Imposto Europeu: Eureka!

A história conta-se assim: Vital pediu o coelho emprestado ao camarada Jorge e tirou da cartola a ideia do imposto europeu, anunciada ontem para além do Marão: – Porque não criar uma espécie de imposto sobre transacções financeiras. Ou levar uma fatia de impostos nacionais de todos os estados membros para o orçamento europeu.

Já em texto ontem publicado, eu tinha demonstrado que o papel do PE, em matéria de fiscalidade, se confina a poderes consultivos. Basta consultar o ‘site’. Mas, para além disto, que não é despiciendo, propor aos eleitores “levar uma fatia de impostos nacionais”, criando, também com essa alternativa, o tal imposto europeu, não lembra ao diabo, quanto mais a um político que pretende captar votos para o PS, ou para qualquer outro partido.

Para nos descontrairmos, encaremos o lado humorístico do episódio; e nesta perspectiva, parece que estou a ver o Capoula Santos, ao que penso director de campanha do PS, a ripar do telemóvel e sussurrar a Sócrates: – Oh Zé, então o Vital foi dizer em Trás-os-Montes que iria propor um imposto europeu!? Sabem qual foi a resposta de Sócrates: – Porreiro pá! Então, o Capoula começou a voar baixinho, porque o chefe é quem mais ordena.

IMPOSTOSINHO PEQUENO, POIS, TERÁ DITO O SR VITAL

QUE GOSTA MUITO DE DIZER COISAS

Mais um impostosinho e já está. Mais uns votitos que vão para outro lado. Burrice tamanha já fede. Que diz este homem, que pensa ele, que tenha feito com que o nosso Primeiro o tenha escolhido para cabeça? Só porque ele tem cabelos brancos? Não se entende este candidato. Claro que os adversários agradecem.
A mim, não me afecta que o senhor diga umas parvoíces pela boca fora, pois que nunca iria votar nele, mas custa ouvir. Este independente está ao serviço de uma outra força qualquer. É um infiltrado! A não ser que o nosso Primeiro saiba o que ele vai dizer e concorde. Assim já entenderia pois que este nosso (des)governo já nos habituou a, por dinheiro, ser como o diabo por almas.

16 ANOS?

POLITIQUICES / PARVOÍCES

Será que o homem do BE sabe o que diz? Os putos que em casa não têm direito a respirar mais alto, que têm de pedir aos pais para sair à noite, que precisam de pedir uns trocos para uma bebida, a passarem a ter direito a votar? A passarem a ter direito a decidir sobre quem nos há-de governar? A passarem a mandar nas decisões da comunidade, quando na maior parte dos casos não fazem a menor ideia de como hão-de governar a vida deles?
Não é mesmo uma parvoíce?

Cinco anos que serviram para muito ou pouco?

vote_watch

Em rigor, para que serve o Parlamento Europeu? Afinal, o que fazem os deputados europeus? E qual a actividade dos deputados europeus portugueses?

Estas são perguntas legitimas de todos nós, sejamos muito ou pouco atentos às matérias políticas e, em concreto, à intervenção na nossa vida dessa instituição que se reparte por Bruxelas e Estrasburgo.

Algumas respostas podem ser encontradas no Vote Watch.

Por lá fiquei a saber que os eurodeputados portugueses são os 9º mais assíduos às sessões de trabalho, com 87 por cento de presenças. Fiquei ainda a saber que em 67 por cento das vezes os eurodeputados portugueses votaram em conjunto para o mesmo lado.

Há estatísticas para todos os gostos, podemos verificar a actividade de cada parlamentar e de cada grupo políticos, enfim, um mundo de informação para quem quiser saber o que se passou nos últimos cinco anos.

Carlos Fonseca – PS – eleições europeias ou legislativas?

A cabeça de cartaz do PS às europeias andou ontem pelo distrito de Aveiro, terras que ele conhece bem e cujas gentes também o topam. A região de Aveiro, diga-se, nunca necessitou servir-se desse neologismo em voga, empreendorismo, para afirmar a determinação da sua gente, na pró-activa labuta para criar sustento e riqueza. E no passado, quando as coisas não saíam a contento cá dentro, zarpavam para o Brasil ou Venezuela.

Foi, pois, neste cenário que Vital Moreira (VM) fez a apologia do ‘investimento público’, como bandeira exclusiva do PS, rematando com os habituais acusações de “neoliberais” e “reaccionários” contra o PSD. O ‘investimento público’ é, com certeza, um tema muito sério, a merecer profundo debate; mas, a meu ver, no contexto das legislativas. Os partidos portugueses – não sei se também os dos outros países – trocam sempre as voltas aos eleitores, e portanto nas eleições europeias pouco falam da Europa. E os eleitores marimbam-se para as europeias.

O Parlamento Europeu (PE) tem  poderes legislativos mitigados, como o próprio reconhece, O poder legislativo. No caso da fiscalidade, política industrial, política agrícola… o PE usufrui apenas de poder consultivo. Porém, como isto não bastasse, os ‘slogans’ de VM ainda se tornam mais desajustados, pelo contraste com a posição do PS em apoiar a recondução de Durão Barroso, ou seja, justamente um neoliberal inflamado, cuja governação em Portugal deixou marcas indeléveis com a extinção do IPE, os hospitais SA e privatizações, pretendendo até privatizar a CGD. No último instante, valeu-nos o tio Aníbal, diga-se em abono da verdade.

A campanha do PS para as europeias continua, pois, a navegar num mundo de equívocos, em que de europeu há muito pouco. Todavia, creio não se tratar de ingenuidades.

Votar! Um direito com dentes de leite

O cabeça-de-lista às eleições europeias pelo BE veio hoje defender, numa acção de campanha, o voto a partir dos 16 anos. Numa escola profissional, em Salvaterra de Magos, a jogar em casa, Miguel Portas aproveitou a audiência que estava a jeito e apresentou a sua grande e mobilizadora proposta para os jovens.

Com demagogia em doses eleitoralistas, atirou ao alvo: “Se aos 16 anos um jovem já tem idade para trabalhar porque não há-de ter idade para votar?”. Se o grande argumento é este, parece-me pobre. Sempre se podia defender o voto aos seis ou sete anos. “Se aos seis ou sete ano já não tem dentes de leite, porque não há-de ter idade para votar?”. O meu exemplo é parvo? Reconheço que sim. Mas se me dão licença já lá vou.

Miguel Portas resolveu acrescentar mais um ponto às suas razões, desvalorizando o argumento do “é muito novo e pode não saber”. Depois veio o clímax: “E os adultos, sabem?”. Pois, não sei caro Miguel. Não sei se os adultos sabem ou não votar. E se eles, os adultos, colocarem uma cruzinha no partido da estrela vermelha? Será que eles sabem votar?

P.S. Miguel Portas poderia ter feito bem em abrir este debate, usou foi um atalho pouco sensato. Já agora, porque não esperar para ver quantos eleitores até aos, vá lá, 30 anos irão às urnas nestas eleições.

CDS – O Paulo e o Nuno

O Nuno e o Paulo, ou o Paulo e o Nuno, já que aquele é que faz as despesas da campanha lá andam de feira em feira. Desta vez em Oliveira de Azeméis. Um empresário zeloso mandou parar a fábrica e juntou os trabalhadores em plenário para poderem ouvir os democratas cristãos, que juraram a pés juntos estar a favor das PMEs e contra os bancos das fraudes.
Nuno Melo não distribui propaganda, antes uns beijos e uns abraços pouco à vontade. Paulo Portas beija uma senhora que diz que sempre gostou muito dele mas não se lembra do nome. Dedicam a manhã à segurança e a tarde ao desemprego ! Estão a chegar a Aveiro terra acolhedora para as suas cores. Jaime Cortesão, do largo da minha adolescência, olha-os enigmático!

Vital Moreira, entusiasmante e mobilizador*

A pose, a  atitude, o tom monocórdico não pressagiam nada de bom para o candidato do PS. Mas quando começa a falar, Vital Moreira revela-se mobilizador e entusiasmante, quase arrebatador. Como hoje no comício de Valongo:
««Saudamos a expressão do objectivo socialista assente na apropriação colectiva dos principais meios de produção e no exercício democrático do poder das classes trabalhadoras.
Saudamos a ampla instituição dos direitos e liberdades, designadamente das garantias pessoais e das liberdades políticas, o fim da distinção entre os filhos, a igualdade entre marido e mulher; os direitos económicos, sociais e culturais, nomeadamente das classes trabalhadoras: o direito ao trabalho, tal como o dever de trabalhar, a consagração do papel da educação na edificação da sociedade democrática e socialista e o objectivo de eliminar a sua função conservadora da divisão social do trabalho, a previsão de discriminações positivas a favor dos filhos dos trabalhadores no acesso à Universidade, a proeminência do ensino público sobre o ensino privado.
Saudamos a firme e ampla consagração do direito à greve, a proibição do lock-out, a liberdade sindical,
a participação dos trabalhadores na reestruturação do aparelho produtivo, o âmbito de poderes das comissões de trabalhadores, o controle operário.
Saudamos a defesa das nacionalizações e da Reforma Agrária, a extinção dos foros, da parceria e da colónia, o respeito pela posse da terra dos pequenos e médios agricultores, a admissão da não indemnização dos grandes capitalistas expropriados, a planificação democrática da economia.»

* Volto a publicar hoje este «post» porque, por lapso, não foi referido que estas afirmações de Vital Moreita, feitas na Assemblria da República, datam de… 3 de Abril de 1976.

Bem prega Frei Tomás…

Manuela Ferreira Leite não gosta de comícios. Já sabíamos isso mas a presidente do PSD teve a amabilidade de nos informar. No entanto, nem ela pode acabar com todas as festas do género. Por isso, nada melhor que marcar presença na mais importante delas para a “nação laranja”: O Chão da Lagoa.

BEnews2

Miguel Portas destacou ontem o emprego na campanha para as europeias. À porta da Platex MP alertou para a vigarice que está a ser praticada na empresa onde o lay-off é escandalosamente ilegal: há máquinas e trabalhadores, há encomendas… só falta o cash para a matéria-prima que, imaginem só a surpresa, alguém levou, sabe-se lá para onde: eu aponto o BPP.
Deixou ainda um convite para Sócrates e Vital Moreira: passem por cá, pela Platex.

Miguel Portas

Hoje, segunda-feira, Miguel Portas estará no fórum da TSF. Podem ouvir em directo!

Em jeito de comentário uma nota final – as eleições europeias vão ser como um dia de greve. Quando ela ocorre, só há dois lados – os que fazem e os que não fazem.
Os que fazem são referidos pelos sindicatos, são os que estão do lado de quem a convoca.
Os que não fazem, são argumento para a entidade patronal.

Nas europeias vai ser assim: quem vota no PS está a assinar por baixo toda a política do Governo.
Quem não votar PS está a fazer uso do voto de protesto.
Só há dois lados e Miguel Portas fez bem, ontem, ao apelar ao voto de Protesto!

Se quiser acompanhar o Miguel Portas pode também visitar o blog sem muros.

euprofiler.eu

Não sabe em quem votar? Então responda...

Não sabe em quem votar? Então responda...

Uma aplicação online que nos permite saber em quem podemos (???) devemos (???) votar.
Dito de outra maneira, respondemos a umas perguntas (30) e no fim surge um gráfico sobre a nossa proximidade com cada um dos partidos.

Adianto o meu resultado: coladinho ao PS! É tudo a ajudar, cruzes canhoto!

Visite http://www.euprofiler.eu/.

Espanhol Técnico


via Papa Maizena

CDS – [6.9 – 9.6]

Intervalo fechado. Nem acima de 9.6 nem abaixo de 6.9. O inferior é das sondagens, o superior de Paulo Portas. No interior está um deputado.
Hoje em Mirandela correu benzinho, esteve composto e acertaram no dia. É caso para dizer que está tudo Eurocalmo.

COMEÇA HOJE

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OS PARTIDOS ESTÃO NUMA FONA
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Não se sabe muito bem para o que serve, sabe-se que muitos se servem dela, mas começa hoje a campanha para as eleições Europeias. De norte a sul, ilhas incluídas, os candidatos aos lugares no Parlamento Europeu vão andar numa fona, a ver quem consegue enganar mais velhinhos, mais senhoras, e mais jovens adultos. Tudo em prol dos vencimentos milionários que esses lugares lhes dão. Poucos dos candidatos estarão realmente interessados nos assuntos europeus, ou motivados para melhorar a vida dos seus concidadãos, lutando nos corredores e salas de Estrasburgo. Os amigos dos candidatos, os chefes dos candidatos, os colegas dos candidatos, todos se esforçarão por garantir o melhor lugar e a maior quantidade de votos aos seus protegidos. Ganhar as eleições, é garantir o maior número de votos, não para o candidato, mas para o partido que lhe dá apoio.
Estas coisas todas, no fundo iguais em todas as eleições, sejam elas nacionais ou europeias, levam a uma cada vez maior abstenção, e a um cada vez maior afastamento da vida partidária por parte dos eleitores.
Esta eleição, não deveria mas serve para aquilatar das reais possibilidades do partido do poder vir a ganhar as outras, muito mais importantes para nós, as nacionais, que aí se avizinham lá para Setembro / Outubro.
Nestas eleições, as europeias, os partidos pequenos, sem possibilidade de eleger seja que deputado for, tentam ganhar notoriedade para, nas autárquicas ou nas legislativas, terem alguma hipótese de colocar algum dos seus membros.
Todos os partidos, estão a partir de hoje, numa fona danada para ganhar lugares ou seja o que for que lhes dê notoriedade. Espera-se uma campanha renhida e por ventura correcta.

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Arranque do CDS


O Paulo e o Nuno chegaram confiantes. Lá estavam as barracas da feira. O movimento não era muito mas também ainda era cedo. Os “ajudantes locais” afadigavam-se algo comprometidos. Nervosismo por ser a primeira acção de campanha. Televisões a postos, jornalistas num frenesim. Primeiros beijos e primeiros abraços, aquecer os motores, conversa de circunstância. E a D. Rosa toda lampeira, “então isto há dois dias é que era bom para a televisão estava isto cheio, ou então amanhã que vamos ter feira do queijo, hoje não há!”
Grande arranque! Bem me disseram para não ser isento!

O arranque do Bloco de Esquerda

O Bloco começou a campanha pelo Alentejo – Miguel Portas esteve na aldeia de Montes Altos. Pretendeu com isso destacar a prioridade que tem de ser dada às pessoas.

Miguel Portas no Alentejo

Miguel Portas no Alentejo

E serviu esta iniciativa para marcar o arranque do BE em direcção ao 3º mandato na europa. Todas as sondagens apontam um valor acima de 10% para o BE, algo que vai levar Miguel Portas e Marisa Matias para o Parlamento Europeu.
A questão será perceber se a campanha para as europeias será mais útil para alcançar o 3º deputado ou ampliar a base apoio que permitirá crescer nas legislativas.

Do dia de ontem queria também destacar a fantástica iniciativa do PCP que levou muitos milhares para as ruas de Lisboa.

Em ispanhole eles se entendem

Aí está mais uma maravilha do Magalhães! Ou magalhanes!
Segundo as informações que acabam de chegar à redacção aventadora, foi através do magalhanes que o “sinhori inginheiru” se preparou para a apresentação em ispanhol junto do Zapatero!
Para ouvir através da TSF!

Aí está o enorme destaque que o El Pais deu à visita de Sócrates

Aí está o enorme destaque que o El Pais deu à visita de Sócrates

Não queria terminar sem antes mostrar a minha surpresa pelo facto do magalhanes ter ajudado a criar uma nova língua – o Espanhol! Eu sempre pensei que em Espanha se falava Castelhano.
Mas, para quem conseguiu fazer inglês técnico como o “sinhori inginheiru” conseguiu, podemos seguramente esperar por uma excelente prova de espanholi aquando da defesa da tese de doutoramento na Independente.

Tratado de Lisboa!, diz José Sócrates. Tratado de onde?

Num comício em Coimbra, na campanha para as Eleições Europeias, José Sócrates referiu o Tratado de Lisboa como o grande feito da sua governação.
Tratado de Lisboa? Aquele que foi muito importante para a sua carreira política? Ou aquele para o qual prometeu um referendo que não fez? Ou aquele que a Irlanda não assinou? Ou aquele que simplesmente não existe nem nunca entrará em vigor? Tratado de quê?

A Marcha da CDU: 85 mil em protesto

Foi hoje à tarde, em Lisboa. Mais uma mega-manifestação de protesto contra o Governo e, segundo o «Público», um bem afinado conjunto de «slogans» contra esta política.
A dois dias do início da campanha eleitoral para as Eleições Europeias, o PS sente o descontentamento da população. Dir-se-á que foi uma organização de um Partido político, mas nunca outro Governo, como este, teve de defrontar tantas amanifestações desta dimensão. Ao ponto de se relativizarem os 85 mil de hoje.
Foram 200 mil da CFTP por duas vezes, foram 120 mil e 100 mil dos professores, foram os 85 mil de hoje. Poucas vezes, desde o 25 de Abril, a luta de rua atingiu números tão significativos.
«Os números não são importantes» – é o que dizem sempre nesta altura os actuais detentores do poder. Não serão?

Carlos Fonseca – Vital Moreira e a teoria do PS de esquerda

Vital Moreira, em artigo no ‘Público’ de ontem, zelou diligentemente pela imagem do PS de Sócrates como partido de esquerda. Argumentava que o fosso entre os “dois partidos de governo nacionais” não cessa de se alargar. Adianta também que a tese da convergência dos dois partidos se baseia na visão esquerdista – explorada pelo PCP e pelo BE – de que, sobre a liderança de Sócrates, o PS se deslocou “para o centro”, estreitando desse modo a distância para o PSD.

Se restassem dúvidas acerca da falta de coerência da presença de Vital Moreira na manifestação do 1.º de Maio da CGTP, o artigo em causa certamente que as dissiparia definitivamente.

As maiores contradições centram-se, em particular, na declaração de que o PS busca assegurar a sustentabilidade financeira dos grandes pilares do ‘Estado Social’ (sistemas públicos de segurança social, de saúde e de ensino). Provavelmente por distracção, omitiu o sistema de justiça, uma área inalienável do Estado de Direito, que, como sabemos, está a funcionar de forma caótica; digo apenas isto, para evitar detalhes e não dissecar as alterações do Código de Trabalho promovidas pelo governo de Sócrates, e reprovadas por 5 deputados socialistas.

Sobre o ensino, e da alegada defesa da escola pública, a maioria dos cidadãos está esclarecida. A obra de Maria de Lurdes Rodrigues, e da sua equipa, é um símbolo de prepotência e incompetência, que a direita não desdenharia. A luta dos professores é elucidativa e atingiu uma dimensão pública jamais vista. Portanto, a este respeito, não vejo o tal fosso.

No domínio da saúde, comecemos por salientar que, no relatório de 2000 da OMS, Portugal estava em 12.º lugar, no ‘ranking’ de ‘Overall Performance’; entre, diga-se, 191 países. O resultado assentava sobretudo no desempenho do SNS. No último governo de Guterres, o ministro Correia de Campos lançou o célebre programa de parcerias ‘público-privadas’, no âmbito do qual deveriam estar em construção em 2006 (!) os hospitais de Loures, Cascais, Braga e Vila Franca de Xira. Da lista, apenas está em construção o Hospital de Cascais que, segundo o Tribunal de Contas, foi aprovado sem terem sido considerados todos os encargos públicos com o projecto, nem avaliados os riscos dai resultantes (notícia da edição de hoje do ‘Público’).

Em suma, a política do PS para a saúde, iniciada nos tempos de Guterres, prosseguiu com os governos PSD + CDS e de Sócrates. Este último prepara-se, agora, para penalizar os cidadãos com a liberalização das margens sobre os preços dos medicamentos. Uma cedência à poderosa ANF, do Sr. Cordeiro. Também aqui não vislumbro o fosso.

A grande probabilidade da não atingir a maioria absoluta assusta, e de que maneira, certas figuras do PS e seus apêndices. Resta, pois, a Vital Moreira defender a teoria do ‘PS de esquerda’, e atirar-se à visão de esquerdista. Tem que haver sempre um inimigo – é dos livros.