Educação ou o campo de minas

No que se refere à Educação, esquerda e direita não têm pensamentos, têm tiques e reacções. O ideólogo de serviço, neste momento, é João Costa. Atacado por um vago esquerdismo que aparenta pensar nos mais desfavorecidos, já glosou a habitual treta da escola que deve preparar para a vida, apareceu, ainda, a combater a “acumulação de saberes” e inventou a Cidadania e Nova Inclusão.

A reflexão sobre a cidadania sempre foi inevitavelmente transversal, porque qualquer área do saber a implica. João Costa, no entanto, como todos os que desprezam os professores e as escolas, sentiu que era necessário impor uma disciplina, ao mesmo tempo que desvaloriza os saberes, especialmente os ligados às Humanidades. Por causa de mais uma criação desnecessária, as disciplinas de História e de Geografia estão a perder horas em algumas escolas. Não sei como é que a acumulação de ignorância e e o cultivo de generalidades formam cidadãos.

Cada vez mais, no entanto, dou por mim a pensar que a culpa, em parte, é dos professores e das escolas, que aderem entusiasmados às modas que equipas ministeriais vão impondo aos sabores das mudanças eleitorais, sempre de acordo com tiques e convencidos de que tiveram ideias brilhantes. Deus nos livre de quem se julga brilhante!

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Correcção, esquerda e direita partidária; concorde-se ou não com eles, há uns poucos que têm pensamento (ideológico) sobre a matéria e ainda vão ensinando qualquer coisa aqui ao leigo.

  2. Julio Rolo Santos says:

    O ensino moderno têm de se voltar para o futuro porque o passado e, mesmo o presente, já eram. Todos temos noção de que há disciplinas que servem apenas e só para subcarregarem as mochilas dos alunos mas que já se tornam dispensaveis porque o paradigma mudou e urge desenvolver outras disciplinas que se adequem às novas tecnologias. Quem não aderir, fica para trás.

  3. Julio Rolo Santos says:

    Não, não tenho pretensões a ministro, mas não invejo quem tenha pretensões a se-lo sem qualificações para tal, apenas repudio.

  4. António Fernando Nabais says:

    Olha que coincidência, Júlio: também eu tenho não pretensões a ministro e também não invejo quem tenha pretensões a sê-lo sem qualificações para tal (ou mesmo com qualificações). Além disso, repudio as opiniões – não a sua expressão – dos ignorantes atrevidos, como a de defender que “todos sabemos” (todos? quem?) que há matérias que se tornam dispensáveis. Enfim, repito, brilhante!

  5. Julio Rolo Santos says:

    Sr. Professor Fernando. Nós não somos inimigos, até porque nem nos conhecemos, apenas divirgimos nas opiniões. Quando digo “todos” estou-me a referir àqueles que há muito criticam este sistema de ensino, e são muitos, e a realidade do dia a dia demonstra-o. Um dia precisei de uma peça para o carro do meu filho e o mecânico reteve-o na oficina mais de um mês alegando não conseguir encontrar a peça no mercado porque o carro é muito antigo e os poucos que há, pelos vistos, não vão para abate. O meu filho não se conformou com a resposta do mecânico e perguntou-lhe se ele desconhecia que haviam impressoras 3D que faziam todo o tipo de peças mesmo para automóveis, ao que o mecânico respondeu não saber. Em três dias o mecânico tinha a peça na mão feita numa impressora 3D. Moral da história, o mecânico não se atualizou e os clientes é que pagam as consequências da ignorância.

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