéfalos como o Direita Política, que associa frequentemente todo e qualquer ditador ou terrorista ao socialismo, ao marxismo ou a qualquer outra corrente de pensamento que se mexa à esquerda. Um evento permanente de degustação de gelados com a testa.

Claro que, quando o ditador ou o terrorista não é passível de ser associado à esquerda, deixa automaticamente de ser ditador ou terrorista. Por exemplo, Pinochet não foi um ditador. Pinochet era um conservador. Como conservadores são os governantes polacos e húngaros, que tanto têm feito pela liberdade de imprensa, de expressão, pela separação de poderes e pelos direitos humanos. O mesmo se aplica a corruptos. Lula da Silva é corrupto, Michel Temer é conservador, logo não pode ser corrupto, porque é conservador e conservador é bom.

Serve o introito para vos dizer que, a partir de hoje, e mais ainda caso se prove que Sarkozy foi mesmo financiado por Kadhafi, que terá injectado 50 milhões de euros na campanha que levou à sua reeleição de 2007, o ex-presidente francês passará a ser oficialmente de esquerda, porque um homem de bem (ou seja, de direita), principalmente um conservador, liberal e democrata cristão que fundou um partido afiliado ao PPE, nunca se deixa envolver com patifes que financiam políticos corruptos e sem escrúpulos com dinheiro sujo de sangue das vítimas de uma ditadura sanguinária. Isso é coisa de esquerdalhos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Apesar da direita e alguns dos seus comentadores, na “jornaleira” falada e escrita do costume, quererem convencer-nos de que os corruptos estão quase todos numa certa esquerda, a verdade é que é na direita que gravitam as verdadeiras sanguessugas do regime. Sempre foi assim, e sempre assim será, não fosse esse o seu ADN.
    Mas há uma coisa do qual eu não me esqueço. Sócrates afirmou em tempos, algures numa entrevista ao Expresso, que se revia muito mais na personalidade de Nicolás Sarkozy, do que na de François Hollande, apesar de ser secretário geral do PS e Primeiro Ministro.
    Só consigo chegar a uma conclusão. Aquele estágio feito ainda muito novo na JSD, foi fatal para o seu percurso político.

  2. Paulo Marques says:

    Há filhos da puta bons e filhos da puta maus, qual é a novidade?

  3. Bento Caeiro says:

    Esquerda, direita no actual contexto civilizacional são formas muito simplistas de classificar e caracterizar as pessoas e o seu pensamento e acção – aliás, até, não estou convencido que alguma vez o tenham conseguido fazer adequadamente. São apenas generalizações que pretendem enquadrar em categorias as mais diversas visões do mundo, as quais são muito mais ricas e complexas que as referidas arrumações de carácter doutrinal, em termos de esquerda e de direita.
    Só para dizer que a ditadura tanto se dá pelas categorias da esquerda como pelas de direita, assim como a corrupção e os abusos de poder. Pela simples razão que são formas de apropriação e exercício de poder por alguns poucos em detrimento e contra uma maioria da população.
    A questão põe-se nos fundamentos invocados – usualmente de esquerda ou de direita – quando são tão somente ditaduras exercidas com o apoio de determinados estratos sociais e seus interesses, convenientemente arregimentados para o efeito. Mas sempre sob o signo da intolerância e da exclusão do outro, por diferente. Se estes estratos sociais são mais elevados, remetem-nos para a direita; sendo estratos menos elevados, para a esquerda.
    No entanto, mesmo que invoquem, à partida, a defesa de situações divergentes, a médio e a longo prazo – em termos de justiça social e de desenvolvimento – ambas as situações serão prejudiciais a todos. Para além da violência em que assentam estas formas de governo sobre a população em geral – com exclusão, para ambas as situações, de uns poucos privilegiados.
    Tais são os casos das ditaduras ditas de direita como as ditaduras ditas de esquerda – grandes fornecedoras, ambas, de pessoas para as prisões. Veja-se o caso Português, Espanhol, Chileno, A URSS de Staline, Cuba, Venezuela e tantos outros. Contudo, mesmo apresentando-se sob bases ideológicas e programas distintos, num princípio estão de acordo: o Estado, enquanto tal, deverá ser colocado ao seu serviço – mesmo que digam o contrário. Uns despindo o Estado das suas funções e apropriando-se delas, para os seus fins – transformando estes em negócios rentáveis – por aquilo que designam como de iniciativa privada; os outros mantendo estes serviços no Estado, mas vivendo à custa e à sombra de empresas e serviços que – quase sempre, deficitários – continuam a fazer parte do Estado.
    Contudo, porque nos fins são semelhantes, em caso de dificuldade – empresas privadas ou estatais – vêem sempre como último recurso ou tábua de salvação, o Estado. Veja-se o caso da banca privada e não só, assim como das empresas estatais e não só.
    Ambas, e qualquer uma destas situações, são inimigas de um estado social forte e desenvolvido, a conseguir com a adesão e participação activa da sua população. Não, da forma como alguns o quiseram fazer, tal como se viu com o falhanço dos regimes ditatoriais – de direita ou de esquerda.

  4. www.supremeeletronic.com.br says:

    Bento Caeiro:Belíssimas palavras, este é um resumo de nossa situação atual.

  5. Aparecida says:

    Os muçulmanos serão os donos da Europa.

    Os Gays serão exterminados na Europa pelo Islã.

    • Paulo Marques says:

      Tão pouca fé. Porque não por Erdogan, Kaczyński ou Orbán? Ou na América, pelo futuro presidente Mike Pence?

    • João Mendes says:

      A mar abrir-se-à ao meio e o Kraken comerá todos os infiéis ao pequeno-almoço.

      Quem ousar pensar será executado pelos Gladiadores do Altar, montados nos helicópteros pagos pelos palermas aos charlatões da IURD.

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