A cegueira da “esquerda” pelo ódio à NATO

Fonte: epa

Os embaciados óculos ideológicos de certa esquerda de aquém e além mar, para a qual a adoração da imagem inimiga – no caso, a sem dúvida censurável NATO, –  é superior à sua capacidade de empatia, humanismo e respeito pela soberania dos povos, levam, por estes dias, adeptos seus a pronunciarem-se sobre a guerra na Ucrânia com as conhecidas adversativas e propostas de rendição da Ucrânia.

Taras Bilous é um historiador ucraniano, activista do grupo Sozialny Ruch (Movimento Social) da organização do Movimento Social e editor da revista ucraniana de esquerda Commons.

Pouco depois do início da guerra, Taras Bilous escreveu “A letter to the Western Left from Kyiv”, na qual comunica a uma parte da esquerda do Ocidente o que pensa sobre a sua reacção à agressão da Rússia contra a Ucrânia.

Deve ler-se na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos:

Não sou adepto da NATO. Sei que após o fim da Guerra Fria, o bloco perdeu a sua função defensiva e liderou políticas agressivas. Sei que a expansão da NATO para Leste minou os esforços dirigidos ao desarmamento nuclear e à formação de um sistema de segurança conjunto. A NATO tentou marginalizar o papel da ONU e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, e desacreditá-los como “organizações ineficientes”. Mas não podemos trazer de volta o passado, e temos de nos orientar com base nas circunstâncias actuais, quando procuramos uma saída para esta situação.

Quantas vezes é que a esquerda ocidental mencionou as promessas informais dos EUA ao antigo presidente russo, Mikhail Gorbachev, sobre a NATO (“nem uma polegada para leste“), e quantas vezes mencionou o Memorando de Budapeste de 1994 que garante a soberania da Ucrânia? Quantas vezes a esquerda ocidental apoiou as “legítimas preocupações de segurança” da Rússia, um Estado que possui o segundo maior arsenal nuclear do mundo? E quantas vezes recordou as preocupações de segurança da Ucrânia, um Estado que teve de trocar as suas armas nucleares, sob a pressão dos EUA e da Rússia, por um pedaço de papel (o Memorando de Budapeste) que Putin espezinhou de forma definitiva em 2014? Alguma vez ocorreu aos críticos esquerdistas da NATO que a Ucrânia é a principal vítima das mudanças provocadas pela expansão da NATO? (…)

Uma e outra vez, a esquerda ocidental respondeu à crítica da Rússia, mencionando a agressão dos EUA contra o Afeganistão, Iraque e outros Estados. É claro que estes Estados precisam de ser trazidos para a discussão – mas como, exactamente?

O argumento da Esquerda deveria ser, que em 2003, outros governos não exerceram pressão suficiente sobre os Estados Unidos sobre o Iraque. Não que seja necessário exercer agora menos pressão sobre a Rússia, quanto à Ucrânia.”

Imagine-se por um momento que, em 2003, quando os EUA se preparavam para a invasão do Iraque, a Rússia se tinha comportado como os EUA se comportaram nas últimas semanas: com ameaças de escalada. Agora imagine o que a esquerda russa poderia ter feito nessa situação, de acordo com o dogma de “o nosso principal inimigo está em casa”. Teria criticado o governo russo por esta “escalada”, dizendo que “não deveria pôr em risco as contradições inter-imperialistas”? É óbvio para todos que tal comportamento teria sido um erro, nesse caso. Porque é que isto não é óbvio no caso da agressão contra a Ucrânia? (…)

Não sou um adepto do internacionalismo liberal. Os socialistas deveriam criticá-lo. Mas isto não significa que tenhamos de apoiar a divisão de “esferas de interesse” entre Estados imperialistas. Em vez de procurar um novo equilíbrio entre os dois imperialismos, a esquerda tem de lutar por uma democratização da ordem de segurança internacional. Precisamos de uma política global e de um sistema global de segurança internacional. Temos este último: é a ONU. Sim, tem muitas falhas, e é muitas vezes objecto de críticas justas. Mas pode-se criticar ou para refutar algo ou para o melhorar. No caso da ONU, precisamos desta última. Precisamos de uma visão esquerdista da reforma e da democratização da ONU.”

Numa entrevista posterior, Taras Bilous dirigiu-se de novo a essa “esquerda” desorientada e de pensamento preguiçoso:

“O que ainda não chegou, a meu ver, é a percepção de que as pessoas nos países entre o Ocidente e a Rússia também têm a sua própria subjectividade política e o direito de decidir o seu próprio destino. Muitos esquerdistas no Ocidente ainda cometem o erro de olhar para estas pessoas apenas da perspectiva do confronto entre o Ocidente e a Rússia.(…)

Muitos da esquerda têm dificuldade em mudar a sua perspectiva. Isso é compreensível: Até agora, protestaram principalmente contra as guerras que eram do interesse do Ocidente. Nós vivemos há oito anos com uma guerra no leste do país. Por isso, tivemos algum tempo para mudar o nosso pensamento. Mas penso que os esquerdistas precisam de compreender melhor que as situações podem mudar muito rapidamente. Se os esquerdistas continuarem a culpar a NATO pela invasão russa, apenas mostram que não compreenderam que a situação mudou.”

 

Ser de esquerda é empenhar-se por um mundo melhor, é pôr o bem comum, o planeta e a solidariedade acima do crescimento económico e da competitividade que beneficia os mais avantajados, é recusar o homo economicus, esse ser racional sempre ávido de maximização de vantagens pessoais e lucro.

Ser-se de esquerda não pode, jamais, significar a relativização da acção de um monstro enlouquecido e disposto a levar consigo o resto do mundo para o abismo.

Comments

  1. estevesayres says:

    Os psiquiatras tem muito que fazer em Portugal! Pelo que ouvi dizer, existem milhares de Portugueses a defenderem um exercito da União Europeia!!!

    • Santos Ilídio says:

      Bem até sou de barato que este tipo seja de esquerda mas com toda a certeza escreveu isto antes de o Zé linsky ilegalizar todos os partidos de esquerda e ou toda a gente que não pensa como ele 😁😁😁

    • Paulo Marques says:

      Um exército que ninguém sabe como se financia, qual a estrutura de comando, muito menos qual o comandante supremo. Mas sabe-se que é um exército independente dependente de um fornecedor.

  2. JgMenos says:

    O acordos refletem princípios que a circunstância acolhe.
    Um acordo com a Rússia de Gobachev já se questiona sob Ieltsin e entra em revisão de fiabilidade com Putin.

    A expansão para Leste da NATO é menos expansionismo do que fundado receio dos países a Leste quanto ao imperialismo russo.
    q.e.d.

    • Rui Naldinho says:

      “A expansão para Leste da NATO é menos expansionismo do que fundado receio dos países a Leste quanto ao imperialismo russo.”

      A História dos últimos vinte e cinco anos demonstra precisamente o contrário daquilo que escreves.
      A ex URSS encolheu. O Pacto de Varsóvia desmembrou-se.
      A NATO ao contrário da narrativa vigente, cresceu bastante para Leste.
      Olhando para a Polónia e para a Hungria, não estamos propriamente perante de duas democracias liberais. Muito longe disso. Aliás estão mais próximas da ditadura Russa do que das democracias anglo saxónicas.
      Mas claro, tu não compreendes. Isso é para gente que usa a cabeça e não as orelhas para pensar.

      • JgMenos says:

        O esquerdalho sempre se julga a poder manter as aldrabices da ordem e a perorar para ignorantes:
        A NATO já incorporava Portugal e Espanha no tempo de Salazar e Franco e nunca se definiu como ‘democracia anglo-saxónica’, do que provavelmente só há um único exemplar!

        Igualar Polónia e Hungria ao regime russo é outra boutade do corretês esquerdalho, povoado de lambe-cús do putin e orfãos do sovietismo.

        Os países do pacto de Varsóvia eram colónias russas e em não raros casos povoadas por russos para lá deslocados; todos eles sabiam com o que podiam contar do imperialismo russo e aderiram à NATO, não foram por ela invadidos.

        • Rui Naldinho says:

          Portanto, como Portugal e a Espanha eram ditaduras à 45 anos, sendo ambas membros da Aliança Atlântica, o que só prova que a NATO nunca esteve preocupada com a democracia e os direitos humanos, como apregoa, aliás como tu, há que continuar na mesma senda de êxitos. Aliás, o que é a Turquia, actual membro da NATO, senão uma ditadura?
          Para um troll como tu, as ditaduras são boas ou más conforme as tuas conveniências.
          Sabes lá tu o que é colonialismo, meu 😎

        • Paulo Marques says:

          Franco estava a visitar Elvis e Salazar em 1982, e não estava disponível para assinar.

          • POIS! says:

            Pois foi!

            Mas há um filme pouco conhecido de uma visita do Oliveira da Cerejeira ao Paco Rana em que ambos abanam as ancas ao som daquela conhecida canção:

            “NATOleo, NATOleo,
            Porque mi vida yo la prefiero vivir así”.

            Bons tempos! Olhe que aquilo que o Menos diz sobre a era salazaresca tem sempre um fundo de verdade. Mesmo que ele não saiba!

  3. Rui Naldinho says:

    Bom texto, Ana. Podemos questionar tudo até ao dia em que o Sr Putin resolve invadir a Ucrânia. A partir daí, olhemos para a realidade. E essa é a de um país ocupado por uma potência militar. A de uma crise humanitária.
    Querer legitimar a ocupação russa com base nos desequilíbrios da sociedade ucraniana, seja na presença de grupos de extrema direita nas forças armadas, seja pelo facto de alguns partidos estarem proibidos de exercer actividade política, é o mesmo que legitimarmos uma intervenção militar numa das muitas ditaduras que proliferam por esse mundo fora, só porque não gostamos do presidente que a governa.

    • Rui Naldinho says:

      Cópia integral do artigo

      IRENE FLUNSER PIMENTEL ( texto no Público)

      Sou historiadora e habitualmente o meu objecto de estudo é o passado “fechado” e, por isso, não pensei em expressar-me sobre esta terrível guerra de agressão perpetrada pelo assassino Putin contra a Ucrânia. Quando tudo terminar e for passado, caberá a historiadores – de outras geração – analisar, em toda a sua complexidade o que agora está a acontecer, introduzindo as suas diversas interpretações.

      Sabendo que a história não se repete, mas que certos processos históricos se repetem, veio-me a memória, nesta guerra imperialista de agressão da Ucrânia, a conquista de espaço vital pelos nazis a Leste, a ocupação pelas tropas nazis da região dos Sudetas, na então Checoslováquia, em 1938, que antecedeu a II Guerra Mundial. Por outro lado, na investigação para o meu livro Holocausto, cruzei-me com os nomes de muitas cidades ucranianas, invadidas pelas tropas nazis, onde teve aliás lugar o início do genocídio dos judeus, na segunda metade de 1941. Na então ravina de Babi(n) Yar, hoje em Kiev – hoje um memorial, ao lado da antena de comunicações destruída por um bombardeamento russo – foram assassinados, em 29 e 30 de Setembro de 1941, 33.771 judeus ucranianos, pelos nazis, com o apoio de alguns colaboracionistas ucranianos. Posteriormente viriam a ser assassinados ali mais 50.000 judeus. A maravilhosa e icónica cidade de Odessa – sim a da escadaria do Couraçado Potemkin, de S Eisenstein – foi palco de outro enorme massacre de 25.000 judeus e não-judeus ucranianos, em Outubro de 1941.
      Como quase todos, tenha assistido, com total impotência à dor e ao sofrimento de ucranianos de carne e osso – seres humanos como nós, como os sírios, iraquianos, palestinianos, iemenitas, assassinados e refugiados -, aos bombardeamentos e à guerra de terra queimada de Putin. Mas não posso ficar calada, ao assistir, atónita e revoltada, a textos de pessoas que se arvoram de esquerda (aqui também no PÚBLICO, jornal que quero aliás felicitar pela forma pluralista e competente como está a cobrir a guerra). Revelam a arrogância de quem se julga incensada com uma moral superior, quando o que revelam é total falta de empatia com o próximo, e de… ética. Pessoas que defendem posições insustentáveis e insuportáveis. Haverá tempo para analisar todos os seus argumentos em profundidade, mas na urgência do 19.º dia da invasão, limito-me a apresentar alguns dos que considero mais obscenos e até infames.
      No próprio dia 24 de Janeiro, início da guerra de agressão à Ucrânia, apelaram a uma paz abstracta, como se houvesse dois contendores em igualdade de circunstâncias e não se estivesse face a um agressor e a um agredido. Amantes da guerra de um dos lados esconderam-se hipocritamente por trás de um falso pacifismo.

      Depois, foi o que se viu: dirigiram as baterias contra a NATO e a UE, responsabilizando-as pela invasão (!). Como era absurdo, disseram que afinal Putin também era responsável, “mas” era de direita e capitalista, até um pouco autocrata. “Mas”, “mas”, “mas”, adversativas apresentadas como se eles analisassem a complexidade e todos nós, sem “mas”, fôssemos simplistas e ignorantes que veriam tudo a preto e branco.
      Passaram também ao ataque vergonhoso contra todos os que se erguem contra a guerra de invasão de Putin. Alguns civis e militares não duvidam sobre quem é o inimigo principal: Zelenskii e os responsáveis ucranianos que, ao resistirem, eram os verdadeiros criminosos que estavam a levar os seus compatriotas para o massacre. Ah, e quem não apela à imediata rendição, é amante da guerra e estaria na realidade a gritar: “Viva la Muerte!” A esses insultos só tenho a dizer que cabe aos ucranianos, e só a eles, a decisão de resistirem ou não, de até quando o fazerem e de que forma. Limitemo-nos a desejar uma paz não abstracta, ajudando as vítimas de carne e osso, solidarizando-nos com elas, quer estejam a lutar de armas da mão, quer se refugiem com os seus filho e idosos. Pacifistas de pacotilha, que não têm uma palavra contra os invasores, não nos dizem quem na realidade está à procura da paz, da qual não são donos.

      Depois, aproveitaram-se da imbecilidade de alguns, que confundem sanções com censura e cultura de cancelamento da extraordinária cultura e história russas. Imbecis há por todo o lado e fui das primeiras a rebelar-me contra aqueles que querem tirar Dostoievsky das estantes ou Tchaikovsky dos concertos. São todos iliberais, como os outros que se dizem de esquerda mas actuam contra os nossos valores democráticos e pluralistas.
      Talvez o mais obsceno argumento que utilizam seja o de secundarem Putin quando diz que está a levar a cabo uma “operação militar”, para derrubar os neonazis ucranianos. Nem me refiro à xenofobia (racismo, até) por trás do argumento de que, havendo neonazis ucranianos, transformam todos os ucranianos (até os bebés) em neonazis. Insultam muitos ucranianos sobreviventes e a memória dos milhões de ucranianos, judeus (1,5 milhões) e milhões de outros, mortos na guerra de agressão nazi à então União Soviética e que combateram no Exército Vermelho.

      Sei muito bem que há extrema-direita na Ucrânia (milícias que estão nas suas sete quintas nesta guerra), como há neonazis por todo o lado, na Rússia, onde até está no poder, e em Portugal. Não obrigada, nós combateremos internamente a nossa extrema-direita. E, já agora, pedimos que, como aconteceu em recentes votações no Parlamento Europeu, gente que se arvora de esquerda não vote ao lado da extrema-direita.

      É assim tão difícil de compreender que se está face a uma guerra de agressão a um país soberano, a um Estado-nação que está a provar que o é? Em situação de guerra, por enquanto longínqua, mas que tudo mudou na Europa, há que escolher o campo em que se está. A minha esquerda é a dos historiadores de Francisco Bethencourt, Nuno Severiano Teixeira e Rui Bebiano, para só citar alguns que aqui ou noutros locais têm escrito contra este crime de Putin. A minha esquerda é a que agradece aos russos que diariamente se manifestam contra a guerra de agressão do ditador Putin e arriscam 15 anos de prisão (!). A minha esquerda é a dos comunistas que se ergueram contra o Pacto Germano-Soviético, em 1939, e contra a invasão de Praga pelos tanques soviéticos, em 1968.

      A minha esquerda é a esquerda ocidental que apoia a esquerda dos países de Leste. É a esquerda do ucraniano Taras Bilous, que acusa o “anti-imperialismo de idiotas” de certa esquerda ocidental face à invasão da Ucrânia. A minha esquerda é a que luta contra todo o “iliberalismo”, mais frequente à direita (Orbán, na Hungria, e Buba, na Polónia), mas existente também à “esquerda”. A minha esquerda é a que diz que quem é iliberal não é de esquerda. A minha esquerda é aquela que diz, como José Pacheco Pereira, que se deve analisar todas as cores da realidade complexa, mas, que, no fim, tem de tomar uma decisão e esta é sempre a preto e branco. A minha esquerda é a que está contra a guerra criminosa da Rússia de Putin, cujas tropas, no momento que escrevo, estão a chegar a Kiev.

      Irene Flunser Pimentel

      • Paulo Marques says:

        Tudo certo, mas a esquerda dela é a esquerda que é ilegalizada e silenciada, no mínimo? É como o patrão que acha que a turba fica por aí, quando até à pouco, e aos colegas moderados, lhe queriam tirar a pele?

        • Rui Naldinho says:

          Isso legítima a invasão, Paulo?
          Não te ocorre suspeitar que mesmo assim, apesar das diferenças políticas entre muitos deles, acabam todos por sentir uma fobia aos russos, quase que unânime?

          • Paulo Marques says:

            Não. Mas se a visão é acenar com a cabeça e dizer que sim a tudo com medo de ser reaccionário, mais vale fechar a loja. Ou ficar o artigo a meio.

  4. Paulo Marques says:

    O que eu não sei é que o que a esquerda, da boa ou da má, da colaboracionista à quanto pior melhor, deseja interessa assim tanto para alguma coisa para existir tanta preocupação. Será da fuga aos empregos de merda, ou da subida do nível de contradições do capitalismo?
    Mas, mais importante, se a NATO não tem, nem nunca teve, o mínimo de responsabilidade em coisa nenhuma, também não a terá quando houver um fim, seja lá qual for, e os extremistas, armados e treinados, aumentarem o seu poder enquanto o país é esvaziado pelo FMI e demais acordos “comerciais” em troca de um “apoio à reconstrução” que nunca acontecerá. De resto, como pensavam, e pensam, despojar das potências do mal.
    Há quem ache que isso faz com que a decisão não tenha sido pelo ego de uma pessoa, e que deve ser combatido pelos meios eficazes possíveis? Há, e estão errados; não vai haver revolução pela paz da ditadura do proletariado, há que aceitar a realidade. Tal como há que aceitar a realidade que quanto mais perdurar, pior será para dois povos que se verão abandonados.

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