TAP: se é para servir Lisboa, que a paguem os lisboetas

Já tive uma posição diferente sobre a situação e o futuro da TAP, o que não significa que tenha hoje uma posição fechada sobre um assunto que, de resto, estou longe de dominar. Mas não posso continuar a TAPar os olhos. A TAP é hoje um instrumento ao serviço do centralismo, que ignora os interesses e necessidades do Norte do país, onde está concentrada parte significativa da indústria que mantém este país a funcionar, a começar por Lisboa.

Hoje, enquanto ouvia o Fórum TSF, descobri que a gestão da TAP quer acabar com a ligação à Milão. É preciso não ter noção nenhuma daquilo que é o sector têxtil, e da sua importância para o país, para tomar uma decisão absurda como esta. Falta de noção partilhada pelo ministro Pedro Nuno Santos, que acha que a procura de voos para Milão se reduz à MICAM. Nem por ter família ligada à indústria do calçado…

Se chegamos ao ponto em que a TAP está reduzida a um sorvedouro de recursos públicos, paga por todos para servir Lisboa, então talvez seja mesmo o tempo de fechar a torneira. A oferta será substituída por outros operadores, que é precisamente aquilo que está a acontecer no Porto, há vários anos, para uma série de destinos estratégicos para a indústria e para o turismo do Norte de Portugal. Ou então que mandem a conta para a CML, para a AML ou para a CCDR LVT e deixem os nossos bolsos em paz.

Comments

  1. Daniel says:

    Se servir Lisboa e o Porto já está bem?
    Nesse caso que paguem os portuenses e os lisboetas…

  2. Júlio Santos says:

    O centralismo de que este país padece não é só por ser em Lisboa mas também no Porto. O país não é só Lisboa e Porto mas o centralismo ficaria muito melhor em Coimbra. Aqui sim, mas os srs mandões deste país não entendem isso, desconhecem, que no centro é que está virtude.

    • POIS! says:

      Pois, para mim…

      Acho que o “centro” deveria estar mais acima.

      Em Aveiro? Não! No Porto? Náááá! Em Braga? Por um canudo!

      Talvez ali na zona de Compostela.


    • Tomar é bem mais central que Coimbra.

  3. Rui Naldinho says:

    Eu como residente no Norte do país, bem perto do aeroporto Sá Carneiro, também fico com a sensação de que a TAP me está a tramar, privilegiando Lisboa em relação ao Porto.
    Custa-me aceitar este desfecho, mas esse é custo de um duro saneamento financeiro imposto por Bruxelas à TAP, sem contemplações regionalistas.
    Desculpem-me, mas vou tentar ser advogado do diabo.
    A TAP tem de fazer escolhas, certo. Essas escolhas tem vários factores em ponderação. Uma delas é a concorrência e a rentabilidade de um voo regular. Haverá com certeza outras, mas falo nas mais perceptíveis.
    Todos sabemos o estado comatoso em que a TAP se encontrava, encontra e encontrará se não se fizer nada.
    Todos sabemos que a TAP serviu durante décadas como arma de arremesso e tachinho para muitos incompetentes, políticos e empresários, em especial do Centrão, desde arrojadas aventuras brasileiras a outras decisões de organização de tráfego e gestão de pessoal, discutíveis.
    Não me venham com a treta da privatização da TAP, um dos grandes embustes que nos foi vendido no tempo da Troika, porque a nossa banca era toda ela privada, desde os anos 90, do século passado, com excepção da CGD, e tivemos todos nós de salvar uma grande parte dela. Já nem falo nas falências do BPN, Banif e BES. Com a TAP, durante a pandemia, aconteceria o mesmo.
    Partindo então do pressuposto de que alguma coisa vai ficar de fora nas rotas exploradas pela companhia, eu diria que a TAP para se salvar tem que fazer escolhas. As escolhas são entre as carreiras que lhe são mais rentáveis, e/ou, onde a concorrência não lhe esvazia os aviões de potenciais clientes.
    Assim sendo, o natural, por muito que nos custe, será manter as rotas em que os aviões em circunstâncias normais andam quase cheios. Em especial as carreiras de longo curso. Ou nas de médio curso, onde a nossa diáspora mais se faz sentir.
    A carreira Porto-Milão, com aterragem em Malpensa, terá dias em que os aviões da TAP vão “meios vazios”. Quando há grandes eventos, nomeadamente Feiras, uma dúzia por ano, aí sim, admito perfeitamente que os aviões se encham. E no resto do ano? Não me passa pela cabeça que alguém queira eliminar uma carreira aérea com uma adesão forte de passageiros.
    As companhias Low Coast vieram esmagar os preços nos voos de curtas e médias distâncias eliminando um conjunto de procedimentos burocrático administrativos, incluindo as refeições, e muitas delas estabeleceram-se em paraísos fiscais.
    O que resta à TAP? Afundar-se ainda mais em dívidas irrecuperáveis?
    Eu sei que dói. Mas se calhar as alternativas a isto são o encerramento definitivo da TAP.
    Se for essa a opção, depois não se queixem.

  4. JgMenos says:

    Um despertar para as benfeitorias do mercado?

  5. Paulo Marques says:

    Nada disto é novo; se o interesse é o turismo, é necessário garantir um hub, e para tal é preciso garantir que há procura para o mesmo. Se a tal hora e pico não chega, quem percebe disso que se chegue à frente, com argumentos que Bruxelas aceite.
    É o que há.

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