A tempestade

Nelson Zagalo

Faz hoje exatamente um ano que aconteceu a tragédia do incêndio do Pinhal de Leiria que arrastou toda a zona centro e chegou à Galiza. Na altura, foi o caos com a eletricidade, as redes móveis, assim como o apoio da Proteção Civil, para não falar dos media. Nessa altura, tanto rádio como imprensa online (TV não adianta falar), pouco ou nada ajudaram, nem antes, nem durante, nem depois. Porquê? Porque não era em Lisboa nem Porto, e no resto do país mais uma vez era fim-de-semana e não acontecem notícias ao fim-de-semana para se reportar na imprensa e rádio regionais.

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Estamos todos “***idos”

António José Seguro está rendido à sorte da chuva torrencial que inundou o castelo de Costa. António Costa sente-se pungido pelo temporal. O povo está esvaído em dívidas. E Manuel Alegre está quase ofendido com as propostas de Seguro para diminuir o número de deputados. O Governo está ressentido com quem esvaziou o Citius.

Entre rendidos, pungidos, esvaídos, ressentidos, e demais “***idos”, alguém há-de escapar.

Eu próprio, mesmo com pleonasmo, sinto-me, então, comedido. Abusar, abusei ao almoço: entre uma feijoada à transmontana, com um bagaço para compor, e o Manuel Alegre que me entrou pela casa dentro, aos gritos, ofendido (quase) num comício, só me faltava ouvir o Mário Soares a perorar contra a intempérie, que é culpa da Protecção Civil, que só a previu a destempo dos políticos em campanha eleitoral. Mas esse deve estará dormir a sesta, que é o que vou fazer, já a seguir.

A conta, por favor!

Mal por mal, antes Pombal…

O presidente da Câmara de Pombal (dinossauro das autarquias e do PSD, um dos que está de saída) emitiu esta manhã um comunicado que merece ser partilhado, por espelhar o sentimento de revolta que invade por esta altura milhares de pessoas na região centro. O litoral, o desenvolvimento, estão a ver?

Desde sábado sem electricidade. Hoje é terça-feira.

Para ler aqui.

A começar em Junho de 2011

Governo começa a avaliar estragos segunda-feira

Antes e depois do temporal

Estes são os nossos estadistas, coerentes, horizontes largos, firmes nos propósitos, competentes, acima das fraquezas da espécie, capazes de olhar para o bem do país e não para as suas guerras  mesquinhas.

Estas duas fotos envergonham qualquer mortal!

Tudo não passa de mais ou menos dinheiro, nada tem a ver com políticas, com “governance”, com capacidade de estabelecer objectivos e as medidas e avançar coerentemente. Quando o dinheiro aparece ninguem tem convicções, sempre fomos tão amigos…

Mesmo quando a tarefa é hércula e justa um bocadinho de dignidade  é fundamental!

A EDP não tem culpa

A EDP não paga indemnizações por estragos causados pela queda das torres de energia de alta tensão. Porquê ? Porque foram deitadas abaixo por ventos superiores a 100 kms/hora e as torres foram calculadas para aguentarem só até aquele limite, disse um senhor muito importante, sem se rir.

Isto é, quem sofreu os prejuízos causados pela queda das torres é que tem a culpa, porque não se desviou ou não se precaveu com uma estrutura própria que aguente a queda das torres. Se não houver temporal a EDP paga, havendo temporal não paga. Como as torres não caem sem temporal ( era só o que faltava) a EDP nunca paga indmnizações pelos prejuízos causados.

As pessoas que não têm nada a ver com o negócio da distribuição de energia da EDP, e que ficam com os prejuízos, é que têm a culpa de haver temporais superiores a 100 kms/hora.E como é que se impede isso? Não impede, só a EDP é que pode escolher as condições para que as torres  caindo, não prejudiquem os bens . E quem pode escolher os sítios e as estruturas para que, as torres caindo, não prejudiquem ningem? a EDP!

É como conduzir um carro debaixo de um temporal, se abalrroar outro carro por causa da chuva e do vento, mando a factura para o próprio que sofreu os danos.

Outra hipótese á mandar a factura ao totta…

A EDP não tem culpa do temporal

Pois não, quem tem mesmo culpa são as pessoas que ficaram sem os seus bens, e a maioria deles na miséria.

Se o meu vizinho, para fazer o negócio dele, tiver que passar redes de alta tensão por cima do meu quintal, ou se tiver um mastro de bandeira que, ao cair, me deite a casa abaixo, não tem culpa nenhuma, a não ser que não haja temporal.

É como leu! Se houver temporal a EDP não tem culpa, porque não é possível construir estruturas que aguentem mais de 180/200 Kms/hora, logo, quem leva com as linhas de alta tensão em cima só tem que se desviar. Ou então começa do zero!

Mas não impede que começando do zero não lhe imponham as redes em cima, apesar de toda a gente andar a desconfiar que pode, inclusivamente, ser gravemente prejudicial para a saúde.

Quer dizer, a EDP monopolista ou quase, que ganha milhões e milhões cá dentro e que depois investe nos US em energia renováveis (isto é tudo muito fino) esses milhões que ganhou com os preços que pratica cá dentro, não aceita as culpas dos temporais.

Se  aventar ( estilo vento na ramaria) ainda pode ser que pague alguma coisa, mas quem é que já viu o aventar deitar abaixo torres de redes de alta tensão?

A EDP não paga nunca os prejuízos que causa, é como andar de carro a chover, ter um acidente e atribuir a culpa à chuva. Quem ficou sem carro que se amanhe.