Ecos do ministério da propaganda

MoP

Os ideólogos do velho regime estão a tentar, uma vez mais, vender-nos o fim do acordo à esquerda, procurando criar artificialmente a instabilidade que o sistema financeiro não lhes fez ainda o favor de criar. Os blogues afectos ao “Tea Party” nacional, onde se inclui o blogue travestido de jornal que congrega parte significativa da fina flor que inspirou o ministério de propaganda pafista, querem que acreditemos que a votação do orçamento rectificativo representa o início do fim do acordo entre PS, BE, PCP e PEV. Como se o PSD não estivesse forçado a no mínimo abster-se da solução apresentada para a borrada que fez no governo, e com a qual o seu líder afirmou concordar. Como se os partidos à esquerda do PS fossem telecomandados como os deputados do PSD e do CDS-PP o foram durante a vigência do anterior governo. Como se esses mesmos partidos de esquerda, cientes do sentido de voto do PSD, não soubessem de antemão que poderiam juntar o melhor de dois mundos e agradar ao seu eleitorado ao passo que nada de grave se passava com o seu parceiro governamental. [Read more…]

Carrapatoso, o desatador do IRS

António Carrapatoso parece ser uma das estrelas do passismo. Googla-se e ele é menos estado, menos impostos, e outras bojardas.

O Carlos Fonseca já aqui nos falou da personagem:

Qual o significado do genial Carrapatoso, em menos de 3 anos, ter ocupado seis cargos de topo de outras tantas pirâmides empresariais? À cabeça, pode esclarecer-se que os primeiros cinco dos ditos cargos, a começar por Administrador da Quimigal, foram exercidos em simultâneo. A generosa nomeação do então Ministro da Indústria de Cavaco, Mira Amaral,  foi decisiva, mas a destreza, o eclectismo e a sabedoria do polivalente gestor completaram o milagre da multiplicação de funções. (…) O pior é saber-se que, obedecendo ao gabinete de Amaral, e este, por sua vez, ao de Cavaco, António Carrapatoso alienou a favor da Colgate-Palmolive as empresas Sonadel, Uniclar Unisol, integradas na Divisão de Óleos e Sabões da Quimigal. Tinham a missão de produzir e comercializar “detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal”, no país e no estrangeiro (exportação). O nosso homem foi parte activa no processo de desindustrialização do país.

Estamos conversados quanto ao menos estado. Quanto ao menos impostos, estamos perante um homem com sorte: 740 000 Euros de IRS prescritos, porque umas repartições de finanças se desentenderam, um funcionário se enganou, azar para o estado, sorte adivinhem para quem.

Ora aqui está o homem certo para negociar a dívida externa: pode ser que caduque, uns funcionários se enganem, tudo uma questão de sorte, é claro. E ficaria o nó desatado.

Programa de governo do PSD: sempre a matriz empresarial

O PSD pediu a 55 empresários contributos para um programa de governo cuja elaboração está a ser coordenada por Eduardo Catroga. António Horta Osório ( novo CEO do Lloyds Bank), Faria de Oliveira ( CGD), José Maria Ricciardi ( BES- Investimentos), Ferreira de Oliveira ( Galp), Vera Pires Coelho ( Edifer), são alguns dos empresários, de várias áreas da vida económica, que colaboraram com esta iniciativa. Desse pedido resultaram 365 ideias que serão publicadas em livro, com prefácio de Pedro Passos Coelho, que já declarou que o partido não está vinculado a essas ideias, mas que não deixará de “as ter em boa conta.”

Longe de mim desprezar em bloco qualquer contributo constituído por tantas partes. Não posso, no entanto, deixar de começar por notar a omnipresença de Catroga, o homem que cozinhou em sua casa o Orçamento de Estado que está a ser aplicado pelo governo que o PSD critica. Para os mais distraídos, é o mesmo Eduardo Catroga que já foi Ministro das Finanças, no último governo de Cavaco Silva. É o que se chama, certamente, uma lufada de ar fresco no mundo bafiento da política portuguesa.

Finalmente, a matriz dos últimos anos mantém-se. Na opinião de muitos políticos, da extrema-direita à esquerda aparente, a resolução dos problemas do país reside, apenas ou sobretudo, na visão empresarial. Trata-se de um paradigma em que vivemos há vários anos e que, ao que parece, não tem contribuído grandemente para resolver os problemas do País. Segundo esse paradigma, são os empresários que detêm as soluções milagrosas e desinteressadas, porque um país não seria, afinal, mais do que uma empresa.

Sabe-se que chegarão mais contributos com os estados gerais. Não sei se aí, ainda que em segundo lugar, serão ouvidas outras classes profissionais e auscultados outros quadrantes da sociedade. O que se sabe é que o coordenador é António Carrapatoso, gestor e um dos promotores do Compromisso Portugal.

Estados Gerais do PSD – “Mais sociedade …” ou “Mais do mesmo”?

antonio carrapatoso_

Segundo o ‘Expresso’, António Carrapatoso liderará a organização dos Estados Gerais do PSD, a realizar em Março próximo. Terá a colaboração do historiador Rui Ramos.

Desde as célebres e estéreis conferências do ‘Compromisso Portugal’, no início da década terminada em 2010,  o chairman da Vodafone tem  indisfarçável ambição  de ser  Ministro do Governo da República. Em  ‘Ano do Coelho’, é natural o recrudescimento das suas expectativas, no sentido de  ver concretizado o sagrado objectivo de coroar a carreira. E liderar os Estados Gerais do PSD é um excelente início do caminho para atingir a meta, há tanto almejada.

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