Politicamente incorrecto (1) – racismo em Portugal

Propositadamente deixei passar algumas semanas desde o assassinato a sangue-frio de Bruno Candé numa rua de Moscavide, para escrever estas linhas.
Ao que se sabe, a vítima tinha um cão, que incomodava Evaristo Marinho, autor dos disparos. E segundo vários relatos que tenho lido de testemunhos na vizinhança, não era Bruno Candé a única pessoa na vizinhança a ser ameaçada pelo idoso Evaristo, 76 anos, ex-combatente no ultramar, frequentemente quezilento, neurótico, pessoa descrita como tendo mau-feitio. [Read more…]

Portugal e os Pequenitos

[João L. Maio]

Um deputado com assento parlamentar, voltou a sugerir a deportação de Joacine Katar Moreira, pura e simplesmente por esta ser negra, pela 2ª vez na sua (ainda) curta carreira parlamentar.

Duas dezenas de racistas declarados fizeram uma vigília à porta da sede da SOS Racismo, mascarados “à lá” Ku Klux Klan, com o objectivo de intimidar, amedrontar e ameaçar quem luta, todos os dias, contra crimes de ódio racial.

Um homem, preto, de seu nome Bruno Candé foi assassinado no seu próprio bairro por causa da sua cor da pele, há duas semanas.

E nisto, parece mais fácil sacar a temperatura da água do mar em Armação de Pêra ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do que ouvi-lo condenar e intervir sobre estes acontecimentos atrozes que se vão sucedendo.

Relembro o Código Penal:

“Artigo 240.º

Discriminação racial, religiosa ou sexual [Read more…]

O Chega e a glorificação da criminalidade violenta

FRIght

Esta manchete é de 2018

Se Portugal fosse um país racista, segregacionista, as manifestações de homenagem a Bruno Candé corriam sérios riscos de serem abalroadas por contramanifestações de neofascistas e neonazis violentos. Felizmente, ainda não chegamos a esse ponto. O racismo existe, está impregnado no nosso tecido social, das mais variadas formas, mas os portugueses, é minha convicção, não são um povo estruturalmente racista.

Isso não significa que o racismo seja um fenómeno residual. Não é. E, a esse respeito, vivemos tempos perigosos, aqui e em todo o mundo democrático. Tempos de ressurgimento de forças que promovem o racismo e a xenofobia, não raras vezes com violência à mistura, e que dão voz à boa velha ilusão conspirativa da invasão árabe, que destruirá a tal democracia europeia que também eles querem destruir, e a submeterá a sharia qualquer. Tão útil que ela é, para contornar os princípios mais elementares que presidem às democracias liberais, e ir por aí fora, a atropelar direitos humanos e liberdades fundamentais, Tiananmen style. E dizem eles que não gostam dos chineses. Tomara eles, poder “governar” como os camaradas do PC Chinês (suspiro). [Read more…]

Democratas não negoceiam com fascistas. Combatem-nos

Portugal não é um país racista, mas o Ultramar pariu uns quantos trogloditas que anteciparam Abu Grahib umas três ou quatro décadas. Num Estado decente teriam sido presos. Mas o Estado Novo não era um Estado decente. Era um gangue de criminosos e fanáticos religiosos, corruptos e crueis, que posava com cabeças de negros empaladas e fazia porta-moedas com as suas orelhas. E é também por isso que a história não pode ser branqueada e que o ódio racial deve ser combatido, sem contemplações. E quem se põe a jeito de fazer cedências ao Chega, o único partido a ter dirigentes que saíram em defesa do homicida de Bruno Candé, está a fazer uma escolha política e civilizacional. Uma escolha sem retorno.

Sobre a morte de um homem

Bruno Candé, um homem de 39, anos foi assassinado. Por acaso, era actor e tinha filhos, mas qualquer morte estúpida é um desperdício de oportunidades, um universo irrepetivelmente desaparecido. Acrescente-se que tinha a pele escura.

De um lado, afirma-se que o crime resulta de racismo, porque somos um país racista. Do outro, nega-se, grita-se, até em manifestações, que os portugueses não são racistas. Estou mais perto dos primeiros, mas já lá vamos.

Para o falecido, penso que a morte teria exactamente o mesmo efeito se se descobrisse que o móbil tinha sido outro qualquer. Os que o choram estariam a chorá-lo e continuariam revoltados, porque a morte é quase sempre uma injustiça.

Não sei se os portugueses são racistas e não sei se alguém sabe, mas sei que um racista já é um racista a mais e também sei que há muitos racistas. Também sei que poderá haver mais racistas nuns sítios do que noutros. O racismo, residual ou estrutural, deve ser combatido em todas as trincheiras, especialmente nas escolas. Mesmo que seja ou fosse residual, é preciso não esquecer que o espaço e o tempo ainda estão demasiado cheios dele. [Read more…]