Carrapatoso, o desatador do IRS

António Carrapatoso parece ser uma das estrelas do passismo. Googla-se e ele é menos estado, menos impostos, e outras bojardas.

O Carlos Fonseca já aqui nos falou da personagem:

Qual o significado do genial Carrapatoso, em menos de 3 anos, ter ocupado seis cargos de topo de outras tantas pirâmides empresariais? À cabeça, pode esclarecer-se que os primeiros cinco dos ditos cargos, a começar por Administrador da Quimigal, foram exercidos em simultâneo. A generosa nomeação do então Ministro da Indústria de Cavaco, Mira Amaral,  foi decisiva, mas a destreza, o eclectismo e a sabedoria do polivalente gestor completaram o milagre da multiplicação de funções. (…) O pior é saber-se que, obedecendo ao gabinete de Amaral, e este, por sua vez, ao de Cavaco, António Carrapatoso alienou a favor da Colgate-Palmolive as empresas Sonadel, Uniclar Unisol, integradas na Divisão de Óleos e Sabões da Quimigal. Tinham a missão de produzir e comercializar “detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal”, no país e no estrangeiro (exportação). O nosso homem foi parte activa no processo de desindustrialização do país.

Estamos conversados quanto ao menos estado. Quanto ao menos impostos, estamos perante um homem com sorte: 740 000 Euros de IRS prescritos, porque umas repartições de finanças se desentenderam, um funcionário se enganou, azar para o estado, sorte adivinhem para quem.

Ora aqui está o homem certo para negociar a dívida externa: pode ser que caduque, uns funcionários se enganem, tudo uma questão de sorte, é claro. E ficaria o nó desatado.

Comments

  1. Pedro M says:

    Os defensores do Estado-mínimo, que me parece uma forma dissimulada de anarquismo “light”, são o resultado de um fenómeno psicológico compreensível.

    Se eu não usasse escolas públicas, saúde pública, transportes públicos e nunca circulasse na rua e passasse todo o tempo livre em locais exclusivos também teria a percepção muito forte de que o Estado não serve para nada.

    A parte assustadora é o modo como estes extremistas, que representam um infinitésimo da população, têm tanta projecção mediática e não são votados à mesma indiferença que os outros sociopatas.

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