A tempestade

Nelson Zagalo

Faz hoje exatamente um ano que aconteceu a tragédia do incêndio do Pinhal de Leiria que arrastou toda a zona centro e chegou à Galiza. Na altura, foi o caos com a eletricidade, as redes móveis, assim como o apoio da Proteção Civil, para não falar dos media. Nessa altura, tanto rádio como imprensa online (TV não adianta falar), pouco ou nada ajudaram, nem antes, nem durante, nem depois. Porquê? Porque não era em Lisboa nem Porto, e no resto do país mais uma vez era fim-de-semana e não acontecem notícias ao fim-de-semana para se reportar na imprensa e rádio regionais.

Este ano, repetiu-se todo o mesmo panorama. Quem ouvisse as rádios na altura da entrada do furacão em terra na Figueira da Foz, com impacto até Aveiro e Coimbra, ou tentasse ter informação online, não tinha qualquer informação. No momento em que eu segurava algumas das janelas mais expostas cá em casa, as rádios passavam música, e esperavam pelo sinal horário para dar algumas notícias. Os vários canais de informação online diziam apenas que o furacão se tinha desviado de Lisboa, e por isso até parecia que tínhamos todos escapado ao pior, embora as minhas janelas não parecessem concordar.

No dia seguinte, como não havia imagens de grande tragédia, menos ainda da zona centro por não haver eletricidade nem redes de comunicação nessa área, tudo parecia ter corrido pelo melhor, e as redes sociais divertiam-se a discutir uma qualquer celeuma contra o IPMA ou então a remodelação ministerial à sucapa.

Ontem ao final da noite, passadas mais de 24 horas sobre o impacto, a EDP resolve declarar o estado de emergência por ter mais de 100 mil habitações sem eletricidade. Já a Altice, e outras redes de telecomunicações, nada declaram porque é preferível fazer de conta que não têm vários milhares de pessoas completamente incontactáveis no país.

Os media vão debitando bochechos de informação sobre o que se passou. Acredito que lá para o final da semana devemos ter uma imagem mais próxima da realidade do impacto em Portugal.

Comments


  1. EDP, nada fez deste 23 de Dezembro de 2009, que foi a última tempestade forte em que falhou, https://sicnoticias.sapo.pt/programas/perdidoseachados/2016-12-14-Uma-Noite-para-Esquecer. Querem lucros rápidos, os cornos mansos que rezem para que não venha nenhuma tempestade. E eles têm tantos lucros, têm recursos para resolver as coisas depressa, ou o dinheiro já terá ido para a China? É que se os mesmos conrnos mansos de sempre pagarem, que vão à barda merda.


  2. “…. No momento em que eu segurava algumas das janelas mais expostas cá em casa, as rádios passavam música, e esperavam pelo sinal horário para dar algumas notícias. Os vários canais de informação online diziam apenas que o furacão se tinha desviado de Lisboa, e por isso até parecia que tínhamos todos escapado ao pior, embora as minhas janelas não parecessem concordar…”

    Talqualmente ! em Coimbra as pessoas não foram alertadas !

    ….já não basta sermos um país que não possui sequer um plano nacional de emergência estruturado a nível nacional para casos de tragédia plena !!

    Pois é, senão veja-se como ” qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade” :

    ” Furacão Leslie: Depois do ministro da Defesa, Costa pode ficar sem a vaca voadora, desta feita por causa do vento
    13/10/2018
    O Governo tem estado todo este sábado a tentar chamar a vaca voadora para dentro, mas a bicha não ouve. “Pxiiii, vamos anda, vem aí temporal”, chamava há instantes o primeiro-ministro, desde São Bento.

    Não são dias fáceis para o executivo liderado por António Costa, que viu esta sexta-feira o seu ministro da Defesa sair. “Mas um ministro da Defesa substitui-se bem, agora uma vaca voadora…”, lamenta Costa, que continua “pxiiii, ói, vamos, anda, vaquinha… pxiiiiii”.

    Recorde-se que o furacão Leslie está a caminho de Portugal e deverá chegar a horas porque vem pelos seus próprios meios. ”

    sendo que :

    ” Relâmpagos são o furacão Leslie a tirar selfies com Marcelo
    13/10/2018
    Por todo o país foram avistados relâmpagos mas não se trata de descargas eléctricas, como é costume ser um relâmpago. Neste caso é o furacão Leslie a tirar selfies com o Presidente da República.

    Marcelo tem estado a acompanhar o furacão desde o Atlântico, por questões de protocolo, e Leslie aproveitou para também ter umas imagens com Marcelo.

    “Costumo receber sempre as individualidades à porta, neste caso fui até meio do Atlântico porque é um ambiente em que estou confortável”, explicou o Chefe de Estado há instantes, antes de tirar mais uma selfie com Leslie. ”

    by/ Zé Pedro Silva

    in Imprensa falsa

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