Carlos Fonseca – PS – eleições europeias ou legislativas?

A cabeça de cartaz do PS às europeias andou ontem pelo distrito de Aveiro, terras que ele conhece bem e cujas gentes também o topam. A região de Aveiro, diga-se, nunca necessitou servir-se desse neologismo em voga, empreendorismo, para afirmar a determinação da sua gente, na pró-activa labuta para criar sustento e riqueza. E no passado, quando as coisas não saíam a contento cá dentro, zarpavam para o Brasil ou Venezuela.

Foi, pois, neste cenário que Vital Moreira (VM) fez a apologia do ‘investimento público’, como bandeira exclusiva do PS, rematando com os habituais acusações de “neoliberais” e “reaccionários” contra o PSD. O ‘investimento público’ é, com certeza, um tema muito sério, a merecer profundo debate; mas, a meu ver, no contexto das legislativas. Os partidos portugueses – não sei se também os dos outros países – trocam sempre as voltas aos eleitores, e portanto nas eleições europeias pouco falam da Europa. E os eleitores marimbam-se para as europeias.

O Parlamento Europeu (PE) tem  poderes legislativos mitigados, como o próprio reconhece, O poder legislativo. No caso da fiscalidade, política industrial, política agrícola… o PE usufrui apenas de poder consultivo. Porém, como isto não bastasse, os ‘slogans’ de VM ainda se tornam mais desajustados, pelo contraste com a posição do PS em apoiar a recondução de Durão Barroso, ou seja, justamente um neoliberal inflamado, cuja governação em Portugal deixou marcas indeléveis com a extinção do IPE, os hospitais SA e privatizações, pretendendo até privatizar a CGD. No último instante, valeu-nos o tio Aníbal, diga-se em abono da verdade.

A campanha do PS para as europeias continua, pois, a navegar num mundo de equívocos, em que de europeu há muito pouco. Todavia, creio não se tratar de ingenuidades.

Comments

  1. Adalberto Mar says:

    Mr Charles Fondry (Fon-seca!): pergunto-lhe, após ler o seu muy estimado discurso elaborado, enfeitado, sofisticado, articulado, ..uma petite curiosité, e a curiosity killed the cat…COMO DIZEM ESTES TIPOS TODOS QUE FALAM FALA, ARTICULAM CONCEITOS TÃO IMBRÓGLIOS, mas…COMO DIZEM ELES QUANDO É PRECISO…UM SIMPLES «I love you» à amada???!! Será que É com FOLHA DE PAPEL AZUL 12 LINHAS COM CARIMBO E COMEÇA: Eu fulano tal X Y declaro por minha honra que …e…etc blá blá???!! só por perguntar!!!

  2. carlos fonseca says:

    Adalberto, se é que entendi a sua pergunta, respondo que há homens mesmo que declarem “I love you” à amada não conseguem concretizar; ou seja, ficam-se pelo discurso e já não dão uma para a caixa. Nem mesmo com “Viagra”.

  3. Adalberto Mar says:

    nao nao é isso…tire o vinagre!! e o viagra!!!é a seco!


  4. É inevitável que os assuntos “nacionais” tomem conta dos discursos nas “Europeias”. No entanto, é necessário reconhecer que uma e outra coisa estão ligados, é inevitável enquadra-las em conjunto. Pena é que VM tenha, antes do início da campanha, afirmado que nestas eleições não eram as questões nacionais que estariam em cima da mesa. São sempre as questões nacionais. Mesmo que em cima da mesa esteja, por exemplo, a adesão da Turquia.