Da abstenção em particular e do desconhecimento das mulheres em geral

SUFRAGISTA PTMulheres em geral, avós e netas em particular, já vão perceber porquê, o que vos proponho é um prévio apelo à memória e uma solução para ajudar o minimizar o problema.

O problema é a abstenção. O problema é o “eles são todos farinha do mesmo saco”, o “isto já lá não ia nem com dois salazares”, os “claro, não sabias!?”. O problema somos nós!

O problema da abstenção é o tempo de antena que as experiências orwellianas têm tomado nas tv’s portuguesas, contribuindo assim para um esboroar contínuo da memória, mesmo que não seja assim tão longínqua. [Read more…]

República da Guiné-Bissau, 13 de Agosto

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À 23ª hora do dia 12 de Agosto de 2015, o PR guineense José Mário Vaz (JOMAV), exonerou o Executivo do Engº Domingos Simões Pereira (DSP), tendo finalmente materializado alguma das suspeitas, quando tanto se especulou sobre corrupção, peculato, gestão de recursos, etc. JOMAV pergunta ao Executivo demitido, onde se encontram, onde foram aplicados, se é que foram aplicados, os 53 mil milhões de Francos CFA, cerca de 50 milhões de euros, doados à RGB, desde que DSP tomou posse, a 04 de Junho de 2014! [Read more…]

A nova-velha Turquia!

TURQUIA EST. ISL

A Turquia iniciou uma nova política face ao auto-proclamado “estado islâmico” (“ei”), em consequência do atentado de Suruç, há 10 dias (20 de Julho), na fronteira turco-síria. A famigerada Kobane, na Síria, fica a apenas 10 km de Suruç, sendo aliás esse o destino dos membros da Juventude Socialista dos Oprimidos (assim mesmo, Partido Socialista dos Oprimidos), cuja acção de voluntariado visava ajudar à reconstrução desta cidade anteriormente ocupada pelos criminosos do “ei” e, bombardeada pela Força Aérea da Coligação. O atentado de Suruç saldou-se em 32 mortos e 104 feridos.

Este foi a mote, a razão convenientemente encontrada pelo Presidente da República (PR) Erdogan para esta mudança, mas a qual nada tem a ver com os acontecimentos do passado dia 20 de Julho. [Read more…]

“Os Condenados” – Peça de Teatro

ESTC - Os Condenados  (c) Filipe Ferreira

foto: ESTC – Os Condenados  (c) Filipe Ferreira

Exercício-espectáculo dos alunos finalistas do Curso de Teatro, Licenciatura, da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC). 24 a 26 de Julho, Sala Garret, Teatro Nacional D. Maria II. ENTRADA LIVRE.

Carlos J. Pessoa, encenador e autor do texto, teve inicialmente como ideia para o trabalho de final de curso deste grupo de actores (há outros grupos a trabalharem outros textos/propostas), “Os Cenci”, uma tragédia familiar italiana, na Roma do final do século XVI, na qual Beatriz Cenci, a filha, é decapitada, punição que recebe por ter assassinado o seu pai tirano.

Esta estória, documentada nos “Anais de Itália” (Ludovico António Muratori, 1749), é apenas no verão de 1819 que Percy Bysshe Shelley a cristaliza numa tragédia em 5 actos, a qual é adaptada e levada à cena em 1935 por Antonin Artaud, precursor do Teatro da Crueldade, no qual se pretende a inexistência de distância entre o actor e a plateia. Todos são actores e todos fazem parte do processo.

É precisamente tendo este contexto em perspectiva, que tudo faz sentido para o encenador Carlos Pessoa, ao ver na televisão a execução de um grupo de cristãos coptas numa praia Líbia, pelo auto-proclamado “estado islâmico”, colocando-o em perspectiva para escrever e encenar “Os Condenados”, peça que sobe à cena durante o próximo fim-de-semana de 24 a 26 de Julho. Com ligações pessoais e profissionais a Alexandria, no Egipto, estas realidades/culturas que por vezes nos parecem longínquas, não lhe são estranhas e pôs mãos à obra para aquilo que até poderá ser considerado como um upgrade do Teatro da Crueldade, para o Teatro dos Horrores. [Read more…]

O Acordo Nuclear Iraniano

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Legenda *

A propósito do Acordo Nuclear Iraniano alcançado há 2 dias, parece-me oportuno replicar aqui um texto de minha autoria e, publicado a 29 de Novembro de 2013, aquando da assinatura do Acordo Interino (24.11.13), espinha-dorsal desta versão final agora alcançada:

Irão: Os “gémeos” Hussein Obama e Hassan Rouhani lá se entenderam!

Permitam-me que vos diga, o acordo alcançado sobre o programa nuclear iraniano no passado fim-de-semana, não é surpresa nenhuma. É inédito, é “jebétacular”, é mediático, mas era aguardado há já algum tempo, sobretudo por dois factores.

O 1º porque o Presidente Obama quer ficar para a História para além do óbvio e, percebendo que a solução Dois Estados entre israelitas e palestinianos é impraticável, teria que tirar outro coelho da cartola. A cada segundo mandato, todo o Presidente americano investe nesta “solução”, na tentativa de ficar referenciado como aquele que resolveu o problema, blindou ambas as partes e permitiu o surgimento duma Palestina independente e soberana. Ora a Cisjordânia neste momento não passa duma “micronésia de terra” rodeada e recortada por colonatos e muros, sem qualquer contiguidade territorial, o que a remete para um crescente e agonizante disfuncionalismo, com a agravante de ver cada vez mais vedado o acesso a um bem essencial. A água. Logo, uma parte perdedora deste acordo são os palestinianos e a sua causa.
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“Projecto Islão” – Ano I

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Tendo já dissertado por várias vezes sobre o surgimento do “Estado Islâmico” (“EI”) há um ano, faz sentido agora perceber a evolução dos acontecimentos e o estado a que chegámos.

Pensámos, pensei, que a mudança de Governo no Iraque em Setembro passado, cuja nomeação dos novos ministros da Defesa (Khalid al-Obeidy, parlamentar sunita de Mossul, ocupada aliás pelo “EI”) e do Interior (Mohammed Salem al-Ghaban, membro da organização Badr, Lua-cheia, a qual controla uma milícia xiita engajada na luta anti-“EI”), alterasse o curso dos acontecimentos.

Decorreram cerca de 40 dias, desde que o novo Governo tomou posse, até se chegar a acordo sobre ambos os nomes e estes tomarem posse. Julgou-se que uma composição governamental mais inclusiva, iria naturalmente alimentar uma secessão interna no “EI”, já que parte considerável da sua liderança e dos seus estrategas são ex-ba’athistas leais a Saddam Hussein e perseguidos pela nova liderança xiita. A “cenoura” da reintegração ali está(va).

Acontece que Saddam, após a 1ª Guerra do Golfo, iniciou um vasto programa de islamização das massas, utilizando naturalmente as estruturas do Partido Ba’ath para tal. Era preciso agradecer a Deus a manutenção do regime, facto vendido internamente como uma indubitável vitória sobre o Grande Satã, bem como entreter sunitas, xiitas e curdos, os quais partilhavam o sentimento de estar a praticar o bem. Deus é indiscutível. [Read more…]

Arábia Saudita: Razões para os ataques no Iémen.

unnamedHá duas noites que se iniciou mais uma intervenção militar externa contra a minoria houthi, no Iémen. Digo mais uma, já que a História demonstra que já houve várias, sendo que uma delas foi liderada pelo então Piloto da Força Aérea Egípcia, Muhammed Hosni Said Mubarak, a partir de 1962, quando a recém-criada República Árabe do Iémen (do Norte) pedira ajuda ao Egipto de Gamal Abdel Nasser para eliminar as tribos que se mantinham fiéis à Monarquia de Muhammed al-Badr, 3º Rei do Iémen.

Curiosamente, à época, a tensão não era entre sunitas e xiitas, mas sim entre repúblicas e monarquias. De tal forma, que o Reino da Arábia Saudita lutava ao lado dos monárquicos xiitas houthis, que hoje bombardeia! A proxy war que durou entre 1962 e 1970, foi entre o Egipto aliado à URSS e a Arábia Saudita aliada à Grã-Bretanha. [Read more…]

Iémen. Razões para o massacre.

O ponto de partida para uma melhor compreensão das dinâmicas actuais no Iémen, deve passar por uma leitura prévia do texto publicado a 23 de Janeiro, A Crise no Iémen.

As razões para o massacre da passada 6ª-feira em duas mesquitas xiitas de Sana’a (entre 137 e 142 mortos, as fontes contradizem-se), uma vez mais de forma quase telegráfica, sem no entanto ser simplista, são as seguintes:

1º É necessário clarificar, relativamente a um dos dados do referido texto, que a demissão do Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi não foi irrevogável, continuando no cargo. Após a tomada de controlo da capital Sana’a pelos houthis, a Presidência, o Governo, as Embaixadas e demais instituições públicas, abandonaram a capital e rumaram até Áden, no sul, num movimento táctico, cujo objectivo principal foi o da procura da legitimação por parte da Comunidade Internacional, garantido de imediato e em simultâneo, já que as Embaixadas e respectivo pessoal, acompanharam institucionalmente o Governo legitimo do Iémen; [Read more…]

O “Bardo” tunisino. Razões para o massacre.

O massacre do Museu do Bardo (21 mortos), em Tunes, tem razões claras, as quais tentarei sintetizar de seguida, sem no entanto cair no simplismo.

1º Há dúvidas sobre se o objectivo seria verdadeiramente o museu, ou o Parlamento, muito próximo (aliás a notícia começa a ser veiculada como sendo um ataque ao Parlamento), no qual decorria a votação de uma lei anti-terrorista. É esta a convicção do Ministro dos Negócios Estrangeiros Taieb Baccouche e de muitos outros tunisinos; [Read more…]

O Califado não tem fronteiras

O ataque ao Hotel Corinthia em Trípoli é a prova de que, conceptualmente, o projecto do restabelecimento do Califado Islâmico não obedece a fronteiras, apesar de ter bem definido a sua base terrestre entre a Síria e o Iraque.
A existência desta territorialidade é a novidade face à anterior proposta da Al-Qaeda, para além do élan histórico-psicológico que o Bilad Al-Sham, as Terras do Levante, têm na memória colectiva dos muçulmanos, particularmente dos árabes da região do Médio Oriente, com o estabelecimento do primeiro Califado (Omíada), cuja capital foi Damasco, após a morte do Profeta (não confundir com o primeiro Califa, após a morte deste). [Read more…]

A crise no Iémen

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Apesar da crise permanente que o Iémen vive desde o início da “Primavera Árabe”, em 2011, a demissão do Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, nesta 5ª-feira 22 de Janeiro, apanhou todos/as de surpresa, sobretudo após a minoria xiita houthi ter ocupado o Palácio Presidencial na 3ª-feira 20 e, de na 4ª-feira 21, ter sido assinado um acordo no qual ambas as partes se comprometiam a redigir uma nova Constituição, inclusiva e, os houthisa retirarem as suas forças que sitiavam edifícios públicos, bem como a entregarem são e salvo, o Chefe do Gabinete Presidencial, entretanto raptado.

Oficialmente, o que precipitou a demissão presidencial, foi a demissão do Primeiro-Ministro Khaled Bahah, mas acontece que os houthis também deram o dito por não dito, pressionando por mais concessões não estando de acordo também, com o projecto de federalização do país em 6 Estados, querendo apenas a existência de duas regiões distintas. Ora esta posição vem reforçar, de certa forma, as exigências do Harak Janouby, a Vanguarda Separatista Sulista, liderada pelo socialista Ali Salim al-Beidh, que quer a independência do sul, num regresso à geografia política da Guerra Fria, aquando da existência do Iémen do Norte e do Iémen do Sul. Um projecto diferente das propostashouthis, sendo que nas horas seguintes à demissão do PR Hadi, 6 líderes de 6 províncias do sul, já afirmaram que não obedecerão a Sana’a, a capital, nem aos houthis. Já há registos, aliás, de ataques a postos e carros de polícia em Áden, principal cidade costeira do sul.
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