O exagero dos liberais

Desde já, alerto que este texto irá conter vestígios de bairrismo e de sentimento. Todos nós temos as nossas hipocrisias e, por muito que eu gostasse de ser totalmente racional, não consigo. Prefiro admitir desde já em vez de tentar arranjar razões forçadas para justificar os meus sentimentos.

Ontem, o meu Porto acordou diferente. A Avenida principal da cidade, que até contém a estátua do Rei Liberal, estava de uma ponta à outra repleta de bandeiras comunistas. Eu não sou contra a existência do Partido Comunista nem sou contra propaganda comunista, mas sou completamente contra este tipo de propaganda. Faria este texto se fosse o PAN ou o PSD? Sim. Seria tão chocante para mim? Não.

Os liberais nunca se revoltaram com cartazes comunistas, mas ontem sim, porque quem não se sente não é filho de boa gente. A disposição daquelas bandeiras lembra perfeitamente um regime comunista típico de Século XX. Uma coisa é um cartaz na berma da estrada, outra é ocupar a Avenida dos Aliados com bandeiras de um partido. E não, não é um partido qualquer, é um partido comunista. Um partido que defende Estaline, que comemora hoje 68 anos como comunista bom, um partido que defende Lenine, um partido que não condena o regime ditatorial existente na Coreia do Norte, entre outras barbaridades. Mas que se engane quem acha que isto é “só lá fora”. Como muito proclama, o PCP não lutou pela liberdade, lutou para impor a sua ditadura. Isto não é querer a liberdade, é querer o poder. Mas aos comunistas é fácil perdoar tudo sob a desculpa de ser apenas uma parvoíce ou uma utopia. Ainda na última festa do Avante se ouviu que é necessário acabar com o capitalismo pela força. Facilmente, se passeiam camisolas de assassinos como Che Guevara e Fidel. Isto não é admissível num partido democrático.

Aceitar aquela triste iniciativa comunista na Cidade do Porto é desrespeitar a liberdade de todos nós e desrespeitar aqueles que sempre lutaram por ela. É desrespeitar as vítimas do comunismo no mundo inteiro. E não, para infelicidade da esquerda, não há falsa equivalência que valha. Culpar o liberalismo por mortes é tão honesto como culpar as regras do trânsito por atropelamentos.

Felizmente, o Porto é a cidade Invicta. O Porto é a cidade que fez frente aos absolutistas. Também é a cidade em que João Ferreira ficou em último e é a cidade em que André Ventura teve os seus piores resultados. O Porto rejeita o extremismo e ontem também foi prova disso devido à polémica que se gerou. Apesar de a lei permitir, não devemos confundir moral com lei e o Porto sabe bem isso. E, felizmente, hoje, a cidade acordou como sempre devia ter estado

E sim, os liberais são capazes de ter exagerado. Obviamente que aquilo não é o início de uma revolução, nem é um perigo real neste momento. Mas o que não se diria se fosse um outro partido a fazer aquilo? A comunicação social que abdica da sua função para uns e que faz jornalismo sério com outros também teriam tido outra postura, certamente. Os liberais estão alerta para qualquer avanço que ponha em causa a democracia. E é preferível um exagero pelo amor à liberdade do que um exagerado comodismo com o perigo de acordar sem a mesma liberdade. Se for para exagerar, eu ficarei sempre do lado da liberdade. Nunca do lado de quem defende regimes que causam miséria.

Por uma questão de decência e de respeito.

Comments

  1. Carlos Almeida says:

    Figueiredo

    “Felizmente, o Porto é a cidade Invicta. O Porto é a cidade que fez frente aos absolutistas.”

    Exactamente. Nesse tempo os liberais estavam contra o atraso e corriam ao favor dos ventos das historia.e eram num sentido lato movimentos progressistas

    Os auto intitulados de agora, 200 anos depois, vão contra os ventos da Historia e são num sentido lato movimentos anti progressistas ou reaccionários..

    Claro que percebo perfeitamente que chames assassinos a Fidel e a Che Guevara. O teu herói era o Baptista, também entendo perfeitamente, mas sou capaz de desculpar porque só ouvistes contar historias e não viveste nada.

    Cresce, !!

  2. Paulo Marques says:

    Defende o quê, Francisco? Então tem que se relativizar Bhopal, Grenfell, Sykes-Picot, Pinochet, ERCOT, etc, mas pode-se escolher a interpretação que interessa de Cunhal ou Ba? Contar-me histórias, que a do SNS não pegou.
    Ainda pensei que fosse justificar a coligação com o empregador da mulher, mas fica para a próxima.

    • Paulo Marques says:

      Peço desculpa, pensei que a coligação em Lisboa estava assinada, mas muito pelo contrário, foi negada.

      • Francisco Figueiredo says:

        Os liberais não relativizam ditadores.

        • POIS! says:

          Pois, já agora:

          Sem ser V. Exa. e a malta conhecida do seu partido, dê-me lá uns exemplos de uns liberais destacados. Assim, liberais históricos e tal. A gente gostava de conhecer, que era para não cair na tentação de “relativizar”.

          Creio que a “relativização” é o novo crime dos que não são liberais e a gente só pode emendar essa tendência para a criminalidade se conhecer quem nos guie.

          Sem ser V. Exa (que bastaria para nos guiar a todos, mas defendemos a livre escolha do liberal preferido), quem mais?

  3. Filipe Bastos says:

    “Culpar o liberalismo por mortes é tão honesto como culpar as regras do trânsito por atropelamentos.”

    Muito nos conta, Francisco. Olhe, o que é para si ‘liberalismo’?

    Deixe-me adivinhar: é sermos todos livres e podermos fazer tudo, sempre respeitando-nos todos uns aos outros, claro!, e um Estado muito levezinho que ajuda os mais pobres (até os mordomos e os jardineiros deles são pobres, etc.) enquanto protege a justa riqueza dos santos empreendedores que nos honram com a sua iniciativa e ocasional caridadezinha, deus os guarde?

    Ao contrário do comunismo, essa doutrina maléfica, esse culto satânico que só promete morte, miséria e ranger de dentes, e que surgiu inexplicavelmente num mundo tão bonito, igual e liberal?

  4. JgMenos says:

    Estás a caminho de ser fascista…defensor do Batista é só o princípio de conversa.

    • Paulo Marques says:

      É, também temos o Pinochet, Mohammed Bin Salman, Saddam, Osama, o Apartheid (os dois)… há muitos.

  5. JgMenos says:

    Quantos menos votos mais bandeiras até que só haja bandeiras – se o Lenine não disse isso, bem podia ter dito.

    • POIS! says:

      Pois não!

      Quem o disse foi Estaline. Foi em 1934. Veja lá que lá na URSS, messa altura, só havia uma lista nas eleições, e os candidatos eram todos escolhidos por ele! Inacreditável! Ele há coisas! Foi com medo da malta não ir votar que ele mandou encher aquilo tudo de bandeiras.

      Enquanto cá era muito diferente. Em 1934 houve eleições livres em que apareceram…bem, uma lista. Sim, mas muito plural, até tinha três solteironas e tudo!

      E os candidatos foram escolhidos por…bem…por Salazar, sim mas depois de ouvir a Voz da Nação, no caso a Maria de Jesus e o Cerejeira, porque eram a Nação estava mais á mão.

      E não foram necessárias bandeiras, porque a malta bem podia ficar em casa que votava na mesma. Nisso a coisa era muito mais avançada do que hoje.

  6. dragartomaspouco says:

    Bimbo negativo

    “menos votos ”

    Não é assim que se diz. Deves escrever como dizes ” menos botos”

    Bimbo !

  7. Paulo Marques says:

    Vai lavar as mãos, para poderes lavar a boca. E depois pôr a máscara.

  8. Sérgio Martins says:

    O PCP é um partido de portugueses e para Portugal.

    Nos últimos 100 anos o PCP esteve em todos os avanços sociais que aconteceram em Portugal, originados ou apoiados pelo PCP:

    da resistência e luta contra a ditadura fascista e uma guerra injusta, ao 25 de abril e à progressista e democrática Constituição da República de 1976;
    da universalização das 8 horas como horário diário máximo de trabalho à criação do salário mínimo nacional;
    do direito a férias à universalização dos subsídios de férias e natal;
    da criação de sistemas universais de saúde e educação à universalização das reformas;
    da luta pelo desenvolvimento da cultura à luta pela protecção do meio ambiente;
    da luta contra às desigualdades à luta contra a discriminação em função do sexo ou cor de pela.

    Ontem, hoje e amanhã sempre ao lado dos trabalhadores e do povo português, e pela defesa da soberania e independência de Portugal.

    Um passado com significado e um projeto com o futuro.

    • Filipe Bastos says:

      Um passado com significado e um projeto com o futuro.

      Futuro para o PCP? Sem mudar a retórica, a hipocrisia, a defesa do indefensável, a absurda estética e o ‘camarada’, só vejo um: com tanto património imobiliário e a hipócrita isenção de IMI, pode sempre mamar no Airbnb. É falar com o Robles.

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