Rui Tavares, devolve-me o voto pá

No dia das últimas eleições europeias fui votar propositadamente perto das 19h – deu-me para achar que a essa hora o Miguel Portas estaria mais que eleito, e fazia questão em votar mesmo na Marisa Matias.

Umas horas depois descobri que tinha votado no Rui Tavares, o que pesem diferenças ideológicas muito me alegrou. Um historiador é um historiador, e a minha costela libertária não é amputável.

Serve este intróito disparatado para dizer ao Rui Tavares que sou muito ecologista, desde 1973 e com episódios de militância, mas não votei nem queria votar nos Verdes. Nada de especial contra a social-democracia de inspiração pacifista germânica, mas não é o meu voto. Lamentei a seu tempo que em Portugal essa corrente não tenha sido criada, e posteriormente tenha sido sequestrada, até tenho uma micro-culpa no cartório de que já me tentei penitenciar, e chega. Se alguém quiser ir a correr atrás do prejuízo e fundar um Partido Verde pode contar com a minha assinatura, não com o meu voto.

Temos assim, Rui Tavares, que me gamaste o voto. E para quem conheça minimamente Cohn-Bendit, que tem tanto de distraído como de desbocado, é claro que já tinhas pensado nisso muito antes da desculpa que agora arranjaste, favor que de resto deverias agradecer ao Francisco Louçã. Já me tinham ido à carteira, à conta bancária, aos bolsos, ao voto é a primeira vez, e não gostei.

O centrão das contradições

PS e PSD têm demonstrado ser uma e a mesma coisa, em termos de resultados finais para os portugueses: falta ou consciente propósito de ignorar uma visão estratégica, depauperamento do tecido económico do País, os resultados da ilusão de vida fácil à custa do crédito barato e, para remate final, a cedência dogmática às reivindicações de poderosas corporações (advogados, médicos, juízes, pilotos da TAP e outras a que a ordem alfabética me conduziria).

Hoje, como quase diariamente, foi mais uma jornada de contradições e demagogias. Exemplos:

  1.  O pin…cel Catroga diz que “a sua geração nos últimos 15 anos só fez porcaria”  -15 ou 30 anos Dr. Catroga? V.Exa. não se lembra de o governo que integrou, como Ministro das Finanças cavaquista, ter dado carta branca  ao colega Mira para, em desrespeito pelo interesse nacional,  retalhar a alienar a CUF/Quimigal segundo interesses adversos  ao País? Nem sequer se dignaram ouvir accionistas privados; a Sociedade Nacional de Sabões Lda. que detinha 34% da Sonadel foi uma entre vários;
  2. António Nogueira Leite, ex-secretário de Estado de Guterres (1999-2000, XIV Governo Constitucional),  ao Jornal de Negócios  sobre os 20% a atribuir aos comandantes da TAP, pela privatização, diz “Nesta matéria, no PSD responde o seu presidente”. Assim, tal qual, como o “Lavar de mãos de Pilatos”.
  3. O Prof. João Duque – e que Prof., senhores! – afirma: “A taxa de 6% não é nada má”, No mesmo jornal, e em simultâneo, Nogueira Leite assevera: “As taxas de juros que Portugal vai pagar à UE são muitíssimo difíceis” – a divergência seria despicienda se ambos não fossem conselheiros de Passos Coelho para a área da ‘Economia e Finanças’. Enfim…

[Read more…]

RESULTADOS NACIONAIS POR CONCELHO E POR FREGUESIA

distribuição de câmaras 2009Para saber todos os resultados Nacionais, por Concelho e por Freguesia, respeitantes às Eleições Autárquicas de 2009. CLIQUE AQUI.

Transfiguração (colagem)

A Transfiguração, Giovanni Bellini, 1480
Giovanni_Bellini1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,

2 E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.

3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.

4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias.

5 E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o.

6 E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo.

7 E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo.

8 E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus.

9 E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos.

Evangelho segundo Mateus, 17, 1-9


FRD_2009

E de insulto em insulto, insinuação de fraca prova, diz-que-disse com o maior desrespeito pelo rigor e valor de números e palavras; com fuck them, asfixias, ironias sobre democracia a prazo, programas políticos logo-se-vê ou dos 1000-milhões-de-euros, de acusação em acusação em acusação sobre acusação, ignorância e insinuações sobre este homem, disto tudo para isto que aqui temos, quem é que andou ocupado a desenhar-lhe os contornos dessa espécie única que só se explica em alemão: Übermensch? Este outro super-homem que não se confunde com o dos bonecos, é outro o desenho, é outro o espelho: o de uma democracia à espera de novos actores políticos sem o peso das frustrações e complexos de inferioridade, à espera de pessoas como são as pessoas, capazes de perceber a realidade onde vivem as pessoas reais. Como se chegou a este ponto? Não sei, mas sei que todos os sound bite sobre asfixias, medos, perseguições, pressões não fazem mais que diminuir a política, a democracia, o discurso político e a percepção e inteligência de quem assiste a este espectáculo sem nele participar e sei que esta alucinada retórica do inferno que é sempre o outro acaba por reforçar a existência e credibilidade de quem pretendia ser apenas como um leão e se vê, afinal, a braços com a sua condição de Übermensch.

FRD, 2009

Encontro de irmãos

Algures por aqui, na tarde de hoje:

Ver mapa maior

Cartazes das Autárquicas (Campo Maior)

campo maior-JBurrica
João Burrica (actual Presidente), candidato independente.
campo maior-PS
Ricardo Pinheiro, PS.
campo maior-PSD
Pedro Nabeiro, PSD.

A vida nem sempre é simples

O sr. Porfírio Silva manda umas piadas ao Paulo Guinote, porque este sugeriu ao PSD

Revisão do estatuto da carreira docente no sentido de eliminar a divisão da carreira entre professores e professores titulares, ou seja, o restabelecimento da carreira única do professor.

Não deve ter lido no último Expresso o que escrveu Marcos Perestrello:

Mas essa imaginação transformou-se em rigidez quando foi necessário ultrapassar as dificuldades encontradas no sistema de avaliação dos professores, corrigir as incongruências do sistema de gestão ou contornar as barreiras à mobilidade anual dos colocados a centenas de quilómetros das suas residências. E a determinação transformou-se em obstinação quando foi precisa coragem para voltar atrás na divisão da carreira em titulares e não titulares ou resolver os problemas decorrentes da falta de pessoal não docente.

Marcos Perestrello parece-me que ocupa uns cargos no PS, é candidato a uma câmara e de certeza absoluta um perigoso infiltrado, um espião, ou pior que tudo: um professoreco disfarçado. A vida às vezes é uma chatice, e nem sempre é simples, muito menos simplex.

Coisas do DIABO : Os 10 pecados de Sócrates

José Sócrates levou o PS a um limite aonde nunca tinha estado : uma votação inferior a um milhão de votos! E em Democracia há sempre boas razões para explicar a votação do povo soberano. Ei-las:

1 – 150 000 empregos prometidos e o que nos deixa é a mais alta taxa de desemprego de sempre.

2 – Obras públicas jamais. Nenhuma das grandes obras públicas se iniciou e têm contra si a maioria da opinião pública

3 – PME – Pequenas e Miseráveis Empresas. Mais miseráveis que nunca. Em desespero Sócrates promete todos os dias mais uma medida.

4 – Engasgos na Saúde: A demissão de Correia de Campos foi um erro tremendo, após a sua saída deixou de haver política de Saúde.

5 – O erro da Cultura – O próprio Sócrates admite que foi um erro a falta de atenção que devotou à cultura. O Património, algum dele Património Mundial, está ao abandono.

6 – Défices : “Está para nascer um Primeiro Ministro que faça melhor no déficit do que eu.” Mas a realidade é bem diferente. PIB a cair 4%, desemprego próximo dos 10%, endividamento externo equivalente a 110% do PIB, déficit externo de 8% a 9% e um déficit estrutural do Sector Público da ordem dos 5%. É uma situação muito séria. Não há paralelo na economia portuguesa.

7 – Justiça à beira do abismo – Magistrados do Ministério Público. “A Justiça está à beira do abismo”. Nesta área o governo não acertou uma só vez.

8 – Falhanço na Segurança : Há hoje mais crime em Portugal. Os agentes da segurança perderam o respeito por Sócrates, em manifestações várias, proferiram insultos e chegaram a atirar bonés à porta da residência oficial do Primeiro Ministro.

9 – Deseducação : Sócrates prometeu aliar-se aos professores, durante a campanha eleitoral de 2005.Acabou com os docentes contra o PS. Houve 150 000 pessoas na rua a pedir a cabeça da Ministra da Educação.

10 – Vida pessoal : A licenciatura de Sócrates, projectos urbanísticos, “esquecimentos” no caso Freeport quando afirmou desconhecer alguns dos actuais arguidos no processo.

É muito natural, depois da derrota nas eleições Europeias que Sócrates saia derrotado nas próximas legislativas. Que se pode esperar de alguem que deixa o país neste estado após quatro anos de maioria absoluta?

Se não te calas, compro-te TVI !

Escrevi ontem aqui !
É tão evidente o que está por trás do negócio da compra pela Telecom de 30% da Media Capital, que já ontem o coloquei aqui sem qualquer margem para dúvidas.
Desde logo por razões jurídicas e empresarias. Um accionista com uma ” golden share” nunca prescinde de ter uma voz activa numa estratégia que só pode ser prosseguida desde que autorizada pela maioria dos accionistas. Ora, que se saiba, a Telecom não tem no seu quadro de negócios os conteúdos e/ou a participação num canal de televisão.
Em segundo lugar porque a concentração dos canais de televisão é tão óbvia que só razões políticas poderiam levar um governo a reforçar essa concentração. Não se conhece nenhuma razão a não ser a derrota do Partido do Governo em recentes eleições e a controvérsia que vem tendo com uma voz que lhe é incómoda!
Acresce, que numa fase altamente crítica das finanças do Estado, o governo arranjar uma forma de gastar 150 milhões de euros numa participação de um canal televisivo, só pode ser para controlar a agenda informativa!
É para quê? Para ajudar a Prisa a pagar o que deve? A título de quê? De ser próxima do PSOE de Zapatero? Para vender com mais valias em bolsa? Para serviço público, quando nem sequer o faz na RTP 1 e na RTP2?
Expliquem-nos como nós todos fossemos muito, muiiiiiiiiiitttttooooo burros!

PS e Sócrates continuam a não perceber II

No dia das eleições europeias e nos seguintes fiquei com a ideia clara que o Governo, o PS, o inginheiru e os seus guapos continuavam a não perceber.
Obviamente, o problema deles não foi a comunicação. Foi o CONTEÚDO! c-o-n-t-e-ú-d-o.
Ó sr. inginheirú veja lá se entende de uma vez por todas o pessoal. Nós não somos burrinhos, percebe. A gente percebeu a sua mensagem e a vossa forma de comunicar. A sério. A gente percebeu.
O Vosso problema é que a gente também percebeu as políticas, ok?
Na educação, vem agora dizer que o modelo era burocrático e exigente? Mas, isso não foi parte do que sempre dissemos?
Em nota de rodapé – o problema do PS é a vontade ter poder. E agora tem um drama: se volta atrás com os erros, perde os burros e os teimosos. Se não voltar atrás, continua a perder…
Mas, é mesmo isso que vai acontecer: vão perder o PODER!

Da campanha negra à do medo!

A campanha negra traduziu-se pelas suspeitas que foram lançadas sobre José Sócrates, no âmbito de processos que correm termos no Ministério Público.
Há muita coisa por explicar e a verdade é que esses processos contêm muita matéria directamente ligada a Sócrates, bem como a familiares, amigos e camaradas de partido.
Agora, pela mão do PS, vem aí a caminho a campanha do medo.
A ingovernabilidade!
Traduzido isto quer dizer que se não for o PS a formar governo, e com maioria absoluta, o país não encontrará forma de exercer a governação.
Esta ideia disparatada é, antes de tudo, antidemocrática. Porque a Democracia Parlamentar tem na sua essência a possibilidade de arranjos parlamentares, vários, para que a governação possa ser exercida com estabilidade.
A este governo não faltou estabilidade e, no entanto, o que verificamos é que é um fiasco total. A estabilidade não é um objectivo em si mesmo. Pelo contrário, o que verificamos é que os governos mais criativos e mais produtivos são os que exigem negociação.
Mas, mesmo que assim não fosse, é imperdoável que os dirigentes do PS, olhem para o eleitorado como um grupo de criancinhas a quem se mete medo, a quem se aponta o “papão” que está no quarto no fundo do corredor.
O que mete medo ao eleitorado, como ficou demonstrado nas recente eleições, é a prepotência de quem nada ouve, a campanha de propaganda nunca vista, que todos os dias promete céu e terra e a arrogância de quem julga que está acima da própria Lei, e da ética democrática.
Para já, ficou a vitória de gente insuspeita, que anda na política sem dar margem a campanhas negras e sem prometer campanhas negras.
Para quem gosta da democracia e do Estado de Direito é um avanço sem preço!

A procissão dos arrependidos

Segundo o JPC da Jugular os votos em branco estavam todos dirigidos para o PS .
Daí a derrota. Perante a evidência, todos os que votaram em branco, “carpindo estão” tão grave decisão.
Há já uma petição para reuniões semanais, onde serão devidamente apoiados por psiquiatras (nem precisa de sair da casa…) e psicólogos (tambem é fácil…).
Mensalmente, haverá uma espécie de mega reuniões, onde serão confortados com o apoio de vários voluntários da JS (e voluntárias) para acertarem de vez com os cânticos e gritos de apoio. Está, tambem ,estabelecido que em casos mais renitentes, haverá uma tabela de castigos, que poderá passar por reguadas, círilios e ter que ouvir o José Sócrates falar sobre o Magalhães.
O objectivo é que em Outubro todos os arrependidos se arrependam e votem sem tibiezas de qualquer espécie. A palavra de ordem já foi avançada na noite das eleições por vários dirigente socialistas e Jugulares.
Governabilidade!
Por acaso eu pensava que foi coisa que não faltou ao PS mas os resultados são os que se vêm.
Mas isso sou eu que não estou arrependido!

A futebolítica

Apesar de haver algumas diferenças gritantes, e veja-se que nunca se ouviu falar em políticos com salários em atraso ou partidos em falência técnica, existe um paralelismo entre o futebol e a política e uma ligação quase umbilical entre os dois.
Basta considerar a constante presença de políticos em eventos futebolístos.
Mas tal como o país político, o futebol português é pobre, eminentemente corrupto (apesar de ainda se estar a tentar provar isso), com maus dirigentes e maus jogadores. Os bons jogadores normalmente vão para países mais desenvolvidos e só cá ficam os outros à espera da sua vez. É claro que existem as camadas jovens, mas tanto numa situação como noutra, são sempre muito pouco aproveitados e recorre-se quase sempre a “quem vem de fora”.
Tal como a política, o futebol está de “rastos”. Num campeonato em que os jogos são feitos praticamente deitados no chão, parados e com tantas faltas, raramente se marca um golo na marcação de um livre. No entanto, sempre que se vai marcar um livre, os (poucos) adeptos entram em histeria como se fosse um penalti. Parece mesmo que o golo é iminente e só falta festejar. Inevitavelmente a bola lá vai para fora e toda a gente protesta, dizem que o jogador não presta, chutou para fora do estádio e que devia ter sido outro a marcar o livre. Mas o mais grave é que dois minutos depois, o árbitro marca outro livre e toda a gente volta a ficar expectante para festejar golo… mas o mau jogador chuta novamente para as nuvens! E isto continua sempre a acontecer. É um jogo inteiro assim. É um campeonato inteiro assim. E é sempre assim. Assim como na política. É só pólvora seca. Parece que vai acontecer alguma coisa, mas depois não dá em nada.
É inacreditável a parecença do futebol com a política portuguesa.  Até as eleições são feitas na mesma altura. Parece combinado. Se calhar é por isso que alguns passam de um lado para outro. Políticos que se tornam dirigentes futeboleiros e vice-versa.
E apesar de haver uma míriade de clubes, são sempre os mesmos dois a ganhar. E não querendo que mais ninguém ganhe além deles, vêm sempre dizer que a competição é muito importante para melhorar a actividade desportiva. Na política é igual, e assim que perdem, disparam em todas as direcções dizendo que a governabilidade está ameaçada se a sua hegemonia for interrompida.
Também se ouve falar muito daqueles que mudam de clube e que são “vira-casacas” e “peseteros”: passam do PCTP/MRPP para o PSD, passam do PCP para o PS… é uma questão de mudar para plantéis que permitam voos mais altos e ganhar outro tipo de troféus…

Noutra perspectiva, a política está invadida de futebol. Veja-se por exemplo, Vital Moreira a reclamar “falta” no comício em que participou juntamente com a CGTP. A CGTP veio a público dizer que foi apenas carga de ombro e que foi Vital Moreira a provocar o contacto. Aliás, esta é uma táctica muito conhecida nos meios futeboleiros. Chama-se “entrada à Soares” e consiste em “colar-se” a um adversário já com um cartão amarelo para provocar a sua expulsão.
Ainda agora, no apuramento para as “Competições Europeias”, o que mais se ouviu foi que fulano em vez de levar cartão amarelo deveria era ter levado cartão vermelho. Até as declarações são as mesmas. “O responsável por este desaire, sou obviamente eu!”, isto foi o que disse Vital Moreira e são as palavras que Carlos Queiroz já vai ensaiando.

Agora também, tal como os clubes que reclamam constantemente da arbitragem, são também os partidos a reclamarem com o Banco de Portugal e exigirem a demissão de Vitor Constâncio por não resolver os problemas noutro tipo de “arbritragem”. E tal como no futebol, uns jogadores levam com processos sumaríssimos, outros não levam com nada e saem incólumes de todas as situações.

Depois, existe também o lado obscuro das “campanhas negras” e “trabalhos de bastidores” nas duas actividades e o consequente envolvimento dos tribunais para clarificar as situações. Não há ano que passe em que não existam dirigentes envolvidos em polémicas e escândalos envolvendo compras fraudulentas de terrenos, construções ilegais, pagamentos por “baixo da mesa”, falsas ou não-entrega de declarações de rendimentos, escutas telefónicas incriminadoras, desvios de dinheiro, tentativas de corrupção activa e passiva, abuso de poder, etc, etc. Todos os dirigentes negam sempre todo e qualquer envolvimento em actividades ilegais e nos tribunais nunca se consegue provar nada, e até se consegue provar exactamente o contrário, apesar de ninguém acreditar. Ou então, os processos prescrevem.
Falando de elementos externos: uma palavra para a comunicação social. Tal como no futebol, também na política, conforme os interesses instituídos, uns optam por apoiar descaradamente uma facção, tentando prejudicar o máximo possível o outro lado, evocando sempre uma neutralidade e imparcialidade sem mácula.

Internamente, tanto uns como outros, só falam de estratégias e mudanças de equipa técnica. Sócrates, pelos vistos, escolheu mal o avançado para estas eleições. Manuela Ferreira Leite foi altamente elogiada pela escolha do possante meio-campista Paulo Rangel para o ataque à Europa. Louçã e Jerónimo continuam a fazer o papel de “Portugal” nas competições internacionais: de vez em quando até surpreendem e sobem ao pódio, mas toda a gente sabe que nunca vão ganhar nada. E Portas… bem, Portas tem a sorte de não existir uma 2.ª Divisão na política… No entanto, Sócrates já disse que não vai mudar de tácticas porque sabe que tem uma boa equipa que lhe pode permitir ainda ganhar o Campeonato. Não se pode ganhar todos os jogos e este foi um jogo à parte e não tem nada a ver com o Nacional. Eu sinceramente até acho que Sócrates daria um excelente treinador. Tem gerido e aguentado muito bem uma equipa quezilenta, que gosta de malhar em todas as direcções. Não é fácil. E no caso das Europeias, fez-me lembrar aqueles treinadores que põem em campo a pior equipa para jogar um desafio sem grande importância, salvaguardando os pesos-pesados para o que mais interessa: o Campeonato! Veremos se estou errado. Espero que Sócrates também esteja.

E finalmente, de há uns anos para cá, as duas actividades sofrem do mesmo mal: ninguém aparece para participar no espectáculo! Constantemente aparecem os dirigentes e responsáveis a pedirem uma reflexão sobre o assunto e opinadores profissionais a explicarem o porquê desta situação estranha, envolvendo duas das actividades que mais emoção geram neste país. Uns explicam e apontam a crise económica, a corrupção latente, os maus intervenientes e o descrédito generalizado no futebol para justificarem os estádios vazios; outros explicam e apontam a crise económica, a corrupção latente, os maus intervenientes e o descrédito generalizado na política para justificarem as mesas de voto vazias. E depois começa a nova época. Rola a bola e rola o discurso. E eu já me ponho a adivinhar: outro livre para fora…

Como levar pancada de todo o lado

"O PS viu desviarem-se os votos em várias direcções: à esquerda, para a abstenção, para os votos brancos e nulos, provavelmente também alguns para o PSD", analisa o dirigente e governante Augusto Santos Silva.

Os mais e os menos de um dia assim-assim

Paulo_Rangel

Depois das primeiras avaliações de ontem, decidi aguardar. Que os ânimos eleitorais serenassem que houvesse alguma margem para ter uma perspectiva mais sóbria e após umas horas sem olhar para os resultados eleitorais. Feito esse período de separação, confesso que mantenho quase a mesma visão.

As eleições foram as primeiras vitoriosas do PSD em 20 anos de europeias. Até por isso foi um sucesso com maior sabor. Depois de aparecerem em quase todas as sondagens, com uma excepção, em segundo lugar, os sociais-democratas venceram um confronto eleitoral com uma proporção que deve ter surpreendido mesmo muitos dos seus militantes e dirigentes.

Esta foi, acima de tudo, uma vitória de Manuela Ferreira Leite, que escolheu Paulo Rangel, e, claro, do número um da lista. Estrela em clara ascensão no universo político nacional, o líder parlamentar do PSD teve uma tarefa hercúlea. A campanha ‘laranja’ deu sinais de desorganização, foi apagada, desmobilizadora, com poucos meios e triste, fechada em reuniões de poucas pessoas, numa acção de proximidade em contraponto com a forte aposta do PS. Os socialistas investiram muito nesta campanha, em dinheiro e capital político, e saíram derrotados em toda a linha e de forma expressiva, derrapando mais de 500 mil votos. Dá ideia de terem perdido para todos, para outros partidos e, sobretudo, para a abstenção, num gigante voto de castigo. A campanha ‘rosa’ contou com uma forte presença de José Sócrates e, por isso, o líder do partido acaba por se constituir no principal derrotado do dia eleitoral. Primeiro porque lidera o governo, que recebeu um forte aviso por parte do eleitorado, mesmo que Sócrates pretenda fingir que não há qualquer relação. Depois porque é o secretário-geral do PS e nessa qualidade é o principal responsável pela escolha de Vital Moreira para cabeça-de-lista, num erro de “casting” que ficou claro desde cedo. O professor de Direito foi sempre um peixe fora de água. Por fim, porque o chefe do Governo e do PS empenhou-se muito na campanha. Tanto que fosse qual fosse o resultado ficaria marcado no seu percurso político. E o resultado foi uma pesada derrota.

Numa eleição com muitos vencedores e poucos perdedores, o segundo grande triunfante da noite foi o Bloco de Esquerda. A lista de Miguel Portas dobrou a votação, subiu de um para três mandatos e passou a ocupar o último lugar do pódio da política nacional. O Bloco parece ter chegado ao patamar em que tem de passar a ser algo mais que uma força política do contra.

O dia de domingo também foi positivo para a CDU. Ilda Figueiredo liderou, mais uma vez, a lista ao Parlamento Europeu, obteve o mesmo número de mandatos, dois, e reforçou a votação, assegurando mais 70 mil votos que há cinco anos. Mas a noite da CDU não foi perfeita por ter sido ultrapassada pelo BE.

Para o CDS foi um novo renascer. Sempre subavaliado nas sondagens, o partido de Paulo Portas conseguiu, apesar de um apagamento na campanha, segurar eleitorado, garantir dois eleitos em Bruxelas e manter-se à tona da política interna.

Outro dado significativo desta eleição foi o “crescimento” do “sexto partido”: os votos brancos e nulos ultrapassaram os 200 mil, numa subida muito significativa em relação ao acto eleitoral anterior. Mais de 236 mil eleitores deveram-se ao trabalho de se deslocar às urnas e deixar em branco o boletim ou inutilizando-o. Um dado, que a juntar a uma significativa abstenção, deverá obrigar as forças políticas a reflectir de forma séria o seu relacionamento com os eleitores, embora seja pouco provável que tal aconteça.

Outros derrotados da noite foram as empresas de sondagens. Mais uma vez falharam na previsão da intenção de votos dos portugueses. Já não é a primeira vez que tal acontece. Mais uma entidade a necessitar de profunda reflexão.

PS perdeu porque os Professores votaram

Cá estou eu com a mania das grandezas, mas não pode ser de outra maneira.
Quem tem acompanhado os meus escritos aqui no Aventar sabe o quanto procurei reflectir sobre a relação entre a agressão de Sócrates e do PS aos professores e as eleições – apresento agora uma pequena síntese disso mesmo (voltarei com argumentos mais tarde):

Palpites;
Campanha eleitoral falhou, agora votemos: onde escrevi: “Quer pela ausência de propostas, quer pelo grau zero de discussão política que houve, atribuo o nível Maria de Lurdes a esta campanha.
O troféu Valter Lemos para o pior da Campanha vai direitinho para a tentativa do Sr. Moreira em associar o PSD à roubalheira nos bancos.
O troféu Jorge Pedreira vai direitinho para os sonhos do Dr. Paulo Rangel – a ele, que ninguém o pára!
E o pior dos piores, o prémio José Sócrates ao próprio!

Perante tudo isto permitam-se a contradição – só nos resta uma atitude! VOTAR!”

Sondagens: a 5 de Junho (antes das eleições) perguntei:
“São como o Natal – é sempre que o Homem quiser!
Viva a Matemática.
Já agora, quem paga as sondagens? Os jornais?”

– Professores e a Manif de Domingo: I e II – onde escrevi:
“Neste quadro parece-me interessante que o eleitor menos ligado partidariamente e profundamente triste com Sócrates o queira castigar: para isso, realmente, o voto no PSD é o voto mais eficaz, na medida em que isso se traduz na DERROTA do “inginheiru”.
JP
Nota: para que fique clara a minha posição – termino como comecei estes dois posts: eu voto BE porque ainda acredito que é possível ser o BE a ir buscar o 3º deputado ao PS.”

Eles precisam mais de nós: “Que nós deles!

Eles, os partidos!
Nós, os Professores!

Sábado estaremos em Lisboa e vamos ser novamente cem mil!”

– E para terminar o post Sinais da Terceira Vaga, onde procurando responder ao educar do Paulo Guinote escrevia que:

““Sim, percebemos a Mensagem – só há uma maneira de tudo o que diz a Ministra ser mentira – indo a Lisboa dia 30!”

Algumas notas sobre a noite eleitoral de ontem

Algumas notas breves e desgarradas sobre a noite eleitoral de ontem:
– Grande vitória do PSD, sendo que os méritos devem ser entregues a Paulo Rangel e a Manuela Ferreira Leite. Esta escolheu aquele, contra todos, e por isso não deve ser apoucada na hora da vitória.
– Grande débacle do PS, muito por culpa do inábil Vital Moreira, mas sobretudo da governação de José Sócrates. O primeiro-ministro, quanto a mim, esteve muito bem na hora da derrota. Não saiu do lado do candidato e assumiu todas as culpas. Lembro-me bem quando Cavaco era primeiro-ministro com maioria e era arrogante e mau perdedor sempre que não ganhava as eleições. Vital Moreira até na hora da derrota esteve mal, sendo incapaz de dar pessoalmente os parabéns a Paulo Rangel, como é da praxe.
– A impossibilidade total, a partir de agora, de o PS poder voltar a repetir a Maioria Absoluta (e mesmo a vitória já não é uma inevitabilidade).
– A cabeça perdida do Governo. Mário Lino foi embora dizendo que ia fumar, Maria de Lurdes Rodrigues quase batia nas pessoas à entrada (mostrando uma refinada educação, própria de quem tem berço).
– A vitória dos professores.
– Todos os Partidos subiram, e até mesmo o CDS conseguiu um excelente resultado, neste caso graças a Nuno Melo, que fez uma boa campanha. Associo-me aqui nos parabéns ao Rui Tavares do Bloco de Esquerda que, tal como eu, também passou pelo «5 Dias». A CDU fez o que dela se esperava.
– As sondagens foram sempre uma mentira. Quase todas, à excepção da Marktest, deram a vitória ao PS, que acabou por perder por cinco pontos de diferença. E no final, ainda nos vieram com mais uma que dá a vitória ao PS nas legislativas. Como acreditar naquilo?

A (in) governabilidade Jugular

A Jugular já apontou as baterias ao alvo, cuidadosamente, escolhido na noite eleitoral. A dispersão dos votos!
Votar nos partidos existentes e concorrentes é contribuir para a ingovernabilidade !
E qual é a solução ? Adivinharam, votar no PS!
Isto é, antes demais, um argumento antidemocrático. Uma das maiores vantagens da Democracia representativa é, justamente, abrir caminhos para a governabilidade, procurando consensos e políticas em que o país se reveja.
A ser, como os socialistas e as Jugulares defendem, as eleições seriam desnecessárias. Só há um um resultado possível que permite governar e, esse, é o que os cidadãos, nas urnas, rejeitaram!
Extraordinário!
Pessoalmente, é-me dificil ver pessoas inteligentes prestarem-se a este papel. O lobo mau que mete medo às criancinhas.
Para quem não recebe avença no largo do Rato é uma coincidência a registar!
Sem ironia e sem ofensa!
Quem é que andou décadas a dizer que o povo não estava preparado para votar porque o que podia resultar não seria o que o próprio pensava?

Vitória de gente insuspeita

Manuela Ferreira Leite há muitos anos que está na vida política. Nunca sobre ela recaíram suspeitas de favorecimento pessoal ou de familiares e amigos. Nunca!
O mesmo se diga de Louçã e de Jerónimo, não temos de arcar com uma democracia frágil por falta de credibilidade de quem nos governa!
É possível termos políticos íntegros, ter uma política de verdade, falar com credibilidade ao país.
Não aceitamos ter um governo que diz que é de esquerda e que governa para os mais pobres e, ao mesmo tempo, encher os bancos de milhões, avançar com megaprojectos que nada acrescentam , a não ser dar negócios aos grandes grupos económicos, onde estão camaradas socialistas.
As PMEs fecham, os trabalhadores vão para o desemprego, a actividade económica definha, e este homem quer fazer TGVs, Pontes , aeroportos megalómanos e autoestradas em triplicado!
Sócrates tem que tirar as ilações devidas destes resultados! O país não concorda com as suas políticas!
Espere, até que os eleitores dentro de alguns meses possam dar voz ao seu querer!
Sempre olhou com desdém para as manifestações dos professores e de outros trabalhadores, na convicção que bastaria a sua aura de predestinado. Percebeu agora, tarde, que a aura não é dele foi-lhe emprestada, temporariamente, pelos portugueses!

PS: Menos 1 628 044 votos!

Em 2005, nas últimas eleições, o PS teve 2 573 406 votos. Mais de dois milhões e meio de votos.
Hoje, teve 945 362. Menos de um milhão.
Ou seja, José Sócrates, em quatro anos à frente do Governo, perdeu 1 628 044. Mais de um milhão e seiscentos mil votos.
E bem podem vir as sondagens constantes a dar maiorias ao PS e o Diabo a quatro. Já trabalhei na Marktest e sei como as coisas funcionam. Na hora da verdade, o povo é quem mais ordena. Não é burro e não vai na converseta da sondagem.
1 628 044 votos a menos. Dá que pensar, não?

O próximo primeiro-ministro de Portugal

Os grandes derrotados da noite

   

Um novo dia…

Para todos, amanhã começa uma nova etapa. Para o PS e Sócrates, que terá de recuperar de uma derrota pesada e de um cartão amarelo que deve ser entendido de forma séria. Para o PSD e Manuela Ferreira Leite, que têm de mostrar que há mais que uma penalização do Governo nesta votação e que merecem confiança para formar uma alternativa viável.

Para o Bloco de Esquerda, que tem de mostrar ter chegado ao ponto em que pode ser mais que o partido do contra. Para o PCP, que precisa de segurar o eleitoral, impedindo-o de fugir, porque parece que dali, para cima, já não saem. Para o CDS que tem de mostrar que este resultado não foi apenas de Nuno Melo e dos lampejos de Portas.

Sócrates a derrapar

Há dias escrevi aqui um texto intitulado ‘António Vitorino aceita o voto em branco’, em que basicamente manifestei, ou pretendi manifestar, surpresa por, a pouquíssimos dias das eleições, António Vitorino aceitar publicamente o mal menor: ‘voto em branco’.

Relativamente à Eurosondagem e a Rui Oliveira e Costa, igualmente confessei, nesse texto, a minha falta de confiança, por razões objectivas que apontei; razões essas que hoje, de resto, se repetem. Com efeito, não é crível que aquela empresa, a tão poucos dias das eleições, tenha prognosticado uma vitória do PS, com 36% de votos e 9 deputados, e afinal é o PSD que, segundo as sondagens das televisões à boca das urnas, vence as eleições. Há ainda a registar a possibilidade do BE eleger 3 deputados – Parabéns ao pessoal do BE.

Bem sei que ainda estamos a falar de sondagens, mas os resultados efectivos não as vão contrariar. Aposto.

Para Sócrates, prevejo que seja o início da derrapagem e oxalá o PS aprenda e recupere o estatuto de partido livre e democrático que a tralha socrática (Maria de Lurdes Rodrigues, Augusto dos Santos Silva, Mário Lino, Vitalino Canas, e outros) destruiu.

A papa Mayzena fez crescer Paulo Rangel

(20h48) Os resultados finais ainda estão longe. Para já, são as estimativas das sondagens à boca das urnas que ainda ordenam. E, a confirmarem-se os dados disponíveis, ordenam o quê? A penalização do Governo do PS que surge como derrotado. Um castigo para José Sócrates, que lidera o PS e escolheu Vital Moreira para candidato. Uma vitória para Manuela Ferreira Leite que escolheu Paulo Rangel. Uma vitória para o Bloco de Esquerda e a dupla Louça / Portas. Uma semi-vitória para a CDU, que segura eleitorado mas perde o terceiro lugar para o BE. Uma vitória para o CDS-PP que segura eleitorado mesmo depois de uma campanha fraquinha.

Acima de tudo uma vitória para Paulo Rangel, a nova estrela em clara ascensão da política nacional. Deve ter comido muita papa Mayzena para crescer assim tão depressa.

20h00m (Portuguese Time, election day)

Eis o momento!

Com estes números:
– PSD é o vencedor, tal como o BE;
– CDS não se sai mal;
– PC, a ficar atrás do BE, perde.
– PS tem uma derrota que pode ser estrondosa

Quanto às pessoas:

– Perde Sócrates e Vital, e talvez Jerónimo.
– Ganham os 2 portas.

– Grande Noite para Rangel e M F Leite

As sondagens às 20h:

RTP:

PSD – 29 %/ 34 %
PS – 28 %/ 33 %
BE – 9 %/ 12 %
PCP – 9 %/ 12%
CDS – 7 %/ 10 %

SIC

PSD – 29,2 / 33%
PS – 27,7 a 31,5%
BE – 11,6 / 13,4
PCP – 9,5 / 11,3
CDS – 7,5 / 9,3

TVI:

PSD – 30 / 34
PS – 28 / 24
BE – 9 / 12
PCP – 9 /12
CDS – 6 / 9

A abstenção galopante desde 1975

Bem sei que estamos a falar de actos eleitorais com objectivos e enquadramentos políticos diferentes. Mas, a natureza das diferenças não justifica, só por si, o desinteresse e a drástica redução da participação popular, em eleições realizadas em Portugal, e na Europa em geral.

Esta tarde, corre na imprensa a notícia de que a Direcção Geral da Administração Interna registou ao meio-dia uma participação de 11,8% dos eleitores, comparáveis aos já baixíssimos 14,2% que tinham sido averbados, à mesma hora, nas eleições de 2004 para o Parlamento Europeu.

Recordo que em 25 de Abril de 1975, na votação para a Assembleia Constituinte, estive mais de uma hora numa fila que se alongava pela rua, desde a entrada de uma escola primária situada próximo da Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, para chegar à secção de voto. Nessas eleições, e num universo de 6.231.372 inscritos, abstiveram-se 8,34% dos eleitores, mais precisamente 519.534.

Hoje, votei com demasiada calma na Escola Secundária do Lumiar, no pavilhão 3. Apresentei-me à porta da sala onde funcionava a secção de voto que me competia. Os membros da mesa, apenas com um votante à vista, conversavam tranquilamente.

Repito: bem sei que estamos a falar de eleições diferentes, mas o fenómeno exponencial de crescimento da abstenção não pode, por outro lado, converter-se em responsabilidade inteira dos cidadãos. Os políticos, esses sim, é que não podem declinar a maior fatia da responsabilidade, e sobretudo os dirigentes dos chamados partidos do poder. Não venham eles, pois, queixar-se da degenerescência da participação democrática, um resultado natural das suas políticas ao longo de anos. As populações em geral estão, de facto, decepcionadas, e em Portugal e na Europa nem sequer há um ‘Obamazinho’ para acreditarem, de novo.

Razão para impugnar as eleições?

Quantas pessoas ficaram por votar por causa do novo cartão simplex?
Eu fui atrás das pessoas que, normalmente, votam comigo. Apanhamos táxi e fomos para a Escola Luis António Verneu, para a Madre de Deus. Houve quem votasse e quem não votasse. De volta para a Escola de sempre, a Duarte Pacheco, já com o novo número, porque os senhores do simplex, sabendo da balbúrdia , instruíram um gabinete de apoio, com um jovem e um PC a fazer perguntas on-line, lá votamos.
Enviei SMS para o 3838 e estou à espera de resposta há 4 horas !
Isto é mesmo assim? Quem fica a ganhar e quem fica a perder? Qual é o
número de eleitores que ficaram impedidos de votar?
Eu e a mãe do meu filho gastamos mais de 10 euros em táxi para votar!
Há muita gente que está para isso? E se o resultado for tão apertado que
a dúvida se coloque?
Como se sai disto? Vêm-nos dizer que A Comisão Eleitoral é muito independente?
A desconfiança e a falta de credibilidade rói a Democracia!

As dificuldades para votar hoje

Pela blogosfera e pelo twiiter há, hoje à tarde, um tema em cima da mesa: as dificuldades para votar hoje, nomeadamente para quem tinha cartão de cidadão ou para quem tinha alterado, por exemplo a sua freguesia, etc… O complicómetro do Blasfémias, ou o dia eleitoral no Avenida Central, por exemplo

Na parte que me toca, enviei um sms para o 3838, recebi um sms com a indicação do número de eleitor e da freguesia onde ia votar.

Simplesmente, dirigi-me à mesa e votei.

Outras eleições, outros tempos

Carolina Beatriz Ângelo

Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a votar. Em 1911, para a Assembleia Nacional Constituinte. Tinha o cartão de eleitor número 2513 e exerceu o seu direito na Assembleia Eleitoral de Arroios.

Médica, republicana, sabe-se que o seu voto recaiu em Afonso Costa, Bernardino Machado e Magalhães Lima, candidatos do Partido Republicano Português pelo Círculo Oriental.