O Califado não tem fronteiras

O ataque ao Hotel Corinthia em Trípoli é a prova de que, conceptualmente, o projecto do restabelecimento do Califado Islâmico não obedece a fronteiras, apesar de ter bem definido a sua base terrestre entre a Síria e o Iraque.
A existência desta territorialidade é a novidade face à anterior proposta da Al-Qaeda, para além do élan histórico-psicológico que o Bilad Al-Sham, as Terras do Levante, têm na memória colectiva dos muçulmanos, particularmente dos árabes da região do Médio Oriente, com o estabelecimento do primeiro Califado (Omíada), cuja capital foi Damasco, após a morte do Profeta (não confundir com o primeiro Califa, após a morte deste).
Estas são razões que bastam para justificar o sucesso no rápido recrutamento de jovens conscientes da simbólica de toda esta construção e, dos outros, que se deixaram encantar com relatos de glórias passadas e futuras. Não esquecer que as religiões apresentam sempre finais felizes para o crente devoto! A Líbia, surge neste puzzle como um livre mercado de armamento e de recrutamento, já que o caos que entretanto vive permitiu-lhe ser o elo mais forte, numa súbita mudança de rotas para se aceder ao Sham. Ou seja, torneia-se o reforço policial e militar nas fronteiras turcas, através de um envio directo de armas e “recrutas” a partir de território líbio, nomeadamente do aeroporto de Mitiga, entretanto inoperacional, por bombardeamentos oportunos, muito provavelmente pela Força Aérea Egípcia, a qual colabora lado-a-lado com o General Haftar, o qual não se importaria de ganhar o estatuto de Sissi Líbio, ao impor a paz possível no seu país. Seria muito interessante e produtivo, se uma das futuras medidas de combate a estes grupos de criminosos nihilistas, a realizar hoje em Riga, fosse a de se cessar de os chamar de terroristas, jihadistas, mujahidines e outros títulos que carregam ao peito com honra.
Caso se decida que todos, sobretudo os media, deverão passar a designar os apoiantes do “Estado Islâmico” como Baghdadistas, é ter a inteligência de os colocar no patamar de idólatras do “Novo Califa”, sendo que o Shirk, a idolatria, é considerado o mais abominado dos pecados por Deus, fazendo-se assim de um terrorista, um pecador, na sua própria cabeça! E, já agora, parem de dizer Allah e passem a dizer Deus, já que se trata do mesmo para cristãos, muçulmanos e judeus e, não de “coisas” diferentes.

Comments


  1. Em vez de nos preocuparmos com o Califado, devíamos preocupar-nos com o desgoverno que temos neste triste país e que, para poupar uns tostões, deixou uma doente portuguesa morrer de Hepatite sem os medicamentos a que tinha direito. Andaram 1 ano a engonhar e não compraram o medicamento por “ser caro”.
    E porquê?
    Porque, para o desgoverno português, primeiro temos de pagar as dívidas. A banca, os “mercados”, estão à frente das pessoas.
    Os portugueses que se lixem. Que paguem impostos para, quando adoecerem, morrerem sem os medicamentos a que tinham todo o direito.
    Foi nesta escumalha que os portugueses votaram?
    Se eu tivesse votado nestes bichos desumanos, há muito que já tinha cortado a mão com que tinha feito a cruz no boletim de voto. Mas a culpa não é minha, não votei neles. Será que alguém votou? Talvez tenham sido os espanhóis, não? Sacanas!…


    • jmc muito bem. É isso mesmo!

    • Miguel says:

      Sendo eu de Esquerda mas também profundamente anticlerical, acho que devemo-nos preocupar com ambas as coisas; com este desgoverno de Homens e Mulheres sem qualidades, que destruíram consideravelmente a Escola pública, o Serviço Nacional de Saúde e de um modo geral toda a classe média, mas também com este cancro que se autoproclama isis, isil, ou a puta que os pariu, que não é mais do que um aglomerado teocrático de sociopatas, movidos por valores que estão no extremo oposto daquilo que defendemos no mundo ocidental, que neste momento já chegaram à fronteira da Jordânia e que não tarda muito chegarão à costa marítima da Síria (Mar Mediterrâneo), se entretanto não houver nenhuma ação musculada, quer por parte dos Estados Unidos, quer por parte de países vizinhos como a Turquia ou Egito. E já agora expresso a minha revolta em este desgoverno ter recentemente chumbado uma diretiva que pretendia tirar a nacionalidade portuguesa a todo e qualquer português/traidor que se filiasse neste antro de Animais.

    • Raúl M. Braga Pires says:

      Caro jmc,
      o seu comentário é válido, no entanto sou politólogo e arabista e estas são as questões que trato e analiso. Os especialistas em saúde e noutras quaisquer áreas que se preocupem com tal. Cada macaco no seu galho.
      Grato. Abraço.


      • Sim, claro que tem razão. O meu comentário anterior foi motivado por uma circunstância revoltante que me fez relativizar tudo o resto.
        Esta questão do EI é, infelizmente, muito preocupante. Não me parece que as grandes potências lhe estejam a dar a importância adequada. Até, talvez, ser tarde de mais.


  2. toda a gente parece esquecer que no México existe um pequeno califado, num localidade chamada GUERREROS, apoiado nas mesmas técnicas (decapitação, queimar vivos personagens não apoiantes dos narcos, etc.!) e financiado sempre pelos meSSmos democratas, mas como é em terras do Tio Sam, isso não importa … aliás entretimentos com as sombras de um tal Grey vem sempre a calhar nestas alturas!

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