TAP: se é para servir Lisboa, que a paguem os lisboetas

Já tive uma posição diferente sobre a situação e o futuro da TAP, o que não significa que tenha hoje uma posição fechada sobre um assunto que, de resto, estou longe de dominar. Mas não posso continuar a TAPar os olhos. A TAP é hoje um instrumento ao serviço do centralismo, que ignora os interesses e necessidades do Norte do país, onde está concentrada parte significativa da indústria que mantém este país a funcionar, a começar por Lisboa.

Hoje, enquanto ouvia o Fórum TSF, descobri que a gestão da TAP quer acabar com a ligação à Milão. É preciso não ter noção nenhuma daquilo que é o sector têxtil, e da sua importância para o país, para tomar uma decisão absurda como esta. Falta de noção partilhada pelo ministro Pedro Nuno Santos, que acha que a procura de voos para Milão se reduz à MICAM. Nem por ter família ligada à indústria do calçado…

Se chegamos ao ponto em que a TAP está reduzida a um sorvedouro de recursos públicos, paga por todos para servir Lisboa, então talvez seja mesmo o tempo de fechar a torneira. A oferta será substituída por outros operadores, que é precisamente aquilo que está a acontecer no Porto, há vários anos, para uma série de destinos estratégicos para a indústria e para o turismo do Norte de Portugal. Ou então que mandem a conta para a CML, para a AML ou para a CCDR LVT e deixem os nossos bolsos em paz.

Salvar o têxtil, reindustrializar Portugal

Estou no sector têxtil há 12 anos. Conheço bem, e por dentro, grandes marcas, pequenas confecções, retalhistas, centros comerciais, department stores, o luxo e o fast fashion, bem como o fluxo de matérias-primas e, sobretudo, a profunda dependência de todo o sector face à China, desde que o Ocidente democrático decidiu abrir-lhe as portas da Organização Mundial do Comércio, decisão da qual resultou, em larga medida, a destruição de grande parte do tecido produtivo de países como o nosso.

O resultado de anos de aprofundamento desta dependência, face a uma potência que não se rege pelos mesmos valores que as democracias liberais, onde, não raras vezes, o trabalhador se confunde com o escravo e os direitos laborais não passam de uma ficção – que muda e torna a mudar com um estalar de dedos no comité central – fez com que a China se tornasse mais “competitiva”, o que lhe permitiu ascender a uma posição monopolista, dominando, quase por completo, a manufactura e a produção de várias matérias-primas, tornando os sectores do têxtil e da moda totalmente reféns de regime totalitário chinês.

O que é que sucede?

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Mais ou menos o que custam, nas grandes capitais da Europa, umas calças de ganga produzidas por eles (artigo em castelhano).