Captura do Jardim da Glória

Mais um, de tantos casos em que o poder do dinheiro agiliza, atropela e cria factos consumados. Numa petição, os moradores do bairro reivindicam que sejam, ao menos, cumpridos os devidos procedimentos.

O QUE ACONTECEU?  Quarta feira, 20 de fevereiro, máquinas de obras destruíram quase 5ha de árvores e mato, de um imenso logradouro muito antigo, de um “pulmão verde” entre 4 ruas e 4 eixos de prédios, um elemento vital para o equilíbrio ambiental da zona e da cidade de Lisboa. Um “logradouro verde permeável a preservar (espaço consolidado)” segundo o PDM – Plano Diretor Municipal em vigor.
 Sem aviso prévio. Sem a presença de técnicos. Sem a existência de estudos fitossanitários como o Regulamento Municipal do Arvoredo determina. E, como o imenso terreno fica ao lado da Capela Senhora da Glória, sem a respectiva avaliação arqueológica. Os serviços da CML aprovaram este LOTEAMENTO como se não o fosse, ou seja, sem cumprirem o que a Lei determina para os loteamentos: discussão pública, que compreende aviso público, fase de recolha de contributos dos interessados, relatório de ponderação, reformulação (ou não) da proposta e aprovação da mesma em reuniões de CML e de AML.

QUAL É O PROJETO DO “JARDIM DA GLÓRIA”?  Este empreendimento, da empresa Stone Capital e com projecto do atelier arquitectónico ARX, prevê a construção de “40 apartamentos com áreas entre os 45 e os 450 m²; estacionamento subterrâneo; piscina, spa e zona lounge; jardim e parque infantil”.  Na verdade, são 41 casas no total, que já estão à venda pela imobiliária Christies, à partir de 615 000€ (um T2 de 100m2), e até 1,9M€ (T4 duplex de 397m2). Já 9 delas estão “vendidas” e 16 delas “reservadas”, antes de ser construídas. O preço médio é de 6000€/m2, longe do que podia ser considerado alojamento “acessível”.

Segundo os documentos que conseguimos consultar, todos estes espaços verdes e de lazer são de uso privado e limitado aos moradores deste condomínio de luxo, salvo uma pequena zona pedonal que dá acesso à zona de estacionamento subterrânea (2 níveis debaixo do terreno).

COMO ISSO NOS VAI AFECTAR? Os moradores dos prédios em volta do logradouro vão perder a vista sobre o Tejo e sobre uma área verde natural, para receberem em troca uma vista sobre dois enormes prédios e um pequeno jardim do novo condomínio. E os atuais proprietários desses prédios vão ver o valor imobiliário dessas casas diminuir.

O QUE QUEREMOS? Reclamamos da Assembleia Municipal de Lisboa e da Câmara Municipal de Lisboa que este projecto seja PARADO e tratado por todos como o LOTEAMENTO que de facto é. Ou seja: 
- Que sejam apresentados estudos de impacte ambiental, social, económico e de tráfego; 
- Que seja aberto um período de discussão pública de 60 dias úteis, com publicação de aviso online e formulário para recolha de contributos dos interessados: 
- Que seja produzido relatório de ponderação pelos serviços da CML; 
- Que seja levada a reunião de CML proposta do projecto (reconfigurado ou não) para discussão e aprovação, para posterior remissão à AML para discussão, aprovação e publicação em Boletim Municipal.

Para assinar aqui.

 

 

Comments

  1. Julio Rolo Santos says:

    É o poder do dinheiro, como diz, a ganância dos homens e a estupidez dos autarcas. O jardim da Glória devia ser valorizado e preservado para usufruto das populações em redor. Dito isto tudo deve ser feito para reverter a situação criada pela autarquia de Lisboa, entidade que deveria respritar, anterior de mais, a vontade dos seus munícipes. É avançarem com uma providência cautelar para travarem o desmando autárquico antes que seja tarde.

  2. JgMenos says:

    O problema é a escassez de assessores de que padecem os esforçados autarcas esquerdalhos,,,

    • Paulo Marques says:

      Um Menezes em cada câmara!

    • ZE LOPES says:

      Sim, porque assesores dos direitrolhas há em barda, o que não admira. Aliás, o Direito Fundamental à Assesoria é um direito natural de qualquer direitalho. Para lhe escolher as gravatas, lhe dizer come se come com faca e garfo nos banquetes e o ensinar a ler, entre outras coisas importantes.

      A propósito: diga lá aos seus assessores que têm de melhorar a prosa. Estão a deixar V. Exa. muito mal visto.

  3. Julio Rolo Santos says:

    Aqui não se trata de esquerdalhos nem direitalhos porque uns e outros só fazem bosta, basta que lhes passem um envelope por baixo da mesa e o impossível transforma-se logo em possivel.

  4. Zé Pestana says:

    Não há direita ou esquerda, o que há é o deus dinheiro aonde tudo se curva.

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