da Ignorância

Platão conta, no seu famoso plágio do Livro de Filolau, um episódio passado com Sólon, o mais sábio dos Sete Sábios da Grécia Antiga.

De visita ao Egipto, Sólon é admoestado com alguma ternura por um velho sacerdote, que critica a tendência grega para, ciclicamente, se auto-destruir para, logo depois, se reinventar do nada. Diz o Sacerdote no Timeu:

Entre vós [os gregos], porém, e entre os restantes povos, todas as vezes que vos acontece estarem equipados com as letras e todas as coisas de que as cidades têm necessidade, de novo, passados os anos habituais e como se fosse uma doença, caem sobre vós e os outros os fluxos do céu, restando entre vós apenas os iletrados e os ignorantes, de tal maneira que voltais ao princípio, tornando-vos outra vez como que novos, sem nada saberdes, nem do que aconteceu aqui, nem do que se passou entre vós nos tempos primitivos.

Pacheco Pereira: uma longa entrevista com uma análise brilhante

sobre o actual momento político e o que representa nos planos democrático, social (é essencialmente neste plano que José Pacheco Pereira tem construído o seu projecto historiográfico) e até filosófico. Notável descodificador de uma semântica não apenas artificial como superficial, Pacheco Pereira mantém-se isolado na sua trincheira – um caso único na paisagem de comentadores políticos em Portugal.

Ora ouçam por exemplo o que diz sobre a engenharia social e as recomposições sociais que as políticas radicais do Governo Passos/Portas forçaram numa sociedade extremamente vulnerável como a portuguesa. «A questão não é ter ido além da troika, mas ter tomado um conjunto de medidas cujo objectivo era alterar aspectos da composição e dos poderes sociais na sociedade portuguesa. E isso é inaceitável para um partido que se intitula social-democrata.»
pacheco_pereira_RTP_28out2015

Um sintoma na vida pública portuguesa

ferreira leite

Tenho notado com agrado que determinadas tradições absolutamente salutares da vida pública e social portuguesa continuam a persistir (Com vida pública/social refiro-me aos variados comentadores: os que aparecem na televisão e jornais e os que escrevem nos blogs e no facebook). Há várias tradições, antigas, provavelmente até com séculos, mas a que prefiro é aquela que consiste em deixar de ter consideração por alguém e proceder a desacreditar essa pessoa por ela ter deixado de partilhar das nossas opiniões.

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Manifestação contra o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (Lisboa, 12 de Setembro de 2015)

Os meus agradecimentos a Artur Magalhães Mateus e José Pacheco Pereira.

PSD e CDS responsáveis

pela vinda da troika de credores. [Lobo Xavier e Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo/fonte: TSF]

«O governo actual

manteve todas as práticas de co-governação com a banca e as instituições financeiras que já vinham do governo anterior (…)» Pacheco Pereira hoje no Público, a pretexto da «crise» no BES.

Exactamente: Fernando Moreira de Sá

Fernanda Câncio refere-se a “um consultor de comunicação entrevistado pela Visão”, “o consultor de comunicação”, “o entrevistado da Visão”, “o tipo” e José Pacheco Pereira a “um dos participantes”. Acabo de ler a entrevista e, imaginem só, “um consultor de comunicação”,  “o consultor de comunicação”, “o entrevistado da Visão”, “um dos participantes”, “o tipo”, afinal, escreve aqui no Aventar e, vejam lá, até tem nome e tudo: Fernando Moreira de Sá!

F e r n a n d o  M o r e i r a  d e  S á.

Repararam?

F e r n a n d o  M o r e i r a  d e  S á.

Não é difícil.

PSD, Purgas e Caça às Bruxas

Sou formal e explicitamente contra a qualquer espécie de punição sobre militantes que não foram seguidistas quanto às escolhas para estas Autárquicas 2013. Rui Rio pode ter muitos defeitos, inclusive a falta de agilidade e visão integrada para potenciar os milhões de turistas que a Ryanair deposita no Porto, mês após mês, mas jamais deverá ser sancionado, irradiado, punido pelas posições que assumiu. Nem ele, nem Pacheco Pereira, nem Capucho, nem ninguém. Ninguém de valor, no PSD, se é que o PSD merece regenerar-se, aprender e progredir, pode ser punido apenas por conceber um PSD diferente deste apascentado por Passos, por discordar frontalmente desta liderança e criticá-la, pondo em causa o chamado PSD Sistémico. Criticar é ajudar. Dou graças a Deus pelos que me criticam, mesmo quando se apressam nos seus julgamentos aos meus posts. Com isso, tal como com a indiferença, só me impulsionam para diante.

Pessoalmente, nem sempre gosto de Pacheco, nem sempre suporto Rio, mas estou muito longe de deixar de reconhecer a um e a outro, por exemplo, qualidades úteis ao PSD, necessárias ao País, bem como ideias incómodas sempre urgentes ao debate de ideias. Há muitos caminhos para se alcançar um País mais arejado de vícios políticos e mais regenerado de hábitos caducos. Goste-se ou não, quer Rio, quer Pacheco têm ajudado a essa missa. Já no que toca a Capucho tenho dificuldade em vislumbrar algo mais fecundo que um mero ressabiamento prebendista, ou não tivesse falhado clamorosamente o seu tirocínio à presidência do Parlamento. Ele e o Criador lá saberão.

Prà frente, Portugal

actual RTP

A propósito da base IX, 9.º, do AO90, lembrei-me das eleições presidenciais de 1986.

Durante a campanha, alguém terá dispensado a leitura do imprescindível Tratado de Rebelo Gonçalves:

A exemplo de ‘à’ e ‘às’ ou de ‘ò’ e ‘òs’, recebem o acento grave certas formas que representam contracções de palavras inflexivas terminadas em ‘a’ com as formas articuladas ou pronominais ‘o’, ‘a’, ‘os’, ‘as’ (Bases Analíticas, XXIV). Estão neste número (…) ‘prò’, ‘prà‘, ‘pròs’ e ‘pràs’, contracções cujo primeiro elemento é ‘pra’, redução da preposição ‘para’

(1947: 185)

e

— Prà rua, que é sala de cães! — gritava ele…

(Aquilino Ribeiro, “Terras do Demo”, 1.ª parte, cap. VIII)

(apud 1947: 282).

***

Isto é, em vez de “Prà Frente, Portugal”, adoptou-se

Ódios Pessoais

Portanto, Pacheco é uma hiena descontrolada de Esquerda no Partido Errado. Quando é que rasga o cartão de militante?

Ainda os 50% no 1º de Maio

O artigo de Pacheco Pereira no Público merece uma  reflexão profunda porque coloca as coisas como eu penso que devem ser colocadas. E sei do que falo quando penso no país como o interior de uma panela de pressão que está hoje mais quente do que ontem.

“O Portugal dos dias de hoje está como
um daqueles cristais muito frágeis que, só
de se tocarem, correm o risco de quebrar.
O erro do Pingo Doce foi dar um abanão
desnecessário e inútil nessa fragilidade,
feito a partir de uma posição de força de
quem pode escolher, contra a fragilidade de
quem não pode.”

 

O Natal triste de José Pacheco Pereira

Hoje, dia 24 de Dezembro, José Pacheco Pereira (JPP) desejou-nos «Um Natal triste».
Não, obrigada, sr. Dr.! Vamos tentar que ele seja o mais feliz possível.
O historiador teve a oportunidade única de desejar Um Feliz Natal a cerca de 45 mil leitores do PÚBLICO em papel mais os leitores online. Desperdiçou-a totalmente. Teve azar que este dia tão especial fosse a um sábado, dia do seu espaço no referido diário. Sem nada para dizer que pudesse contribuir para alimentar um pouco da esperança que anda pelas horas da amargura, escreveu “Este Natal será triste. (…) Digo triste, porque mais ou menos, vaga ou profunda tristeza, todos sabem que a vida vai piorar, e que não existe esperança no futuro próximo (…). Tudo é mau para milhões de portugueses (…).
Os jovens que o lerem (leram) terão mais uma razão para o desânimo: “um mundo com emprego e com a possibilidade de «construir» o seu espaço próprio não existe”. Assim também os mais velhos terão mais um motivo para lembrar o que já adivinham, que “o fim da sua vida, a reforma, a doença, o declínio físico, vão ser muito piores, a solidão e a dependência ainda maiores”. E ainda há mais: as decisões deste Natal,  “de um Natal triste” é “matar-se, emigrar, desistir, resistir”, escreveu JPP.
Aproveito apenas a palavra «resistir».
É preciso muita resistência e resiliência. Resistir, «aguentar», « aturar», «lutar», «subsistir», «reagir», »recusar» estas palavras de pessimismo que não levam a nada. Apenas à inação e à não-vida.
Tretas são as suas palavras, JPP,  que depois de lidas vão para o papelão de forma a poderem vir um dia a transformarem-se em algo positivo e , quem sabe, virem calhar às suas mãos em algo novo.
Mesmo assim, desejo,  sinceramente, ao sr. Pacheco Pereira, um  Feliz Natal e um Bom Ano Novo.
(Numa coisa ele terá esperança: que muitos leitores tenham paciência em lê-lo e ouvi-lo em 2012…).
Céu Mota
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